Seja bem-vindo

30 de dezembro de 2011

Um Próspero Ano Novo 2012 !!



Desejo a todos amigos e visitantes desta comunidade, um Ano de 2012 cheio das maiores felicidades, muita saúde e ainda algum dinheiro no bolso.

FELIZ ANO NOVO.

xxcucoxx

28 de dezembro de 2011

Natal em Louriçal do Campo' 2011

Chegadas as 20h do dia 24 de Dezembro, é ateado o madeiro. Um frio que nos convida a voltar a casa mas, com muita percistência, ali estamos. Não somos muitos mas, os suficientes para servir de testemunho. Enquanto ele arde com cada vez mais força, dirigimo-nos para casa para jantar em família. Batatas e couves acompanhadas da bela posta de bacalhau regado com azeite novo, tal como manda a tradição. Esta é a tradicional consoada de muitos nós. 

Este ano a Missa do Galo foi à meia noite, então voltamos novamente ao adro da igreja. Aproveitamos o calor do madeiro para aquecer as mãos que o frio nos gelou pelo caminho. Na torre da Igreja, batem as doze badaladas, são horas de ir à Missa. O vento vindo de Norte entra pelas portadas da igreja que entretanto, se encontram entreabertas dando as boas vindas a quem queira participar. Começa então a celebração da Missa do Galo.

A alegria instala-se na harmonia dos presentes. Algo de fantástico se sente no ar neste momento que é único durante todo o ano. Afinal a Missa do Galo não é dada todos os dias.

É chegada a hora do beijar do Menino. De uma forma muito natural, forma-se então entre os participantes, numa fila única em sentido ao Altar-Mor da Igreja onde se encontra instalado o Sr Padre que carrega em suas mãos a imagem do Menino Jesus entretanto retirada do presépio criado logo ali ao lado.

O coro da Igreja canta o "ENTRAI, PASTORES, ENTRAI..." e cada um de nós, tenta acompanhar nas partes que mais conhece.



Entrai, pastores, entrai,
Por este portal a dentro;
Vinde adorar o Menino,
No seu santo nascimento.

Entrai, pastores, entrai,
Por este portal sagrado;
Vinde adorar o Menino,
Numas palhinhas deitado.

Pastorinhos do deserto
Todos correm para o ver;
Trazem um e mil presentes,
Para o Menino comer.

Ó meu Menino Jesus,
Convosco é que eu estou bem;
Nada deste mundo quero,
Nada me parece bem.

Ó meu Menino Jesus,
Ó meu Menino tão belo,
Só vós quisestes nascer
Na noite de caramelo!

Alegrem-se os céus e a terra,
Cantemos com alegria,
Já nasceu o Deus Menino
Filho da Virgem Maria.


Já cá fora, o madeiro espera-nos uma vez mais para dar o seu calor. Aproveitamos para nos aquecermos do frio que nos vai "abalando". As Boas Festas são a palavra de ordem entre os que por ali se encontram e resistem ao frio, nem que seja por momentos.

É fácil de perceber que a festividade e a tradição do Natal vividas na nossa aldeia, estão bem presentes deste dos nossos antepassados e que, sem dúvida, será de nossa obrigação, passar o testemunho aos nossos filhos.

Para recordar e dar a conhecer a todos os que nos visitam por este mundo fora, quero aqui deixar alguns testemunhos da Missa do Galo 2011.



















Votos de Boas Festas.

xxcucoxx

21 de dezembro de 2011

Toca (A23)... e foje (pelas nacionais)

Eis a resposta dos utentes à cobrança de portagens no caso da A23 (Auto estrada da Beira Interior).


"No primeiro dia de portagens, dia 8, comparado com idêntico feriado de 2010, a A23 registou uma quebra de tráfego de 42 por cento nos sub-lanços com portagem.


SE ALGUÉM esperava o contrário, desengane-se. A palavra de ordem foi mesmo: “ fuga”. Entre o primeiro dia de cobrança de portagens (quinta-feira, dia 8, feriado nacional) na A23, comparado com idêntico feriado de 2010, registou-se uma brusca diminuição de tráfego na via. A média apurada de todos os sub-lanços da Auto-estrada da Beira Interior determinou uma diminuição de tráfego de 38,1 por cento relativamente ao mesmo dia de 2010. Ou seja, numa via que tem uma média diária de passagem de cerca dez mil veículos, tal representa uma diminuição de mais de três mil veículos em circulação. Mas se tivermos apenas em conta os sub-lanços com portagens, a quebra foi ainda mais acentuada: menos 42,3 por cento.


Outro facto que merece destaque a partir dos dados de tráfego a que o JF teve acesso é que é nos sub-lanços localizados nos distritos de Castelo Branco e Guarda que se registam as diminuições mais significativas de tráfego, nomeadamente de Alcains para Norte. O troço onde houve a maior quebra foi o de Alcaria – Covilhã Sul, onde se registou a passagem de menos 52,75 por cento de veículos. Segue-se a quebra no sub-lanço Guarda – Benespera (menos 49,6 por cento), Belmonte Norte – Benespera (menos 49,5 por cento) e Belmonte Sul – Belmonte Norte (decréscimo de 47,8 por cento). Outro dos troços com uma quebra significativa é precisamente aquele que se situa após os túneis da Gardunha.

Outros dos números a que o JF teve acesso referem-se à forma de pagamento de quem continuou a utilizar a A23. Assim, no dia 8 de Dezembro, quase 57 por cento dos automobilistas pagaram a portagem através do Dispositivo Electrónico de Matrícula (DEM), enquanto que 43 por cento passaram pela via sem este sistema, tratando-se, portanto de um pagamento que irá ser feito posteriormente nas estações do correio ou na rede payshop. Neste caso, o sistema instalado nos pórticos da auto-estrada fotografou a matrícula do veículo e o seu proprietário terá alguns dias úteis para proceder à regularização da dívida."



Fonte: http://www.jornaldofundao.pt/noticia.asp?idEdicao=105&id=7946&idSeccao=981&Action=noticia





Link: http://tv1.rtp.pt/noticias/?t=Transito-intensificou-se-na-estrada-nacional-18-para-fugir-ao-pagamento-na-A23.rtp&headline=20&visual=9&article=507823&tm=8


xxcucoxx

14 de dezembro de 2011

Um Natal genuíno é na Aldeia

Madeiro 2011


O Natal está prestes. Sem dúvida, uma das quadras festivas mais importantes do ano e que a muitos de nós, mais nos diz. Não pelo termo associado aos centros comerciais que nos habituaram ao consumismo irresponsável mas sim pelo facto de comunhão e paz entre os nossos mais queridos que são a família.

