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3 de dezembro de 2011

Percorrer a A23 vai custar 19,30 eur. Um luxo.



Acabaram-se os adiamentos e sucessivas dúvidas quanto a preços a praticar na Autoestrada da Beira Interior. O Decreto Lei n.º 111/2011 decreta a entrada o pagamento das portagens na A23 já no próximo dia 8 de Dezembro.

A viagem vai custar nove cêntimos por quilómetro, dois cêntimos a mais do que na auto-estrada entre Lisboa e Porto (A1), onde os 271 quilómetros entre as portagens de Alverca e Grijó custam 19,95 euros.

Contudo, haverá isenção para as 10 primeiras viagens de cada mês para cidadãos e empresas locais.

Um pormenor importante é que a partir do momento em que uma viatura passa por um pórtico, o sistema informático calcula o tempo máximo que pode demorar até passar pelos seguintes para os englobar na mesma viagem, "sendo previstas paragens de meia hora por cada estação de serviço".

Os preços a cobrar nos 16 pórticos da A23 para a classe 1 são os seguintes (os valores para as classes 2, 3 e 4 multiplicam por 1,75, por 2,25 e por 2,5, respectivamente):

A1 - Entroncamento: 1,20 euros
Entroncamento - Constância Oeste: 1,10 euros
Constância Oeste - Abrantes Oeste: 1,00 euros
Abrantes Oeste - Mouriscas: 1,10 euros
Mouriscas - Gavião: 1,30 euros
Gavião - Gardete: 1,25 euros
Gardete - Perdigão: 1,35 euros
Perdigão - Sarnadas/Retaxo: 1,50 euros
Sarnadas/Retaxo - Castelo Branco Hospital: 0,90 euros
Castelo Branco Hospital - Alcains: 1,05 euros
Alcains - Soalheira: 1,15 euros
Soalheira - Fundão Sul: 1,20 euros
Fundão Sul - Covilhã Norte: 1,50 euros
Covilhã Norte - Belmonte Norte: 1,55 euros
Belmonte Norte - Benespera: 0,80 euros
Benespera - A25/Pinhel: 1,35 euros


Vejamos um caso particular de um automobilista se faça deslocar, através da A1 e A23, com origem em Lisboa e destino a Louriçal do Campo, desde que usando unicamente estas vias de circulação, em termos de portagens (A1) e pósticos (A23), o preço rondará os 17,30 eur por cada viagem. Se esse mesmo automobilista sentir necessidade de regressar, serão mais outros 17,30 eur, (já lá vão 34,60 eur). Sumemos-lhe o custo de combustível, para as 2 viagens (sem voltinhas pelo meio), na ordem dos 60 eur (se for gasóleo). Feitas as contas, serão nada mais que nada menos que 94,60 eur no seu valor total.

Não esquecendo que estamos num período em que o orçamento familiar se encontra nas "lonas", é fácil concluir que uma visita ás nossas famílias e origens, hoje em dia, torna-se um comportamento e acto de luxo.

Ok, alguém diz: "Mas é quase ali e que são 2 horas e um quarto de viagem". Pois, mas custa quase 100 eur (vinte contos da moeda antiga). Um roubo!!! Sem medos de dizer: Um Roubo.....

Não querendo fazer referências ás alternativas de locomoção (que iremos guardar para outra oportunidade futura), não é aceitável, de todo, este gasto total para se percorrer 250 km.

Sou e sempre fui defensor do "utilizador, pagador" mas, é um roubo que se quer praticar nestas "coisas" de luxo que nos levam ao Interior de Portugal.

As facadas ao Interior têm sido de considerar. Esta mais uma que, de certa forma, o deitará a baixo.

Num outro dia, em conversa com um também oriundo das nossas origens (Interior), me dizia: "A A23 foi "de graça" para nos trazer de lá, agora teremos que a pagar para voltar. Não volto".

Dá que pensar....

xxcucoxx

2 comentários:

Anónimo disse...

Estive a fazer umas contas e uma viagem pela A1/A23 ou pela nacional, dá quase uma diferença de 30€. Valor que é significativo no orçamento familiar. Ou seja duas viagens pela nacional ficam quase ao preço de uma pela AE.
Quanto à ultima frase realmente dá que pensar...
Abraço

Telmo disse...

Dá verdadeiramente que pensar.

Para além de afectar o bolso de todos aqueles que, já espaçadamente, se fazem rumar ao interior do país que os viu nascer, é também um problema que vem afectar a população que se esforça em ficar por estes lados pois vem permitir o distanciamento com o interior do país pois trará (espero estar enganado) um relevante decréscimo no próprio desenvolvimento desta região.

Atrevo-me a dizer que nos querem colocar de parte mas quando toca a votar todos cá vêm passear e todos se lembram daqueles confins a quem chama interior!

E tenho dito!