Seja bem-vindo

30 de junho de 2011

As tendências demográficas na Beira Interior - Info préliminar Censos 2011


"O Distrito de Castelo Branco perdeu 5,8 % da sua população face a 2001 (12 mil habitantes). São os dados preliminares dos Censos 2011". Assim começa a notícia publicada no Jornal "A Reconquista" - Edição 3407 de 30 de Junho de 2011.



A angústia e, sobretudo a tristeza, instala-se dentro de nós quando são lidas estas palavras. Bastaram 10 anos (digo 10 anos), para se perder quase 6% da população residente no Distrito. De facto, dá que pensar...


Tal fenómeno era inevitável mas, para ser franco, não esperava que o flagelo fosse tão acentuado.
Os elevada taxa do envelhecimento, os baixos índices da taxa de natalidade mas, sobretudo a deslocação populacional (devidos pela falta e fracas oportunidades de emprego), são apontadas como as principais causas desta desertificação que afronta a Beira Interior, mas também todo o interior do país.


Olhemos, em particular, para a realidade de Louriçal do Campo. Uma aldeia que tudo teve e agora nada tem. Onde estão o n.º de empregos que o Colégio de S. Fiel deixou para trás? Onde estão agora os Sres que tudo prometeram mas que pela pequena influência politica pelo nº de votantes, nada fizeram? As infra-estruturas tanto prometidas e a criação de postos de trabalho?? Nada...


Claro que a criação e melhoramento das vias públicas são essenciais aos desenvolvimento, mas não chega. Para que possam ser úteis e levadas como investimento, necessitam de ter o seu retorno. Faltam pessoas para que se desloquem a caminho dos seus empregos. Pois, outro grande e grave problema.......


Esta é a prova que, de uma vez por todas, as forças politicas detentoras dos poderes de decisão terão de, num futuro muito próximo, olhar para esta realidade. Caso contrário, corremos o risco de, em breve, termos aldeias fantasmas em que nem a água da rede, nem a electricidade, merecerão da sua manutenção porque não haverá ninguém para a beber nem a utilizar.


Uma outra questão que me deixa indignado. Diz o Jornal do Fundão – Edição Online de 30 de Junho de 2011 que: “O embate demográfico é violento e faz-se sentir em distintas dimensões e, salvo duas excepções, a perda é generalizada por toda a geografia da Beira. Esta é a tradução da realidade que os resultados preliminares do Censos 2011, realizado pelo Instituto Nacional de Estatística, agora traz à luz da evidência. Só os concelhos de Castelo Branco e Vila de Rei ganham população. O distrito de Castelo Branco perdeu 12 mil habitantes e o da Guarda 19 mil. Fundão já está abaixo dos 30 mil habitantes. Covilhã perde, mas mantém-se acima da barreira dos 50 mil residentes”.


Ora bem, fica aqui uma questão para reflexão: a) Mas afinal para que nos serve a aproximidade e a presença de belas vias de circulação tais como a A23? Cativa ao regresso ou ao abandono do Interior??


...É o que me vai na alma...

xxcucoxx

22 de junho de 2011

Contexto histórico do Corpo de Deus. Evento religioso.

Boa tarde,

Muitos de nós, nunca se terão questionado pela razão deste feriado. Para além de sabermos de que é feriado, este tem por origem num evento religioso (daí ser conhecido como "feriado do Corpo de Deus").


Em Louriçal do Campo, este evento religioso é comemorado pela celebração da Santa Missa seguida da Procissão percorrendo as principais ruas onde é construído um belo e enorme tapete de flores e outras ervas aromáricas.

De pais para filhos, todos os anos neste dia, são ainda celebrados a Primeira Comunhão, Profissão de Fé e o Crisma. Este último na presença do Bispo da Diocese da Guarda. 

Ultimamente e devido reduzido número de "miúdos", estas celebrações não se têm realizado com carácter anual.

Por último, este dia termina na Praça, com um belo concerto dado pela Banda Filarmónica de Louriçal do Campo onde a Comissão Fabriqueira fomenta também um pequeno leilão de ofertas cedidas pelos habitantes da povoação.



Relativamente ao contexto histórico propriamente dito, aqui vai:

"O Corpo de Deus é um evento que começou a ser celebrado há mais de sete séculos e meio, em 1246, numa cidade belga (Liege). Em 1264 o Papa Urbano IV através da bula “Transitus”, tornou o Corpo de Deus num evento universal atribuindo-lhe uma missa e ofício próprios. Em Portugal, nos finais do séc. XIII tomou a denominação de Festa do Corpo de Deus. Este evento e celebração popular é manifestada no 60º dia após a Páscoa e forçosamente numa 5ª-feira, fazendo assim a união íntima com a Última Ceia, de Quinta-feira Santa.

Em Portugal existem várias celebrações referentes ao Corpo de Deus. Na Vila de S. Pedro de Rates, este evento é celebrado há mais de 25 anos e diferencia-se dos restantes eventos pela colocação dum tapete de flores para a procissão passar. A maior parte dos tapetes estão prontos até às 13h e são constantemente regados pelas pessoas dos respectivos lugares, até à hora da procissão.

O bairrismo e a disputa pelo tapete mais bonito é uma competição de sadia rivalidade pelos habitantes da Vila que ficam muito atentos aos comentários dos turistas, mas com o espírito de equipa sempre muito presente. Cada grupo fica responsável por um pedaço de tapete, juntando no final, todas as pontas. A construção dos tapetes começa ainda antes da noite se diluir. A organização e recolha das flores (gerberas, granjas, cedro, funcho e rosas) exige um forte espírito de equipa.

