Seja bem-vindo

22 de novembro de 2011

Os Carlos em festa' 2011





Realizou-se no passado dia 5 de Novembro, mais um convívio anual do Grupo Onomástico "Os Carlos". O local escolhido, foi uma vez mais, o salão de festas da Torre. Um espaço agradável que permitiu a união e confraternização de todos os que estiveram presentes.

Entre sopa e outros, nomeadamente grelhados, assim se fez a festa do comes e bebes. Para terminar e já no cair da noite, o magusto acompanhado da bela geropiga, como manda a tradição. A noite serviu ainda para dar um pézinho de dança com as "Carlotas" também ali presentes a toque de uma bela e bem tocada concertina e cavaquinho.







Os festejos para o próximo ano, já tem data marcada e comissão escolhida.

Este convivio é de todos e para todos os Carlos. O contributo de todos tem sido peça fundamental para a continuidade deste evento. Prova disso, este ano foi o décimo ano consecutivo de festa dos Carlos.

São Carlos

Bem Haja a todos eles pela sua presença e contrubuto.

xxcucoxx

9 de novembro de 2011

A apanha da azeitona



Em todo o concelho de Castelo Branco, sempre se cultivou muito a oliveira. Era uma das principais riquezas da região, o azeite. Louriçal do Campo, não fugiu à regra, a cultura da oliveira predominava e ainda hoje, embora muito abandonadas, se vê por todo o lado, grandes oliveiras. Em redor da povoação está a prova evidente do que afirmo, está cercada por todo o lado de boas oliveiras, agora, algumas, mal tratadas. A oliveira era considerada uma árvore sagrada. Dela se extraía o azeite que iluminava e ainda hoje ilumina, na Igreja, a lâmpada do Santíssimo. Uma lamparina que de dia e de noite ali está sempre acesa.


Hoje, corta-se uma oliveira por este ou aquele motivo mais fortuito.

 
Recordo-me de não se cortar qualquer ramo, até na apanha da azeitona, aquele que partisse algum raminho, era mau apanhador e se tivesse o azar de partir muitos, se por acaso andava a trabalhar por conta de outro, não voltava mais àquele patrão. Começava a ganhar fama de partir muitos ramos, era mau apanhador, ninguém mais o chamava. Era assim, havia fartura de mão-de-obra e falta de trabalho.

 
Hoje virou-se o filme ao contrário, ou bem ou mal não há quem as apanhe e as poucas que restam, ficam muitas vezes nas oliveiras por falta de força humana.

 
As oliveiras eram todos os anos limpas dos paus secos, rama que desse azeitonas não era cortada.

 
O chão era cavado também anualmente e iam buscar muito mato que era enterrado conjuntamente com a cavagem, para estrumar a terra. Outros deitavam-lhe bom estrume dos animais. Não deixavam crescer ervas, silvas ou mato nas oliveiras e a sua rama parecia prata.

 
Havia grandes oliveiras, ainda hoje se vêm alguns troncos de grandes árvores centenárias. A oliveira se for tratada convenientemente, dura alguns séculos. Ao contrário, também se perde com facilidade, embora os seus troncos, muito rijos, durem muitos anos.

 
Para a apanha da azeitona, no devido tempo, Novembro, Dezembro, Janeiro e até Fevereiro, era mobilizada toda a povoação. Todos os habitantes, uns mais outros menos, tinham azeite para seu gasto e alguns até vendiam para fora da terra.

 
A apanha da azeitona era feita directa, ou seja, com escadas feitas de varas de pinheiros, umas maiores outras mais pequenas, conforme o tamanho das oliveiras a apanhar.

 
Organizavam-se grandes ranchos e todos em cima das escadas a apanhar, conversavam e cantavam, por vezes ao desafio. Era bonito !...

 
Como os dias de inverno são mais pequenos, de madrugada, ou muitas vezes de véspera, à noite ao luar, iam buscar um molho de mato e manhã cedo, comiam a "dejua," (café). O almoço era comido no olival, de pé, não se podia demorar muito. Normalmente era comida de seco. À noitinha, no final do dia, carregava-se tudo. Os homens transportavam duas ou três escadas, As mulheres, traziam os sacos das azeitonas ou as cestas. As pessoas de mais idade, que já mal podiam andar em cima das escadas, apanhavam as azeitonas que caíam para o chão.

