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26 de julho de 2011

O Emigrante a "salto"


Após a Segunda Guerra Mundial, começava a erguer-se o caminho do progresso. E eis que aparece o sonho da Europa deixando de ser Lisboa o recurso para fazer face à miséria. Embora com as dificuldades linguísticas, França era o principal destino dos que se atreviam a partir “a salto”.

É nos anos 60 que começa o êxedo com maior impacto nas aldeias rurais do interior do país.

O “salto” quase que não era preparado. Podia acontecer de um dia para o outro, aliás, de uma noite para a outra já que este ocorria sempre de noite. Tinha um custo que, para a altura, já era significativo que poderia ir até aos 10.000$00 (dez contos) mas o candidato sabia do risco de não ser bem sucedido.

Era preparado o indispensável . Roupa e um pouco de comer, assim partiam à aventura pelo silêncio da noite, deixando mulher e filhos até um dia regressar. Um beijo misturado em lágrimas que o pai e marido lhes dava, era chegada a hora da partida.

Em grupos, eram introduzidos no território espanhol por um determinado local perto da fronteira. Depois de escondidos em currais de animais, eram carregados e misturados em camiões já preparados para o efeito (transporte de gado) e assim, faziam a travessia de Espanha. Estas viagens duravam dias ou até semanas, dependendo sempre das condições.

Um vez chegados próximos à fronteira de França, eram novamente descarregados juntamente com os animais num local onde aguardavam instruções dos “passadores” (nome dado aos que angariavam emigrantes clandestinos).

Dada a noite, uma nova aventura os esperava para atravessar os Pirenéus (local escolhido pelos passadores por ser o de menos acessível aos guardas fronteiriços ). A travessia de montanhas íngremes, rochosas e cheias de neve e o frio, não permitiam a possibilidade sequer de qualquer acidente que os impossibilitasse de se moverem pelos seus próprios meios, caso contrário, seriam mortos a tiro ou abandonados na montanha.

Um vez entrados em França, outra aventura os esperada. Com vontade de trabalhar, dependiam sempre da sua aceitação perante as leis de acolhimento aos emigrantes.

Havia circunstâncias que mesmo indocumentados, eram aceites desde que tivessem local certo de trabalho, noutras eram mesmo postos fora do país.

Tratado-se de mão-de-obra barata, era apetecivél pelos franceses. Uma vez chegados ao local de trabalho, tinham como primeiras dificuldades a língua e os trabalhos duros na construção civil de pontes, túneis, estradas.

Desta forma se passavam os primeiros anos de vida dura, em condições menos boas, cozinhado para si próprio e lavando a sua própria roupa.

Com o passar dos tempos, começam a melhorar as condições de vida e a ajuda moral graças aos outros tantos que por lá se encontravam nas mesmas condições e com o mesmo propósito.

Muitas outras rotas de emigração ilegal se cruzaram a caminho de França mas todas elas com o mesmo propósito – Fugir à miséria.

Muitos são os depoimentos e historias de vida dos que por lá passaram. Muitas são as famílias que “deram a volta” graças ao “salto” e, sobretudo também, a grande maioria das aldeias do interior.

Graças a esses pioneiros, Louriçal do Campo está caracterizada como sendo uma das aldeias que mais pioneiros teve nos anos 60.

xxcucoxx

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