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24 de dezembro de 2012

Boas Festas (2)



 
Nesta noite, a tradição levaria-nos à Missa do Galo. Este ano, não há essa Missa. Será realizada amanhã, dia 25 de Dezembro, pelas 15 horas a Missa de Natal. Uma oportunidade única para beijar e cantar ao nascer do menino Jesus,
 
Votos de Boas Festas a todos os amigos deste espaço.
 
xxcucoxx

21 de dezembro de 2012

Boas Festas


Simplesmente:

A todos os seguidores, visitantes e amigos deste blog, os meus mais sinceros votos de Boas Festas, um Santo e Feliz Natal !

xxcucoxx

12 de dezembro de 2012

O Madeiro. Uma tradição ....


Madeiro do Ano de 2012


Não há terra nas Beiras que se prese, que na noite da consoada não se acenda o Madeiro. Louriçal do Campo não é excepção e o adro da Igreja Matriz é palco, em todos os anos, desta tão afincada tradição natalícia.

O Madeiro é uma enorme fogueira que os rapazes da terra “constroem” no adro da Igreja. Tão grande que, apesar do frio da noite, mantém-se aceso pelos dias que se seguem. Diz a tradição que esta fogueira é para aquecer o Menino Jesus e os que vão à Missa do Galo e, por esta razão, se acende na noite de Natal.
 
Madeiro do Ano de 2012
 
 
É ateado por volta das 20 horas, antes da ceia de Natal. Assim, por entre brindes e abraços, trocam-se os tradicionais votos de Boas Festas.
Há mesmo quem diga “Natal sem Madeiro, não é Natal”. E, por isso, antes da ceia e pela noite dentro, poucos são os que resistem a uma passagem pelo Madeiro de Natal.
“Dizem” os livros que, em Louriçal do Campo, o Madeiro deveria ser roubado. Para que não se soubesse quem o roubou, as vacas que puxavam o carro deveriam ser cobertas por mantas e os homens encapuçados. Ao atravessar a povoação, os homens já munidos de pedras, atiravam-nas aos mais curiosos que espreitassem às janelas.
Em tom de conversa, um ilustre e respeitado conterrâneo de 63 anos de idade, relatou como foi no seu ano de mocidade, a recolha do Madeiro.
                “Foi duro!! Não éramos mais que 8 rapazotes com idades compreendidas entre os 18 e 19 anos. Falámos de véspera com o Sr. António Gil da Marrada, para que nos emprestasse o seu carro de vacas e, nesse mesmo dia, fomos também pedir autorização ao proprietário dos carvalhos, eucaliptos e pinheiros a cortar na noite a combinar. Estes eram identificados e marcados no local pelo seu proprietário.
                Já com as referidas autorizações e à meia-noite do dia combinado, pegámos no carro de vacas e fomos em direcção à Tapada Nova. Um lugar que, na altura, era da pertença das “Senhoras do Dr. Ramos Preto” (entenda-se, propriedade da família Dr. Ramos Preto). E, lá fomos nós!
Chegados ao local, preparámos as duas serras que tínhamos. Eram lâminas de dois metros de comprimento e vinte centímetros de altura.
As horas batiam na torre da Igreja, mas nunca a nosso favor! Não havia tempo a perder...
Munidos de vinho, toucinho e azeitonas, quando nos dava a fome, era o que comíamos.
Estava uma noite fria, mas nós tínhamos que fazer, pelo menos, o mesmo que os do ano passado para não ficarmos em mal. Por isso, carregámos mais uns troncos e fizemo-nos à estrada. O carro de vacas não podia trazer mais. A noite escura levava-nos em direcção ao cruzamento do Colégio de S. Fiel e, depois, era sempre a descer. Dois de nós tomavam a rédea do carro ocupando, assim, o lugar das vacas, e os restantes empurravam. Chegados a esse cruzamento, a descida para a aldeia tornou-se complicada, mas valeram-nos os travões do carro de vacas.
Já no adro da Igreja, começávamos a “amontoar” os troncos que, então, tínhamos conseguido. O cansaço era notável, mas vá lá que não houve nenhum azar!
Hoje, os tempos são outros. A malta não tem jeito para estas coisas. Por isso, o Madeiro é cortado durante o dia, carregado por tractores e, até mesmo, composto no local por máquinas de grande porte. Vejam só!!!”.
Os tempos passam e as tradições vão sendo ajustadas aos tempos modernos.
Contudo, continua a ser, sem dúvida, um dos mais belos momentos da noite de Natal nas nossas aldeias.
Por este ano, e tal como manda a tradição, o Madeiro já se encontra no local habitual. Foi colocado pelos mais novos no dia 8 de Dezembro.
Desta forma, cabe-nos contribuir com a presença, confraternizando, entre amigos e familiares que, só nestes locais mágicos, se conseguem viver.
xxcucoxx

30 de novembro de 2012

"A salto" nos anos 60. Por um conterrâneo.



O regresso a Hendaia 50 anos depois é regressar ao salto para fugir à ditadura, à repressão e à miséria. É retrilhar, com os mesmos pés, o caminho da emigração para França, e voltar à fronteira onde todas as coisas começavam.