 
Chegados a casa, umas vezes antes de jantar outras depois, havia a tarefa de escolher as azeitonas que consistia em limpar as mesmas de todas as impurezas, folhas, ramos, paus, musgo etc.


As azeitonas mantinham-se nestas tulhas e assim salgadas, algum tempo, por vezes até meses. Até o lagareiro ter vez para as fazer. Quando chegava a altura de irem para o lagar e eram retiradas das tulhas, as azeitonas estavam cheias de bolor, em bolo, todo branco. Quando isso acontecia, diziam, “vão ser boas, vão fundir muito!...”

O azeite nestas condições, saía sempre com muita acidez, no entanto, os residentes gostavam. Foram assim criados com esta situação, mas quando saíam da aldeia e nas cidades comiam azeite com menos acidez, embora não fosse tão puro, era difícil depois chegar à aldeia e voltar a comer o azeite de lá , embora se soubesse que não tinha qualquer outra mistura.

 
Hoje, as azeitonas já não vão para as tulhas e não levam qualquer quantidade de sal. É apanhar e levar para o lagar e consegue-se bom azeite e com reduzida acidez.

Os lagares antigos acabaram. Agora são utilizados lagares modernos, com boas prensas eléctricas, com maior rapidez, embora tenhamos que nos deslocar a alguns quilómetros de distância.

 
A nossa terra que teve um dos bons lagares, que neste momento, está reduzida a zero, e a continuar assim , qualquer dia ninguém apanha azeitona. Os novos ausentaram-se e os poucos velhos que ainda existem, não são capazes de fazer estes serviços.

 
Hoje, a maior parte dos olivais estão abandonados e a azeitona não é apanhada.

O futuro não se apresenta nada risonho para a nossa região. As culturas tradicionais irão acabando. O abandono é já quase total pelo que não sei como terminará esta viagem!...


xxcucoxx

2 de novembro de 2011

A chegada da Romã. É Outono !!


A romã tem história. Para os iranianos, Eva foi traída não por uma maçã mas sim por uma romã. Um pouco mais a norte, o seu número excessivo de sementes e cor fazem com que os gregos ainda hoje mantenham a tradição de abrir uma romã nos casamentos para atrair a fertilidade.

A romã tem beleza. É uma preciosidade da natureza a envolvência de numerosas sementes carnudas de cor vermelha numa casca com epílogo em forma de coroa.

A romã tem saúde. É muito provavelmente o fruto com maior potencial “medicinal” comprovado. Neste contexto, o seu elevado teor em polifenóis impede o “mau” colesterol (LDL) de ser oxidado, sendo que é esta oxidação a responsável pela formação das placas ateroscleróticas que podem causar trombos indesejáveis. Esta capacidade de “limpeza” dos vasos sanguíneos demonstrou igualmente efeitos na melhoria da quantidade de oxigénio captada pelo músculo cardíaco de pacientes com doença coronária e também um potencial benefício no combate à disfunção eréctil.

A sua tremenda capacidade antioxidante (quase 3 vezes superior à do vinho tinto e chá verde) tem revelado resultados promissores quer na prevenção de alguns cancros (próstata e mama) quer na diminuição da inflamação característica da artrite e consequente atenuação da sua sintomatologia.

Foi relatado em alguns estudos uma interacção entre a romã (mais propriamente o sumo de romã) e alguns anticoagulantes. Apesar de muito remota e da escassa evidência desta associação, o mais recomendável é consultar o seu médico se estiver a tomar este tipo de medicação, antes de ingerir este precioso fruto.

As características nutricionais da romã são concordantes com o seu potencial terapêutico, dado que para além da sua riqueza em vitaminas e minerais e baixo valor calórico, algo que é inerente à grande maioria dos frutos, a romã exibe uma quantidade assinalável de fibra que a distingue dos seus similares.

Deste modo, aproveite esta dádiva da natureza nestes meses e entre no Outono da melhor forma!

xxcucoxx