Aqui, o sentimento de Natal é algo de genuíno que se demonstra em cada gesto. É impossível descrevê-lo, só mesmo vivendo-o.

Os ventos frios sopram sobre a Gardunha e, pelos seus penedos, chegam à aldeia. As largas paredes de granito que compõem as casas, são o único refúgio. A lareira acesa, acolhe os que vão chegando. O crepitar das labaredas de lume é algo que nos comove pois, são gestos da nossa infância e que já mais esqueceremos.

Sem grandes luxos e tudo muito simples, a família começa a juntar-se ao borralho da lareira enquanto aquela velha e preta panela, ao lume, começa a ferver o que nos servirá de jantar. Batatas e estalos de couve colhidos ainda agora da horta, será a nossa refeição da consoada. O bacalhau também coze num outro recipiente.

A harmonia instala-se na família. É a noite de Natal. Tudo é calmo, tempo pára, o dia anda devagar, a tarde não chega, a noite é longa.

Cá fora, as chaminés fumegam todas elas para o lado em que o vento sopra. É Natal….

Estamos então na consoada (24 de Dezembro) e o jantar está pronto. Vamos então jantar em família. Bacalhau cozido com batatas e couve e para sobremesa, temos rabanadas e filhoses (feitas dias antes) e por fim, bolo-rei ou rainha.

Após o jantar e já com loiças e cozinha arrumadas, vamos então em conjunto, até ao adro da igreja. Aqui esperamos o madeiro. Um enorme conjunto e paus, entenda-se troncos de árvore de grande porte, que ali foram colocados pelos “rapazes do ano”. O propósito é aquecer os que por ali se reúnem a caminho da Missa do Galo. Um “vira de um lado e vira do outro”, lá nos vamos aquecendo até chegar a hora da Missa.

Aqui, e já neste ambiente, sente-se a paz e harmonia entre os presentes. Neste compasso, as conversas são as mais variadas.

Entretanto o sino da igreja dá as 12 badaladas, hora da Missa do Galo. Um feito que ninguém gosta de perder, desde ao mais velho, ao mais novo.

A Missa é celebrada com tudo o seu rigor e respeito. No seu final, é dado o Menino a beijar. Ao cantar do "Ó meu Menino Jesus", forma-se entretanto, uma fila no sentido ao altar-mor onde nos espera o Sr Padre com a imagem do Menino Jesus a dar a beijar aos que o assim pretendam fazer. Um acto único e de serenidade quando se conjuga a meia-noite numa noite da Natal. O presépio está ali ao lado.

Terminada a Missa, espera-nos lá fora o madeiro que nos servirá de pré-aquecimento até chegarmos a casa. Por ali, uma multidão de gente se junta e mantém pois afinal é a noite em que nasceu o Menino e por isso é dia de festividade.

Nos últimos anos, têm sido organizados festejos a fim de manter a malta até horas mais tardias mas, tem-se notado que o madeiro continua a ser o centro das atenções e é ali que, até altas horas da noite, se juntam concertinas, cavaquinhos e guitarras e ali fazem a grande parte da festa entre os populares.

Aqui, as prendas materiais não contam e a falta delas não é sentida. A grande a maior prenda que se podemos dar, é nossa presença junto dos presentes (familiares e amigos).

Votos de Boas Festas.
 
xxcucoxx

3 de dezembro de 2011

Percorrer a A23 vai custar 19,30 eur. Um luxo.



Acabaram-se os adiamentos e sucessivas dúvidas quanto a preços a praticar na Autoestrada da Beira Interior. O Decreto Lei n.º 111/2011 decreta a entrada o pagamento das portagens na A23 já no próximo dia 8 de Dezembro.

A viagem vai custar nove cêntimos por quilómetro, dois cêntimos a mais do que na auto-estrada entre Lisboa e Porto (A1), onde os 271 quilómetros entre as portagens de Alverca e Grijó custam 19,95 euros.

Contudo, haverá isenção para as 10 primeiras viagens de cada mês para cidadãos e empresas locais.

Um pormenor importante é que a partir do momento em que uma viatura passa por um pórtico, o sistema informático calcula o tempo máximo que pode demorar até passar pelos seguintes para os englobar na mesma viagem, "sendo previstas paragens de meia hora por cada estação de serviço".

Os preços a cobrar nos 16 pórticos da A23 para a classe 1 são os seguintes (os valores para as classes 2, 3 e 4 multiplicam por 1,75, por 2,25 e por 2,5, respectivamente):

A1 - Entroncamento: 1,20 euros
Entroncamento - Constância Oeste: 1,10 euros
Constância Oeste - Abrantes Oeste: 1,00 euros
Abrantes Oeste - Mouriscas: 1,10 euros
Mouriscas - Gavião: 1,30 euros
Gavião - Gardete: 1,25 euros
Gardete - Perdigão: 1,35 euros
Perdigão - Sarnadas/Retaxo: 1,50 euros
Sarnadas/Retaxo - Castelo Branco Hospital: 0,90 euros
Castelo Branco Hospital - Alcains: 1,05 euros
Alcains - Soalheira: 1,15 euros
Soalheira - Fundão Sul: 1,20 euros
Fundão Sul - Covilhã Norte: 1,50 euros
Covilhã Norte - Belmonte Norte: 1,55 euros
Belmonte Norte - Benespera: 0,80 euros
Benespera - A25/Pinhel: 1,35 euros


Vejamos um caso particular de um automobilista se faça deslocar, através da A1 e A23, com origem em Lisboa e destino a Louriçal do Campo, desde que usando unicamente estas vias de circulação, em termos de portagens (A1) e pósticos (A23), o preço rondará os 17,30 eur por cada viagem. Se esse mesmo automobilista sentir necessidade de regressar, serão mais outros 17,30 eur, (já lá vão 34,60 eur). Sumemos-lhe o custo de combustível, para as 2 viagens (sem voltinhas pelo meio), na ordem dos 60 eur (se for gasóleo). Feitas as contas, serão nada mais que nada menos que 94,60 eur no seu valor total.

Não esquecendo que estamos num período em que o orçamento familiar se encontra nas "lonas", é fácil concluir que uma visita ás nossas famílias e origens, hoje em dia, torna-se um comportamento e acto de luxo.

Ok, alguém diz: "Mas é quase ali e que são 2 horas e um quarto de viagem". Pois, mas custa quase 100 eur (vinte contos da moeda antiga). Um roubo!!! Sem medos de dizer: Um Roubo.....

Não querendo fazer referências ás alternativas de locomoção (que iremos guardar para outra oportunidade futura), não é aceitável, de todo, este gasto total para se percorrer 250 km.

