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14 de dezembro de 2011

Um Natal genuíno é na Aldeia

Madeiro 2011


O Natal está prestes. Sem dúvida, uma das quadras festivas mais importantes do ano e que a muitos de nós, mais nos diz. Não pelo termo associado aos centros comerciais que nos habituaram ao consumismo irresponsável mas sim pelo facto de comunhão e paz entre os nossos mais queridos que são a família.

Aqui, o sentimento de Natal é algo de genuíno que se demonstra em cada gesto. É impossível descrevê-lo, só mesmo vivendo-o.

Os ventos frios sopram sobre a Gardunha e, pelos seus penedos, chegam à aldeia. As largas paredes de granito que compõem as casas, são o único refúgio. A lareira acesa, acolhe os que vão chegando. O crepitar das labaredas de lume é algo que nos comove pois, são gestos da nossa infância e que já mais esqueceremos.

Sem grandes luxos e tudo muito simples, a família começa a juntar-se ao borralho da lareira enquanto aquela velha e preta panela, ao lume, começa a ferver o que nos servirá de jantar. Batatas e estalos de couve colhidos ainda agora da horta, será a nossa refeição da consoada. O bacalhau também coze num outro recipiente.

A harmonia instala-se na família. É a noite de Natal. Tudo é calmo, tempo pára, o dia anda devagar, a tarde não chega, a noite é longa.

Cá fora, as chaminés fumegam todas elas para o lado em que o vento sopra. É Natal….

Estamos então na consoada (24 de Dezembro) e o jantar está pronto. Vamos então jantar em família. Bacalhau cozido com batatas e couve e para sobremesa, temos rabanadas e filhoses (feitas dias antes) e por fim, bolo-rei ou rainha.

Após o jantar e já com loiças e cozinha arrumadas, vamos então em conjunto, até ao adro da igreja. Aqui esperamos o madeiro. Um enorme conjunto e paus, entenda-se troncos de árvore de grande porte, que ali foram colocados pelos “rapazes do ano”. O propósito é aquecer os que por ali se reúnem a caminho da Missa do Galo. Um “vira de um lado e vira do outro”, lá nos vamos aquecendo até chegar a hora da Missa.

Aqui, e já neste ambiente, sente-se a paz e harmonia entre os presentes. Neste compasso, as conversas são as mais variadas.

Entretanto o sino da igreja dá as 12 badaladas, hora da Missa do Galo. Um feito que ninguém gosta de perder, desde ao mais velho, ao mais novo.

A Missa é celebrada com tudo o seu rigor e respeito. No seu final, é dado o Menino a beijar. Ao cantar do "Ó meu Menino Jesus", forma-se entretanto, uma fila no sentido ao altar-mor onde nos espera o Sr Padre com a imagem do Menino Jesus a dar a beijar aos que o assim pretendam fazer. Um acto único e de serenidade quando se conjuga a meia-noite numa noite da Natal. O presépio está ali ao lado.

Terminada a Missa, espera-nos lá fora o madeiro que nos servirá de pré-aquecimento até chegarmos a casa. Por ali, uma multidão de gente se junta e mantém pois afinal é a noite em que nasceu o Menino e por isso é dia de festividade.

Nos últimos anos, têm sido organizados festejos a fim de manter a malta até horas mais tardias mas, tem-se notado que o madeiro continua a ser o centro das atenções e é ali que, até altas horas da noite, se juntam concertinas, cavaquinhos e guitarras e ali fazem a grande parte da festa entre os populares.

Aqui, as prendas materiais não contam e a falta delas não é sentida. A grande a maior prenda que se podemos dar, é nossa presença junto dos presentes (familiares e amigos).

Votos de Boas Festas.
 
xxcucoxx

3 comentários:

Telmo disse...

E que venham mais consoadas e mais natais por esses anos próximos e que nos voltemos a ver, todos, a "vira de um lado e vira do outro" à porta da igreja.

Boas Festas.

Anónimo disse...

O Madeiro é um atradição que advem dos nossos antepassados e como todos os anos, esse "vida de um lado e vira do outro", também é algo de extraordiário. Quando estamos quentes de um dos lados, virámo-nos para aquecer a outra nossa parte.....

Abraço

Carlos Domingues

Jelicopedres disse...

Muito bem, Louriçal do Campo... vou voltar, talvez depois do Natal.
Boas Festas*

Teresinha Amoroso