As palavras são todas deles, dos dois homens que caminham, lado a lado, pela areia, a recordar a fuga, o salto e o medo. A caminhar em frente, 50 anos para trás, e a dizer, com todos os quilómetros ainda na memória, que, ao fundo, a cordilheira separava a ditadura da liberdade.

Abílio Laceiras, de 69 anos, e Manuel Dias Vaz, de 66, saíram - um do Fundão, outro de Louriçal do Campo, no distrito de Castelo Branco - clandestinos, a salto, do mesmo Portugal, o que Manuel descreve: o Portugal da ditadura, da repressão, da miséria e da guerra colonial.

“Eu cheguei a França em outubro de 1963. Cheguei a Hendaia [depois de ter andado] 23 dias a pé, porque o percurso da emigração clandestina era terrível. Era dramático, era uma epopeia”, recorda Manuel Dias Vaz, que é hoje presidente do comité nacional francês de homenagem a Aristides Sousa Mendes e da Rede da Aquitânia para a História e Memória da Imigração.

Abílio Laceiras, correspondente do Jornal do Fundão em Paris, e que conta décadas de militância associativa e sindical em França, chegou a Hendaia no final de 1968, “em plena revolução de maio”. Atravessou Espanha com onze homens e com a sua mulher, grávida.

Esperaram horas na fronteira, retidos, porque não traziam passadores. “Horas depois, de noite, com frio, eu dirigi-me aos carabineiros e disse: ’das duas uma: ou o senhor nos prende, ou nos deixa seguir. A minha mulher não pode continuar assim’”, recorda.

E seguiram, com “pão e três latas de sardinha”. Aqui, diz Abílio Laceiras, onde começava a liberdade, haviam de começar todas as coisas, as boas e as más. Depois desta linha havia de pagar “muito dinheiro” para que outro português lhe encontrasse trabalho. Havia até de pagar o aluguer dos pratos e dos talheres que usou.

Manuel Dias Vaz recorda o medo: “A memória que eu tenho da estação [de comboios] é o medo. O medo, porque nós não tínhamos a capacidade de compreender que tínhamos chegado a um país democrático e livre. Porque a liberdade e a democracia não faziam parte do nosso registo quotidiano, faziam parte do nosso combate”.

Os dois homens regressam a Hendaia – por onde se estima que tenham passado, entre 1957 e 1974, mais de um milhão de portugueses em direção à Europa, sobretudo a França – com emoção. Regressam solenes, quase peregrinos.

Esta é, explica Manuel Dias Vaz, uma cidade simbólica, por várias imagens: “a estação de caminho-de-ferro, pela qual transitaram os portugueses que vieram para a Europa; a fronteira dos Pirenéus; a ponte de Hendaia, que é o começo da Nacional 10, a que muitos chamaram o cemitério dos portugueses; e o mar, porque, nos anos de 1920, e mesmo nos anos de 1960, alguns portugueses vieram para França de barco”.

“Para mim, voltar a Hendaia hoje é uma peregrinação. É olhar para o passado para compreender o presente: milhares de portugueses são [de novo] condenados a emigrar e a história repete-se”, acrescenta.

Para Abílio Laceiras, regressar aqui é revisitar as perguntas de depois do salto, as que se faziam deste lado da fronteira, pela primeira vez: “Para onde é que a gente vai? Qual vai ser o nosso rumo? Qual vai ser o nosso futuro?”. É lembrar-se de que “o futuro de [muitos portugueses] e de muitos lusodescendentes se decidiu nesta terra”.

25 de novembro de 2012

Da azeitona ao azeite




Em todo o concelho de Castelo Branco, sempre se cultivou muito a oliveira. Foi sempreuma das principais riquezas da região, o azeite.

Louriçal do Campo, não fugiu à regra, a cultura da oliveira predomina, ainda hoje, embora muito abandonadas, se vê grandes oliveiras.
A oliveira sempre foi considerada uma árvore sagrada. Dela se extrai o azeite que ilumina na Igreja, a lâmpada do Santíssimo. Uma lamparina que de dia e de noite, ali está sempre presente.

Dos meus tempos de infância, permitam-me recordar que, não se deveria cortar qualquer ramo que fosse, até mesmo na época da apanha da azeitona. Aquele que partisse algum ramo, era mau apanhador e se tivesse o azar de partir muitos deles, não voltava mais àquele patrão. Começava a ganhar fama de partir muitos ramos, era mau apanhador, ninguém mais o chamava.

A oliveira desde que tratada convenientemente, dura séculos. Louriçal do Campo ainda se pode dar ao luxo de apresentar alguns desses exemplares.

Hoje, tudo mudou. Já não há quem apanhe a azeitona mesmo as poucas que restam. Ficam muitas vezes nas oliveiras por falta de força humana. Como se costuma dizer, "fica para os tordos".

Embora, talvez pelo momento de crise que vivemos, muitos dos jovens e filhos da Aldeia, já se preocupem em tirar uns dias de férias para ajudar apanhar a azeitona dos olivais que é da pertença dos seus pais.