Sou e sempre fui defensor do "utilizador, pagador" mas, é um roubo que se quer praticar nestas "coisas" de luxo que nos levam ao Interior de Portugal.

As facadas ao Interior têm sido de considerar. Esta mais uma que, de certa forma, o deitará a baixo.

Num outro dia, em conversa com um também oriundo das nossas origens (Interior), me dizia: "A A23 foi "de graça" para nos trazer de lá, agora teremos que a pagar para voltar. Não volto".

Dá que pensar....

xxcucoxx

22 de novembro de 2011

Os Carlos em festa' 2011





Realizou-se no passado dia 5 de Novembro, mais um convívio anual do Grupo Onomástico "Os Carlos". O local escolhido, foi uma vez mais, o salão de festas da Torre. Um espaço agradável que permitiu a união e confraternização de todos os que estiveram presentes.

Entre sopa e outros, nomeadamente grelhados, assim se fez a festa do comes e bebes. Para terminar e já no cair da noite, o magusto acompanhado da bela geropiga, como manda a tradição. A noite serviu ainda para dar um pézinho de dança com as "Carlotas" também ali presentes a toque de uma bela e bem tocada concertina e cavaquinho.







Os festejos para o próximo ano, já tem data marcada e comissão escolhida.

Este convivio é de todos e para todos os Carlos. O contributo de todos tem sido peça fundamental para a continuidade deste evento. Prova disso, este ano foi o décimo ano consecutivo de festa dos Carlos.

São Carlos

Bem Haja a todos eles pela sua presença e contrubuto.

xxcucoxx

9 de novembro de 2011

A apanha da azeitona



Em todo o concelho de Castelo Branco, sempre se cultivou muito a oliveira. Era uma das principais riquezas da região, o azeite. Louriçal do Campo, não fugiu à regra, a cultura da oliveira predominava e ainda hoje, embora muito abandonadas, se vê por todo o lado, grandes oliveiras. Em redor da povoação está a prova evidente do que afirmo, está cercada por todo o lado de boas oliveiras, agora, algumas, mal tratadas. A oliveira era considerada uma árvore sagrada. Dela se extraía o azeite que iluminava e ainda hoje ilumina, na Igreja, a lâmpada do Santíssimo. Uma lamparina que de dia e de noite ali está sempre acesa.


Hoje, corta-se uma oliveira por este ou aquele motivo mais fortuito.

 
Recordo-me de não se cortar qualquer ramo, até na apanha da azeitona, aquele que partisse algum raminho, era mau apanhador e se tivesse o azar de partir muitos, se por acaso andava a trabalhar por conta de outro, não voltava mais àquele patrão. Começava a ganhar fama de partir muitos ramos, era mau apanhador, ninguém mais o chamava. Era assim, havia fartura de mão-de-obra e falta de trabalho.

 
Hoje virou-se o filme ao contrário, ou bem ou mal não há quem as apanhe e as poucas que restam, ficam muitas vezes nas oliveiras por falta de força humana.

 
As oliveiras eram todos os anos limpas dos paus secos, rama que desse azeitonas não era cortada.

 
O chão era cavado também anualmente e iam buscar muito mato que era enterrado conjuntamente com a cavagem, para estrumar a terra. Outros deitavam-lhe bom estrume dos animais. Não deixavam crescer ervas, silvas ou mato nas oliveiras e a sua rama parecia prata.

 
Havia grandes oliveiras, ainda hoje se vêm alguns troncos de grandes árvores centenárias. A oliveira se for tratada convenientemente, dura alguns séculos. Ao contrário, também se perde com facilidade, embora os seus troncos, muito rijos, durem muitos anos.

 
Para a apanha da azeitona, no devido tempo, Novembro, Dezembro, Janeiro e até Fevereiro, era mobilizada toda a povoação. Todos os habitantes, uns mais outros menos, tinham azeite para seu gasto e alguns até vendiam para fora da terra.

 
A apanha da azeitona era feita directa, ou seja, com escadas feitas de varas de pinheiros, umas maiores outras mais pequenas, conforme o tamanho das oliveiras a apanhar.

 
Organizavam-se grandes ranchos e todos em cima das escadas a apanhar, conversavam e cantavam, por vezes ao desafio. Era bonito !...

 
Como os dias de inverno são mais pequenos, de madrugada, ou muitas vezes de véspera, à noite ao luar, iam buscar um molho de mato e manhã cedo, comiam a "dejua," (café). O almoço era comido no olival, de pé, não se podia demorar muito. Normalmente era comida de seco. À noitinha, no final do dia, carregava-se tudo. Os homens transportavam duas ou três escadas, As mulheres, traziam os sacos das azeitonas ou as cestas. As pessoas de mais idade, que já mal podiam andar em cima das escadas, apanhavam as azeitonas que caíam para o chão.

 
Chegados a casa, umas vezes antes de jantar outras depois, havia a tarefa de escolher as azeitonas que consistia em limpar as mesmas de todas as impurezas, folhas, ramos, paus, musgo etc.


As azeitonas mantinham-se nestas tulhas e assim salgadas, algum tempo, por vezes até meses. Até o lagareiro ter vez para as fazer. Quando chegava a altura de irem para o lagar e eram retiradas das tulhas, as azeitonas estavam cheias de bolor, em bolo, todo branco. Quando isso acontecia, diziam, “vão ser boas, vão fundir muito!...”

O azeite nestas condições, saía sempre com muita acidez, no entanto, os residentes gostavam. Foram assim criados com esta situação, mas quando saíam da aldeia e nas cidades comiam azeite com menos acidez, embora não fosse tão puro, era difícil depois chegar à aldeia e voltar a comer o azeite de lá , embora se soubesse que não tinha qualquer outra mistura.

 
Hoje, as azeitonas já não vão para as tulhas e não levam qualquer quantidade de sal. É apanhar e levar para o lagar e consegue-se bom azeite e com reduzida acidez.

Os lagares antigos acabaram. Agora são utilizados lagares modernos, com boas prensas eléctricas, com maior rapidez, embora tenhamos que nos deslocar a alguns quilómetros de distância.

 
A nossa terra que teve um dos bons lagares, que neste momento, está reduzida a zero, e a continuar assim , qualquer dia ninguém apanha azeitona. Os novos ausentaram-se e os poucos velhos que ainda existem, não são capazes de fazer estes serviços.

 
Hoje, a maior parte dos olivais estão abandonados e a azeitona não é apanhada.

O futuro não se apresenta nada risonho para a nossa região. As culturas tradicionais irão acabando. O abandono é já quase total pelo que não sei como terminará esta viagem!...


xxcucoxx

2 de novembro de 2011

A chegada da Romã. É Outono !!