Em Monção (Viana do Castelo) existe outro evento religioso neste dia, a Festa da Coca e do Corpo de Deus. Desconhece-se a origem do ritual desta festa, mas a sua tradição data do século XVI. A festa inicia-se com uma procissão solene do Corpo de Deus e depois começa o tradicional combate entre a Coca (animal em forma de madeira, que é movimentado por homens a partir do seu interior) e São Jorge, representado por um cavaleiro. A batalha termina quando o cavaleiro corta as orelhas à Coca, que simbolicamente pressagia um ano bom.

Em Penafiel, cidade com 237 anos, cujo programa das festas integra actividades com cerca de 600 anos de existência, o evento da celebração do Corpo de Deus é feita com o Cortejo do Carneirinho (que simboliza a oferenda de um carneirinho ao mestre) iniciativa Única no país, a Cavalhada (carro próprio puxado por uma parelha de cavalos que traz a Figura da Cidade, o delegado do povo, que irá apresentar cumprimentos à Câmara Municipal, tradição que remonta ao séc. XVIII) e a procissão de “Corpus Christi” (o carro triunfal, modelo do séc. XIX, em forma de concha com vários degraus no topo dos quais segue em pé a figura da cidade, guerreiro apoiado na sua lança, com escudo com as armas da cidade. Neste carro, que é puxado por uma junta de bois, vão crianças vestidas de anjo que lançam pétalas à multidão. O carro triunfal integra a parte profana da procissão).

São várias as comemorações deste dia e evento religioso, cada um delas distinta, conforme os costumes de cada cidade."

Fonte: http://eventos.aprender.pt/feriado-corpo-deus-42.html


xxcucoxx

Festejos de S. João - Memóras

"Santo António já se acabou
O São Pedro está-se acabar
São João, São João
Dá cá um balão para eu brincar”



Estamos em Junho, mês das comemorações dos Santos Populares.

Em Louriçal do Campo, a característica mais tradicional destas comemorações foram sempre as fogueiras feitas na rua pelos moradores dos respectivos bairros, na noite da véspera do dia de S. João.

O rosmaninho foi sempre a “erva aromárica” escolhida para compôr as figueiras que se ascendiam à noite onde a pequena chama depressa se desfazia num fumo de cor meio cinzenta libertando o seu aroma característico do rosmaninho.

Nos meus tempos de miúdo, os preparativos começavam no inicio da tarde do dia da grande noite com a verdadeira recolha dos melhores rosmaninhos. Nós os mais novos, já acompanhávamos os mais velhos. Munidos com enxadas, forquilhas e carros de mão (mais tarde, já com os tractores de que os tinha), lá íamos nós para a serra/campo apanhar o maior número de rosmaninhos que fosse possível. No regresso, faziamo-nos acompanhar de altas e vistosas pernadas de mimosa que iriam servir para embelezar, com longos e belos arcos, as principais ruas do bairro.

Naturalmente que, os restantes miúdos dos restantes bairros da aldeia, estariam preocupados com o mesmo.

A chegada ao nosso bairro com o monte de rosmaninhos, para nós, era uma questão de orgulho em demonstrar aos mais curiosos que, esta seria a melhor carrada de rosmaninhos de sempre.

Depois de escolhido o local para a comemoração dos festejos, que normalmente era sempre no mesmo local de todos os anos, (no caso dos Cabeços, era ali no largo da Ti Conceição e do Ti Xico Peixe), aí se descarregavam os rosmaninhos a monte. As ramadas de mimisa começavam a ser erguidas nos locais mais estratégicos afim de embelezar e limitar as áreas dos festejos.

Chegada a noite, o acender da fogueira de S. João era o momento mais alto e que todos nós ansiávamos. As noites quentes convidavam ao convivio neste espaço preparado para o efeito. As pessoas reúnem-se e a avaliam o resultado de todo este nosso trabalho.

A fogueira era fostigadamente alimentada com os rosmaninhos que cada vez mais fazia decrescer o monte deles entretanto conseguido ao longo da tarde mas ao mesmo tempo, tornava a fogueira cada vez mais alta.

Ao longo da noite, havia sempre alguém que trazia um rádio com 2 leitores de cassetes (que na altura, era algo de fantástico) o que permitia, com música alusiva aos festejos, a realização de um belo bailarico entre os presentes.

Entretanto, nós os mais novos saltávamos a fogueira chegando, por vezes, a queimar uma ou outra pestana ou até mesmo, algumas partes de cabelo.

O convívio da noite terminava quando as velhas pilhas do rádio não permitiam mais música. Entretanto a figueira também se apagava com a falta de rosmaninhos. As pessoas começavam-se a recolher e terminava assim a noite de S. João no bairro dos Cabeços.

Terminada a noite, chegava a hora de irmos ver o rescaldo dos festejos dos restantes bairros e vice-versa. As picardias entre os elementos dos vários bairros começavam aqui. A expressão “O nosso foi melhor que o vosso” era algo que não caia bem e, por vezes, havia alguém que se “pegava”.

O “dar volta ás fontes”, terminada a noite entre todos. Este feito consistia em ir beber água em todas as fontes de água limpída de Louriçal do Campo.

Era incrível o cheiro a rosmaninho que pairava nos ares de Louriçal do Campo que era queimado pelas fogueiras dos vários bairros.

Um fenómeno indiscritível e que deixa saudades !!!

xxcucoxx

14 de junho de 2011

Festejos Divino Espírito Santo 2011 - Torre



Realizou-se, no passado fim-de-semana, na Torre, os festejos em Louvor do Divino Espírito Santo. Uma festa pequena mas com muita tradição. Oportunidade única para rever e conviver com amigos de longa data. Para além das animações previstas no programa de festas, ainda compareceram outros que, com a sua boa vontade, alegraram as principais ruas da Torre. Fica o testemunho para adoçar a boca para o ano que vem.

xxcucoxx