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1 de janeiro de 2007

Madeiro do Natal

«Noite geralmente fria, árvores descarnadas a erguerem os braços para o céu, campos desertos, caminhos sem viandantes (a não ser os que à última hora recolhem a pátrios lares), a véspera de Natal tem não sei quê de unção, de poesia, que a todos, cristãos ou livres-pensadores, crentes ou ateus, faz reunir, vindo das maiores distâncias, no conchego e convívio santo da família.E o nosso povo, mantedor fiel de velhas e lindas tradições, vai ainda hoje, para honra e louvor do Menino Jesus, e para que os pobrezinhos tenham onde se aquecer, colocar no adro da Igreja grandes troncos de árvores que arderão, e morrerão em vivo braseiro, durante o ciclo do Natal.>>

«Em Louriçal do Campo queima-se na noite de Natal, o madeiro que segundo velho costume, deve ser roubado.
Para que se não saiba quem o rouba, as vacas e os bois que puxam o carro que o transporta vão cobertos com mantas, e os homens encapuçados. Ao atravessar a povoação, os homens carregam-se de pedras para, se alguém aparecer às janelas, o apedrejarem e obrigarem a recolher-se.» Id., vol 5, p. 53
*Edição facsimilada da edição de 1944 -Lisboa: Torres &C.ta- Livraria Ferin, 11 vols.(nota 1: a referência ao autor das notáveis xilogravuras que ilustram esta obra ficará para depois já que não encontro o local onde registei o seu nome... ; nota 2: o jornal Público de hoje também refere a tradição associada à queima do Madeiro)>>

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