A romã tem história. Para os iranianos, Eva foi traída não por uma maçã mas sim por uma romã. Um pouco mais a norte, o seu número excessivo de sementes e cor fazem com que os gregos ainda hoje mantenham a tradição de abrir uma romã nos casamentos para atrair a fertilidade.

A romã tem beleza. É uma preciosidade da natureza a envolvência de numerosas sementes carnudas de cor vermelha numa casca com epílogo em forma de coroa.

A romã tem saúde. É muito provavelmente o fruto com maior potencial “medicinal” comprovado. Neste contexto, o seu elevado teor em polifenóis impede o “mau” colesterol (LDL) de ser oxidado, sendo que é esta oxidação a responsável pela formação das placas ateroscleróticas que podem causar trombos indesejáveis. Esta capacidade de “limpeza” dos vasos sanguíneos demonstrou igualmente efeitos na melhoria da quantidade de oxigénio captada pelo músculo cardíaco de pacientes com doença coronária e também um potencial benefício no combate à disfunção eréctil.

A sua tremenda capacidade antioxidante (quase 3 vezes superior à do vinho tinto e chá verde) tem revelado resultados promissores quer na prevenção de alguns cancros (próstata e mama) quer na diminuição da inflamação característica da artrite e consequente atenuação da sua sintomatologia.

Foi relatado em alguns estudos uma interacção entre a romã (mais propriamente o sumo de romã) e alguns anticoagulantes. Apesar de muito remota e da escassa evidência desta associação, o mais recomendável é consultar o seu médico se estiver a tomar este tipo de medicação, antes de ingerir este precioso fruto.

As características nutricionais da romã são concordantes com o seu potencial terapêutico, dado que para além da sua riqueza em vitaminas e minerais e baixo valor calórico, algo que é inerente à grande maioria dos frutos, a romã exibe uma quantidade assinalável de fibra que a distingue dos seus similares.

Deste modo, aproveite esta dádiva da natureza nestes meses e entre no Outono da melhor forma!

xxcucoxx

27 de outubro de 2011

Uma vida, um testemunho agora homenagiado



No dia 25 de Março de 2006, faleceu em Orjais, concelho da Covilhã, onde residia, o Padre José dos Santos Serra. No dia seguinte o Senhor Bispo presidiu à Eucaristia exequial em Orjais, e concelebrada por vários sacerdotes. A seguir foi a sepultar em Louriçal do Campo, sua terra natal.

O Padre José dos Santos Serra era natural de Louriçal do Campo, arciprestado de Alpedrinha. Nasceu a 3 de Outubro de 1916. Foram seus pais José dos Santos Martinho Serra e Maria da Conceição Vaz. Frequentou os Seminários Diocesanos de 1928 a 1938. Foi pároco das freguesias de Terrenho e Torre do Terrenho (10-02-1940); Coadjutor da Sé e S. Vicente da Guarda (1-12-1961); Pároco do Telhado e Souto da Casa (1943); Pároco de Vale de Prazeres (29-04-1949); Pároco de Orjais desde 1950 até 2003; em 1998 foi nomeado pároco de Aldeia do Souto.

Agora,

"Um amigo do amigo, homem que contribuiu para o desenvolvimento da freguesia, pessoa doce mas determinada, às vezes mesmo teimosa, um conselheiro, uma pessoa que ficou após a partida. Muitos adjectivos, nomes, para descrever o padre José dos Santos Serra, falecido em 2006, mas que a população da freguesia de Orjais decidiu homenagear no passado domingo, 23, com a inauguração de um busto no largo da Amoreira, o principal da aldeia.

De facto, foi ali que a Comissão da Fábrica da Igreja e população quiseram perpetuar a memória de um homem que durante 53 anos esteve na paróquia, numa iniciativa inserida nas comemorações do Dia da Cidade da Covilhã. Uma escultura da autoria de Paulo Moura que, segundo o presidente da Junta de Freguesia de Orjais, António Pinto, visa distinguir um homem que “contribuiu para grandes obras” graças à sua determinação e, às vezes, “teimosia. Foi com isso que conseguiu sempre fazer alguma coisa” afirma o autarca, que lembra uma “grande conselheiro”, uma pessoa com “força de querer e saber”, um “carácter forte”. Uma “grande perda” para a freguesia e concelho.

Segundo o representante da Comissão da Fábrica da Igreja, o padre Serra fiou intimamente ligado a obras como a construção do Centro Paroquial, a sala mortuária, o alargamento da Igreja Matriz, a Capela da Borralheira e ou as moradias do Brejo.

Numa cerimónia à que muita população se juntou, bem como familiares do padre, o presidente da Câmara, Carlos Pinto, destacou a “justíssima” homenagem em memória de uma pessoa amável e boa, doce, “mas muito determinada. É uma pessoa que fica depois de partir” frisa o autarca, que considera o padre Serra um “exemplo para as novas gerações”."

In Edição Online de Notícias da Covilhã


xxcucoxx

13 de outubro de 2011

Chegou a hora de mais um ajuste de contas

Bom Dia,

Não hesitei em partilhar. A respeito deste tema, provavelmente, o melhor artigo que já tenha lido.


"O galopante despovoamento das áreas rurais já foi justificativo para o fim de muitos serviços. As freguesias são, apenas, o último elo a cair

O INSTINTO natural ainda é o de resistência. É-o e foi-o por entre uma vida sem beneplácitos ou dádivas, onde os destinos foram traçados nos sulcos da terra. Sem ilusões a rasgar caminhos que iriam inevitavelmente esbarrar a lado algum ou, como queiram, no infame muro da pobreza. Já foram lugares de gentes sobreviventes em geografias áridas de oportunidades, numa ruralidade côncava num Portugal que vai longínquo, naquele Portugal amordaçado e recolhido, onde a visão pouco mais alcançava do que a extremidade do cabo de uma enxada. No guinar de um arado com olhar curvo no amanhar da terra, o sonho morava longe.

Estas mesmas geografias de esperanças coertadas tiveram que ser vencidas, obrigando a que os olhares se erguessem para além dessas montanhas e se alimentassem outras esperanças, de outras dignidades. Quando, por fim, o sonho se insuflou, partiram para além destas montanhas. Muitos mesmo para além da grande montanha dos Pirenéus. Para as cidades, para o estrangeiro, para longe. Ficaram os que ficaram. Ficaram os que quiseram e os que não puderam. Todos os outros foram. Ficou a saudade nas terras que engrossaram a emigração.
O tempo continuou a vaguear por estas aldeias da Beira e tratou de compor a inevitabilidade. Os anos após os anos, as décadas que sucederam às décadas, não foram mais do que somatórios e repositórios de razões para o Interior se continuar a esvaziar. A galope. Depois, sim, soou o uivo dos números da racionalidade: Fechar! Acabar! Extinguir! Foram-se as gentes. Foram-se as escolas, foram-se as extensões de saúde, foram-se os transportes públicos.

