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30 de junho de 2010

Portagens na A23 seriam "facada no Interior"

Em declarações à Lusa, Jorge Patrão preferiu não equacionar eventuais medidas a tomar caso a iniciativa avance, já que "o próprio primeiro ministro sempre defendeu o contrário", mas afirmou que impor esse pagamento na autoestrada da Beira Interior seria desfavorecer a população, a macroeconomia e o turismo da zona.


"Neste tempo em que se completou a A23 e a A25, a Serra da Estrela cresceu de 150 000 dormidas para mais de 600 000 em 2009. Uma das condições que apresentámos aos investidores foi a de que o destino ficaria ligado aos grandes centros demográficos de Lisboa e Porto sem portagens", contou o responsável.

Além disso, acrescentou, desde a regulamentação do plano rodoviário nacional que as duas autoestradas são consideradas como fator de equilíbrio entre o interior e o litoral.

"Continuarei a bater-me por essa situação, que não pode ser desvirtuada. Estaríamos outra vez a dar mais uma facada no interior", referiu Jorge Patrão, sublinhando que a receita potencial dessas portagens nem seria significativa, sobretudo se em comparação com o litoral.

Opinião semelhante tem o presidente da Câmara de Castelo Branco, Joaquim Morão, que alertou para a falta de alternativa à autoestrada, já delineada por cima do itinerário complementar 2.

Segundo o autarca, a Beira Interior "não tem condições" para suportar estes eventuais novos custos, já que o seu desenvolvimento económico é "muito débil".

"Se houver portagens, o nosso desenvolvimento económico sofre um revés, na medida em que é mais um custo para empresas e para as pessoas, inclusive em termos turísticos", apontou.

Também o presidente da Câmara de Torres Novas, António Rodrigues, lembrou que "não há vias alternativas à A23", mas tem uma preocupação extra -- a consequente e "aberrante" passagem de milhares de carros no interior da cidade, o que afectará a dinâmica urbana e a segurança.

"E quem vai depois para o Norte ou volta para a A23 ou vai para trás, para Tomar. Não faz sentido nenhum", considerou o responsável.

Afirmando-se certo de que "nenhum estudo" justificará a aplicação de portagens, o presidente municipal diz "acreditar no bom senso".

O Governo anunciou recentemente que está a analisar a eventual introdução de portagens em algumas vias, entre as quais a A23, devendo essa análise estar concluída ainda este ano.

(Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico)



Fonte: SIC

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18 de junho de 2010

Louriçal do Campo sem Escola

"Mais um ano lectivo



Por: Agostinho Gonçalves Dias

17 de Junho de 2010 às 14:30h
Mais um ano lectivo está a chegar ao fim. Se houve seriedade no ensino ao longo do ano, agora seria a altura de avaliar os conhecimentos, através de exames sérios. Porque se duvida da seriedade do ensino, também se duvida da seriedade dos exames, e os alunos são os primeiros a manifestar essa dúvida.

 
Quem lê jornais, ou cá trabalha, sabe da luta das Escolas para aparecerem com notícias das mais variadas actividades: dias da criança ou do ambiente, desfiles de carnaval, ou das bruxas, semanas de tudo e mais alguma coisa, visitas de estudo, exposições, actividades lúdicas, etc, etc. Às vezes fico a pensar, com tanta actividade, se fica tempo para as aulas clássicas, com a aprendizagem dos programas. Como os exames são sobre os programas dados a correr, dificilmente poderão ser sérios. E os alunos é que ficam prejudicados…

 
O pior é o que o facilitismo até permite a alunos retidos no 8.º ano, poderem passar para o 10.º fazendo os tais exames em que nem eles acreditam! As escolas não têm culpa da situação, pois se não apresentarem este tipo de actividades, sujeitam-se a uma avaliação inferior, ou a não terem alunos no próximo ano, já que o que se procura não é a aprendizagem dos programas, mas uma escola aberta e divertida…

 
Outra notícia que surgiu foi a do fecho de mais de 900 Escolas Básicas afectando cerca de 10.000 crianças; são as tais com menos de 20 alunos. No distrito de Castelo Branco é possível fecharem cerca de 30, sendo cinco do concelho (Freixial do Campo, Salgueiro do Campo, Retaxo, Louriçal do Campo e Sobral do Campo), duas do concelho de Idanha-a-Nova (S. Miguel D’Acha e Rosmaninhal), três de Penamacor (Benquerença, Pedrógão e Águas), 3 de Proença-a-Nova (Moitas, Pedra do Altar e Lameiras), duas da Sertã (Outeiro da Lagoa e Carvalhal), 3 de Vila Velha de Ródão (Fratel, Porto do Tejo e Sarnadas). É mais um sinal de desertificação das nossas aldeias que pouco a pouco ficam reduzidas a Lares e Centro de Dia para idosos. Se for mesmo para bem dos alunos e da sua aprendizagem, como dizem, vale a pena a separação prematura da família, destas crianças (?)...

 
De facto a Escola é o alicerce do futuro do país: o conhecimento, o sabê-lo aplicar a novas situações, farão a sociedade do futuro. No entanto, ainda estamos muito longe desta sociedade do conhecimento, exceptuando alunos dotados e com boas ajudas em casa, ou que estudem em escolas excepcionais. Teremos de ser muito mais exigentes com o nosso ensino."

Por Jornal "A Reconquista" de 17 de Junho de 2010.


13 de junho de 2010