“Não há gente!”
E como poderia haver?

Mas há rácios, proporções, rentabilidades, densidades. As benditas densidades populacionais onde encontramos demasiada geografia para tão pouca gente.

Chegou, então, mais um acerto de contas. Na Beira Interior, centenas de freguesias rurais estão na primeira linha da extinção. Um olhar pelo mapa coloca à cabeça mais de 200 territórios desta tipologia no fio da navalha por não cumprirem os critérios mínimos de população, que pode variar entre os 500 e os 150 indivíduos consoante os critérios previstos na reforma. O corte tem especial incidência nos concelhos menos populosos da região (e há muitos onde a população total não chega sequer aos dez mil habitantes), onde apenas os critérios do regime de coesão - que permitem que em municípios que perderam mais de dez por cento da população nos últimos dez anos possam baixar a fasquia de sobrevivência das suas freguesias rurais para 300 ou até para 150 habitantes - impedem que o cenário seja ainda mais drástico. A racionalização do território ditou esta reforma. Tem a sua lógica? Terá.


Jornal do Fundão - Edição Online de 12 Out 2011, 15:36h
Fonte: http://www.jornaldofundao.pt/noticia.asp?idEdicao=105&id=7761&idSeccao=981&Action=noticia

xxcucoxx

11 de outubro de 2011

A casa da Catequese


Ao passar, nada mais um edifício que se destaca em Louriçal do Campo sem que se saiba da sua história. De facto, da sua história, eu não sei muito. Sei que com os meis 6 anos de idade, foi ali que comecei com as minhas segundas instruções de religião católica, pois porque as primeiras, já vinham de casa. O sentimento de familia nunca se esquece. A caminho da horta e da horta para casa, de mão bem firme á da minha mãe, ali aprendi as minhas primeiras orações. O caminho era feito de oração ensinado pela minha mãe que, também a sua mãe lhe minha ensinado.

Chegada a entrada para escola primária, como os meus tenrinhos 6 anos de idade, vem também a altura de frequentar a Catequese. Algo de novo para mim! Muitos eramos nós que acabada a Missa Dominical, nos reuniamos á porta da "casa da Catequese" á espera das catequistas para que nos abrissem as portas. Na altura, as turmas eram feitas de acordo com as idades dos inscritos. Ali e já dentro da casa, eram-nos ensinadas as orações religiosas e como não fazer mal ao próximo. Instruções de vida para o nosso dia a dia já como homens maduros.

O soalho de madeira que rinjia cada vez que dávamos um passo. Os bancos desconfortáveis, eram forma de atenção ao que as catequistas nos tinham para ensinar.

As salas ainda existentes estavam replectas de miúdos tais como eu. Umas turmas dos mais velhos e outras dos mais pequenos, tudo estava preenchido.

Hoje e passados cerca de 30 anos, fico contente de ter a noticia recente de que, face ao ano lectivo de 2011/12, naquele mesmo espaço, se encontram ainda inscritos o número de 42 jovens com vontade de aprender o que há de bom para ensinar pela equipa constituida ainda por 6 catequitas. 

Os tempos traz-nos a momentos tais como este. A preparação dos jovens para a vida, é sem dúvida, um instrumento que nos acompanha até ao fim dos nossos dias.

xxcucoxx  

9 de outubro de 2011

10ª Confraternização "Os Carlos"


No próximo dia 5 de Novembro, mais um dia de festa. Neste caso, a 10ª confraternização de "Os Carlos" da terra. Os convites estão preparados para envio mas, se por qualquer lapso, algum dos Carlos não o possam receber, encontre-se desde já, convidados na companhia de suas esposas e filhos. Um dia de confraternização e alegria a não perder.

Confirmem a vossa presença até dia 30 de Outubro e, votos de bons festejos.

xxcucoxx

O despovoamento chegou de régua e esquadro na mão



"O despovoamento chegou de régua e esquadro na mão

Um terço das freguesias do concelho do Fundão estão comprometidas segundo os novos critérios. Este é o primeiro retrato do que pode mudar na Região. Seguem-se Covilhã e Castelo Branco

ESTALOU o chicote de mais uma ameaça de reforma administrativa do território que, nos pressupostos mais profundos, pouco se alterou desde a última grande intervenção no território, pela mão de Mouzinho da Silveira.

Os critérios vieram recentemente expostos à nação no Documento Verde da Reforma da Administração Local e a mensagem que se tem feito passar é a de que esta reforma é para avançar sem hesitações, reconfigurando o mapa nacional já para nas próximas eleições autárquicas de 2013.

O Documento Verde está em discussão pública e as sugestões para a alteração ou criação de novos critérios começarão a chegar a Lisboa de todos os pontos do país.

Para já, nos territórios municipais a conjuntura é feita com o que foi emanado do gabinete do ministro Adjunto e dos Assuntos Parlamentares, Miguel Relvas. E os grandes critérios estabelecidos foram estes: os municípios ficarão distribuídos por três patamares, segundo a sua densidade populacional: mais de 500 habitantes por quilómetro quadrado; entre cem e 500 habitantes por quilómetro quadrado e menos de cem habitantes por quilómetro quadrado. As freguesias, essas, ficarão associadas a três tipologias: Área Predominantemente Rural (APR), Área Maioritariamente Urbana (AMU) e Área Predominantemente Urbana (APU).

O concelho do Fundão insere-se na tipologia de concelhos com menos de 100 habitantes por quilómetro quadrado (tem 44 habitantes por quilómetro quadrado) e a esmagadora maioria das 31 freguesias do concelho estão em espaço predominantemente rural. "

Por Edição Online de Jornal do Fundão, de 06-10-2011


xxcucoxx

5 de outubro de 2011

101 anos depois da Proclamação da República Portuguesa. E o respeito ???



A República, nos dias de hoje, a meu ver, vale o que vale. O seu termo encontra–se desenquadrado aos tempos modernos. Quem nos concedeu a liberdade de expressão no ano de 1910, terá com toda a certeza o seu louvor e mérito pelos seus feitos.

Passados 101 anos, coloco em questão todas as suas consequências. Pois que os que são presos, passam a ser colocados em libertade, os que julgam, passam a julgados, e aos outros que mal fazem, nada lhes acontece nesta sociedade. O máximo que lhes pode acontecer é ir para casa com termo de identidade.

Entramos num ciclo que ninguém se consegue entender e venham lá mais leis para frustrar cada vez mais o mais honesto.

Estes últimos episódios que atormentam a sociedade nacional, (Joões Jardins, Isaltinos Morais, Casas Pia, (...)) mas que será deles? Mas afinal, ninguém paga pelos seus feitos indevidos e que tanto colocaram em questão seus princípios de cidadão democrático ao serviço do país??? Porque razão da existência dos recursos nos tribunais? Só vejo duas razões explicativas. * Forma desrespeitosa para quem paga impostos para toda esta estrutura orgânica e funcional dos tribunais para que os seus funcionários gastem a ponta dos dedos a lamber folhas e mais folhas de papel; *E, forma de colocar pessoas a “encher chouriços” pelo seu trabalho diário que, quando “espremido”, o resultado do seu trabalho perante a sociedade, não dá em cada. Por isso, estamos no fosso onde estamos. A isto, dá-se o nome de trabalho "nulo" porque em nada contribui para o PIB do país, de que tanto necessitamos.

Contudo, estou expectante que de facto a democracia moderna, pela equidade que tanto defende, seja a mesma a colocar esses tantos jovens que por aí andam de boné ao lado e com calças ao fundo do rabo, a prestar as suas responsabilidades cívicas, nomeadamente, o seu contributo para efeitos de riqueza nacional assim como as suas contribuições para a Seg. Social em vez de andarem por aí a vadiar as ruas e ao mesmo tempo a puxar as calças até meio do rebo.

A este momento, sinto-me honrado por contribuir de forma positiva para esta democracia e nosso bem-estar em sociedade mas, pergunto-me: Até quando?

Amigos, conseguimos chegar ao outro lado do mundo que não é nosso! Estamos perdidos com a democracia deste século.

xxcucoxx

30 de setembro de 2011

Freguesias vão reduzir. Nota negativa!



"O Documento Verde da Administração Local divulgado na segunda-feira impõe "a redução significativa" do número de freguesias, "dando-lhe escala, dimensão e novas competências, e apostando nas políticas de proximidade"

fonte: http://www.jn.pt/PaginaInicial/Nacional/Interior.aspx?content_id=2028727

Neste contexto, já há quem fale que Louriçal do Campo ficará em breve, sem sede de Junda Freguesia. Lardosa, Tinalhas ou São Vicente da Beira, poderão ser o "estado general" das Freguesias mais próximas. Não aceito tal ideia  mas, atendendo ás conjunturas do país, terei de dar de "barato". Obviamente que, para esses habitantes, será de todo um momento de incómodo, quando por necessidades diversas, terão de se fazer deslocar pelos seus próprios meios, aquando da resolução de assunto mais delicados junto desta entidade. Enfim, consequências da modernidade social.

É de minha opinião que, o desgoverno tem sido total. Sou, por vezes, criticado por ser apologista das ideias do Dr. Medina Carreia, mas, uma vez em regime democrático, as verdades têm de ser ditas e doa a quem tiver de doer.

Não sejamos tontos de uma vez por todas!! Convencemo-nos de uma vez por todas de que, todos nós não passamos de meros e insignificantes "números". E são estes que ditam os pareceres mediante estatísticas. Em qualquer tipo de análise crítica, não fará sentido a existência de uma sede de Junta de Freguesia em que através dos ditos "números", as pessoas morrem e  não nascem a título de compensação. E por sermos meros "números" (neste aspecto), quem manda, manda bem.

Gostaria de não entrar em particularidades (até porque as tenho, e provas não são poucas) mas, Louriçal do Campo encontra-se num fosso em que neste momento, não apresenta quaisquer competências dignas de criação de portefólios estratégicos afim do dinamismo tão necessário.  Provavelmente por falta de verbas cedidas por parte do Município.

Portanto, do que ainda vai havendo, já é pouco e do pouco que há, ainda será retirado quanto antes. Pergunto: O que será de futuro dos espaços que se vão esvaziando?? Junta, Escola? Que fazer deles? O tempo de crise, poderá traduzir-se em oportunidades. Sabemos bem que o actual Centro de Dia, funciona mesmo e só em regime diurno. Porque não, aproveitar o edifício das escolas, após algumas remodelações, nomeadamente, intrusão de elevadores e, aproveitar aquele espaço digno de uma extensão ao Centro de Dia. Os idosos iriam beneficiar de um espaço que lhes  oferece-se um estado de conforto de 24 horas/dia sob administração deste Centro.

Como alguém diz e que é residente em Louriçal do Campo "a nossa terra, não passará de uma pequena e insignificante colónia de férias para os seus filhos".

Meus amigos, é com muita mágoa que expresso o que me vai na alma mas, é para aqui que caminhamos. Sejamos realistas, por favor.

xxcucoxx

21 de setembro de 2011

Das vindimas à aguardente

Chegada a altura, (nos inícios do mês de Setembro), entre vales e planícies, dá-se a apanha da uva, dominada por vindima.


Hoje, tanto a recolha como o transporte das uvas, é feito com a ajuda de maquinaria moderna. Esta maquinaria passa também pelo esmagamento das mesmas que dantes era feito com a ajuda de um utensílio chamado sarindão.



Por este tempos, em Louriçal do Campo, já terão terminado as vindimas. Passados 7 dias, está na altura de fazer a muda do vinho. E o que fazer ao bagaço? Entenda-se como bagaço,  restos dos cachos de uva espremidos durante os dias de fermentação.

Haverá actualmente pouca gente que se dedique ao aproveitamento do bagaço para dele conseguir um liquído de elevado teor de álcool cujo nome se domina por aguardente. Bem precioso não só para o mata bicho do rigoroso Inverno mas também para deliciar os nossos belos bolos feitos no forno a lenha.

Com o propósito de fazer um "reset" á máquina das memórias, vamos tentar aqui reviver os momentos que outrora eram dedicados à conquista desse bem precioso - a aguardente.

O alambique é um utensílio feito em cobre, constituído por vários elementos (a pota é constituída por três peças: um recipiente de grande porte e arredondado onde se coloca o bagaço (pote), outro dominado por cabeça e um ou dois tubos que atravessam um tanque de água fria para que possa ser feita a condensação dos vapores. As junções das peças são vedadas com massa de cinza para não deixar passar o vapor.




Tomadas as peças e utensílios necessários, vamos à forma como fazer.

Feito o lume e de forma constante (usa-se lenha de carvalho, castanheiro ou torgos de urzes) colocando-se o alambique por cima, enche-se o recipiente maior com o bagaço quase até ao topo e deixava-se ferver. Durante a fervura é libertado vapor que sai por um tubo no cimo do pote, passa pela cabeça e saia já na forma líquida para um garrafão ou garrafa.

À medida que a aguardente era feita (com o mesmo bagaço), vai ficando mais fraca. Torna-se necessário a prova para sabermos se ainda apresenta um elevado teor de álcool. Quando este apresenta um teor de menor grau, retira-se esse bagaço e coloca-se outro para recomeçar a destilação.






Trata-se de um processo demorado que carece de muita paciência porque a aguardente sai pelo tubo em pequenas quantidades. Para criar "fio" e dar sabor, é normalmente utilizada uma folha verde de laranjeira.


xxcucoxx

8 de setembro de 2011

Preços portagens A23: 0,08 eur / Km

Olá a todos,

Parece que já se encontra definido o preço / Km percorrido na A23 que deverá rondar os oito cêntimos por Km.

Façamos contas: Ora se da saída de Lisboa, mais propriamente das portagens de Alverca (A1) até ás portagens de Torres Novas (entrada na A23), nos dias de hoje, já pagamos 5,65 eur, some-se mais cerca de 145 Km de A23, que custará a módica quantia de 11,60 eur (para uma viatura tarifada a classe 1).

Fazendo as contas no seu total (A1 mais A23), lá se vão cerca de 17 eur só em portagens para uma viagem de Lisboa com destino a Louriçal do Campo. Se a intenção foi de ir e voltar, passa ao dobro, ou seja, 34 eur só em portagens.

Como os preços do combustível estão pela hora da morte, a 1,37 eur / litro de gasóleo (valor médio a 08-09-2011), e se um automóvel fizer médias de 6,5 litros / 100 Km, ( por baixo), irá gastar, na viagem de ida e volta, um valor aproximado de 42 eur. E não se esqueçam que para isto, é necessário que o automóvel fique parado á porta de casa até ao dia de fazer a viagem de volta.

Meus amigos, reparem bem, 44,7% do gasto total é em portagens. Coisa que não cabe na cabeça da pessoa mais inteligente à face da terra. Já nem equaciono a questão das motos que, com apenas duas rodas, continuam a ser tarifadas como um automóvel de de quatro rodas (Classe 1). É uma aberração!!! 

Conclui-se assim que, se todos os meses do ano, e se pela autoestrada A1 e A23 foi feita uma unica viagem de Lisboa a Louriçal do Campo e viceversa, a brincadeira ficará entre os 900 eur e 1.000 eur. Valará a pena estar aqui a encher o c* a gulosos?? 

Não temos volta. Quase que somos obrigados, de novo, à frequência assídua na EN10 que ainda nos vai permitindo fazer um xixi pelo caminho, quando e no local que quisermos. Ok, são 4 horas de quase meia de viagem, mas deixo de perder 34 eur em portagens e mais algum em combustível porque aqui as velocidades são mais controladas.

Para quem já o tempo levou em memória, fica aqui o trajecto que teremos que retomar, isto se não formos abonados naquilo que já não existe, o EURO.



Mais uma facada ao Interior deste nosso país. 

Trata-se de uma vergonha nacional. Será que terei orgulho em ser português (p pequeno)?

xxcucoxx

5 de setembro de 2011

ARFAL 2011 - 13º Convívio concretizado



É a música a razão destes 13 anos de convívio que reúne os ex-executantes e amigos da Banda Filarmónica de Louriçal do Campo. Muitas histórias de vida como ex-executantes são contadas neste dia que avivam as peripécias passadas que em tempos de outrora fazeram furor.


Entre muitas, lembro-me de algumas que por lá foram contadas pelas bocas do amigo João e do Chico Domingues. Estes senhores são de grande reportório de histórias que, a meu ver, merecem ser escritas e enquadradas no tempo. O Mesquita, aquele condutor de autocarro que nos fazia chegar ás festas contratadas, tantas torturas passou com a malta.

Sempre debaixo das suas barbas, muitos foram os foguetes que esse autocarro transportou para que fossem lançados ao ar aquando do regresso da Banda a Louriçal do Campo.

E aquele castelo que ali para os lados de Pinhel, que não chegou a rebentar?? Lembram-se?? Claro está, lá estava o Chico metido ao barulho, pois foi ele que, na altura, as bombas de maior porte e as trouxe para Louriçal do Campo.


Se no ano passado já foram muitos, felizmente, este ano ainda foram muitos mais os que participaram. Por isso, uma nota positiva a este tipo de iniciativa que merece desde já, as maiores felicitações.


Não esquecendo a Banda Filarmónica que, a quem agradecemos muito, mas sobretudo ao nosso Mestre Sr Joaquim Cabral que a nós, tudo nos deu em termos musicais. O nosso Bem-Haja.


Fazemos votos para que o próximo convívio, o Sr Joaquim Cabral esteja presente entre nós, uma vez que este ano não foi de todo possível.
O convite fica extenso aos ex-executantes e amigos do sexo feminino que, até agora, não têm feito presença.


Para que os tempos não se esqueçam, ficam aqui e desde já alguns registos do convívio deste ano de 2011.


























 
Bem-Haja aos que permitiram para que as raizes não caíam por terra.

xxcucoxx

4 de setembro de 2011

Para já, portagens adiadas para Outubro ou Novembro de 2011

Diz a edição de 31 de Agosto de 2011, do Jornal do Fundão que:

"Portagens adiadas


Partido que defendeu a sua introdução não sabe quando é que a A23 deixará de ser gratuita para os condutores

Estava prevista a entrada em funcionamento de portagens na A23 e A25 esta quarta-feira, dia 1 de Setembro, mas o certo é que a passagem de veículos continuará a ser gratuita por mais algumas semanas.

Embora o Estado já tenha chegado a acordo com as concessionárias das quatro Scut (entre as quais a concessionária da Auto-estrada da Beira Interior Scutvias) com vista à introdução de portagens, o Jornal de Negócios avançou na semana passada que falta apenas concluir a renegociação com a Nortscut, que opera no Nordeste Transmontano. “Sem acordos com as quatro concessionárias, não faz sentido avançar com portagens só nalgumas destas vias. A ideia é avançar tudo ao mesmo tempo”, explica ao JF uma fonte ligada ao processo.

Em Julho, após as eleições legislativas, o Governo anunciou que pretendia concretizar a introdução de portagens nas quatro Scut (auto-estradas sem custos para o utilizador) durante o Verão, mas continua a não dar indicações concretas à Estradas de Portugal (EP) sobre a concretização da medida.

Na A23 a renegociação que sustenta a disponibilidade da via por parte da concessionária para a colocação de portagens, está concluída. Na auto-estrada que liga a zona de Torres Novas a Abrantes estão desde Junho colocados todos os pórticos que farão a cobrança de portagens. Esta mesma cobrança, que será operada por uma empresa criada para o efeito, a Portvia, respeitará as condições exigidas pelo Governo que definirá num diploma o valor de portagem, modelo de isenções, entre outros aspectos. Esta matéria será depois discutida na Assembleia da República, votada pelos partidos e enviada para promulgação ao Presidente da República. Em caso de promulgação por Belém, o decreto-lei será publicado em Diário da República. Nesse momento, passarão a estar reunidas as condições para a aplicação de portagens. “Não haverá portagens, com toda a certeza, antes do final de Outubro ou início de Novembro”, completa a nossa fonte, que apenas tem uma certeza: “As portagens chegarão este ano”.

Enquanto o Governo e PSD nada dizem sobre esta matéria (foram questionados pelo Jornal do Fundão, mas não responderam), a Comissão de Utentes Contra as Portagens na A25, A23 e A24 está no terreno. Esta quarta-feira foi recebida em audição pela Comissão Parlamentar de Economia e Obras Públicas. A audição aconteceu depois de, a 22 de Março, a Comissão ter entregado na Assembleia da República uma petição com 35.702 assinaturas."


Aguardemos por outras mais sobre possíveis adiamentos porque até agora, não passa de uma grande palhaçada por quem manda....

xxcucoxx

30 de agosto de 2011

Rescaldo dos festejos de S. Fiel 2011

Hoje em dia, dizer que vamos à festa de S. Fiel, é um acto banal de ano para ano. Contudo, esquecemo-nos que por trás de tudo isto, existe uma história que marca os anos passados até aos de hoje. Então assim sendo, e se me permitem, vamos a um pouco de história.

Contam os mais velhos que, desde que se lembram, e até cerca dos anos de 1930 (?), as festas de S.Fiel e Sto António eram realizadas no adro da igreja. Lá vão os anos de 1940, que por consideração ao Dr José Ramos Preto, as mesmas começaram a ser realizadas nas imediações da sua casa, mais propriamente à frente da Capela Sra da Conceição (aqui o coreto das festas) mas também na praça da aldeia (logo ali perto).

Só mais tarde e porque as condições de realização obedeciam a um novo espaço de convív io mais alargado, os festejos passaram a ser realizados no largo da junto da Casa da Música (o mais conhecido como "nos Cabeços"). Um espaço novo e novas condições de armezanamento e outros. Aqui, deveriam estar a decorrer os anos 1960 (?).

Mais de 40 anos aqui se realizaram os festejos em honra de S. Fiel e Sto António até que, no inesperado ano de 2003, e com o surgimento de um novo espaço, agora o mais conhecido como "Expo", situado no acesso principal a Louriçal do Campo, os festejos passaram aqui a ser realizados até á presente data.

Pela conjugação espacial das suas origens, estes festejos quase que se realizam no espaço onde tudo nasceu, o que dá que pensar aos mais atentos...

Todos os anos, no 4º fim-de-semana de Agosto, muitos filhos da aldeia regressam para estarem junto dos seus e sobretudo, para reviver e relembrar momentos passados com os amigos que, por via das circunstâncias, só se revêem uma vez por ano e nesta altura. Para os que conseguem, umas férias bem merecidas, por aqui também se passam bem nestas alturas do ano.

Hoje, os festejos continuam a ter o mesmo carisma de sempre. Desde a procissão de S. Fiel, a alvora abrilhantada pela famosa Banda Filarmónica da nossa terra e alvora de foguetes (que ninguém gosta de perder), tudo e todos gostam de manter a tradição dos anos passados. A presença de todos no lugar dos Cabeços enquanto os foguetes rebentam no ar, continua a ser um dos pontos mais altos dos festejos. A meu ver, o que é bom porque, desta feita, conseguiremos transmitir aos nossos filhos, o que nós somos e fomos não esquecendo os antepassados.

Para concluir e porque também já estou com sono (já lá vão 3:18horas da matina), vou deixar aqui alguns testemunhos, alguns deles com mais de 20 anos, nomeadamente, a alvorada por parte da Banda Filarmónica de Louriçal do Campo. Os restantes, são registos deste ano.















Cumprimentos a todos,

xxcucoxx

22 de agosto de 2011

Hoje estou triste, por Louriçal do Campo

Hoje pela manhã, levantei-me bem cedo e fui dar uma volta. Desta vez, pelas imediações do Colégio de S. Fiel, o que me deixou bem triste. O abandono e desrespeito pelos feitos dos mais velhos é uma evidência bem notória para quem esteja minimamente atento.

Um dos cartões de visita à piscina de S. Fiel não passa de uma vergonha. Os excedentes das águas da piscina, no passado, sempre foram reaproveitados para dar cor de água límpida ao tanque situado nas entradas do espaço de lazer. Para quem nada entende de assuntos hídricos e para quem já viu no passado o tratamento destas águas, brevemente conclui que nada é feito para o enriquecimento deste espaço. Ora vejam.



No mesmo espaço, imaginem que queremos comer uma bela merenda. Que mesa escolher para estender a toalha?? Cada mesa, uma pior que outra em termos de conservação. Ora vejam.



Um pouco mais acima, o campo de futebol que já se encontra de "cara lavada", para que seja realizado o jogo de futebol "solteiros-casados" na segunda-feira das festas de S. Fiel. Ok, que seja limpo uma vez por ano, o que nestas alturas festivas até se entende.

O que não se compreende, é a existência de uma árvore que, por alguns anos a esta data, se encontra derrubada sem que seja, ao menos, cortada para dar lugar a uma outra, se assim for o objectivo de criar sombra. 




Para terminar, ora digam lá se por acaso nesta rotunda que, pela sua localização geográfica, dá as "Boas Vindas" aos que nos visitam, não ficaria bem um pequeno jardim de flores (daquelas que não carecem de rega frequente)? Bem sei que a árvore actualmente existente, já se encontrava neste local, aquando da construção da rotunda, mas há sempre forma de minimizar o impacto já existente (pelo menos, aos mais atentos). É meramente uma forma diferente de ver as coisas.




Não se tratam de críticas, porque como não residente, não tenho lugar a elas. Contudo, como visitante, nada mais a acrescentar..... Na minha mais simples observação sobre o que visitei, o sentimento de tristeza prevalece com alguma mágoa, porque o Povo de Louriçal do Campo, a meu ver, merece mais do que a falta de atenção que lhe está a ser dada pelas entidades competentes e que, por isso, são responsáveis pelos feitos ou desfeitos.

Entenda-se este documentário como uma forma diferente de constactar factos e uma sugestão para o que poderá, ou não, ser melhorado e conservado.

xxcucoxx