Por esta altura, (meses de Novembro, Dezembro e até Janeiro), toda a povoação se mobiliza para a apanha da azeitona para que possam ter azeite para o próximo ano.
Em Louriçal do Campo, a apanha da azeitona ainda é feita de forma muito tradicional. As escadas feitas de varas de pinheiros, (umas maiores outras mais pequenas, conforme o tamanho das oliveiras) são encostadas à árvore para que desta forma, seja possível a apanhada a azeitona.



São ainda colocados longos e largos panais em redor da árvore para que seja proveitoso o ajuntamento da azeitona.

Chegados a casa, umas vezes antes de jantar outras depois, há que escolher a azeitona de todas as suas impurezas (folhas, ramos, paus, musgo etc).

Hoje, as azeitonas já não vão para as tulhas como dantes e já não levam quaisquer quantidades de
sal para a sua conserva. É apanhar, limpar e levar de imediato para o lagar mais próximo e, consegue-se logo de imediato um bom azeite e de reduzida acidez.

Os lagares antigos acabaram. Agora são utilizados lagares modernos, com boas prensas eléctricas.

Na nossa Aldeia existiu um dos melhores lagares da região – O Lagar dos Custódios. Há muitos anos que se encontra desactivo.

Há outras técnicas de apanhar azeitona, mas para a nossa região não tem dado resultados, não é adequada. Os terrenos são muito acidentados e as oliveiras de grande porte, pelo que não foram preparadas para se adaptarem a essas técnicas modernas.

xxcucoxx

9 de novembro de 2012

A imagem da Sagrada Família

Nas outras aldeias não sei como seja mas, relativamente a Louriçal do Campo e sobre este tema, sinto-me com um à-vontade suficiente para poder transmitir os meus conhecimentos nesta área de interesse. Certamente que haverá outras tantas personalidades residentes que, melhor que eu, o poderão fazer mas, atendendo à distância, de momento, não podemos recorrer a estas para aqui dar mais alguma ênfase ao tema.


O oratório da Sagrada Família


Neste âmbito e por uma questão de logística e organização geográfica, Louriçal do Campo está caracterizado por bairros (zonas devidamente definidas) que, cada uma delas tem a "circular" uma imagem da Sagrada Família.

Cada família, desde que associada e pertencente a estes bairros, recebe na sua casa uma vez por mês, o oratório da Sagrada Família que, perante do mesmo, deverão ser feitas as orações familiares.

Esta recepção é feita, normalmente, ao cair da noite pelo vizinho que antecede esta casa. Os associados estão inscritos na parte traseira do oratório e por isso, torna-se fácil a ordem de entrega ao vizinho que se segue.

Recebido o oratório, este permanece no lar 24 horas, onde uma vela ou um candeeiro de azeite o deverá iluminar. As rezas familiares deverão ser feitas enquanto aí permanece.

Por vezes, há esmolas a oferendar. Para isso, no oratório existe uma pequena ranhura onde poderão ser depositadas.

Passadas 24 horas, está na hora de entregar o oratório da Sagrada Família ao vizinho que se segue e inscrito como associado.

Chegado o fim dessa listagem, retoma-se de novo a entrega ao primeiro associado.

Estas imagens são réplicas de outras bem mais antigas que, caindo em desuso, se esqueceram no tempo e que, hoje, ninguém sabe onde estão. Presumívelmente e certamente em algumas casas na aldeia que todos nós, com o passar dos tempos, lhes perdeu o rumo.
xxcucoxx

31 de outubro de 2012

O Santóro no Dia de todos os Santos



No Dia de todos os Santos, cumpre-se também a tradição do "Santóro". Embora, para muitos, pouco diz ou nada.

Em tempos passados, na tarde desse mesmo dia, as crianças reuniam-se e corriam as ruas da sua Aldeia batendo de porta em porta, (destacando-se as casas mais abastadas), para que lhes fosse dado o Santóro.

Recolhiam rebuçados, dinheiro, passas de figo e nozes. No final do dia, regressavam a casa, felizes e contentes com o que tinham conseguido recolher.

Penso que Louriçal do Campo nunca teve esta tradição de forma tão demarcada tal como ela é descrita. Na nossa Aldeia, era costume os afilhados deslocar-se à casa dos seus Padrinhos de baptizado pedir o Santóro. Foi sempre assim que eu fiz junto dos meus enquanto vivos.

Levantava-me bem cedo e lá ia eu: “Bom dia Padrinhos, venho pedir-lhes o Santóro”. É certo que eles já me esperavam. Sempre me deram uma nota das mais “gordas”.

Desta feita, o Dia de todos os Santos terminava em comunhão da família à volta da lareira, saboreando umas belas castanhas assadas, acompanhadas de um copito de jeropiga.

É provável que para outros tantos, o Santóro tenha sido e seja ainda vivido de forma diferente mas, comigo, foi assim.

Para os que ainda tenham Padrinhos, façam o favor de contribuir para  que a tradição se mantenha, por isso, peçam-lhes o Santóro. 
xxcucoxx

23 de outubro de 2012

Os Carlos em festa

Se és de nome Carlos então, estás desde já convidado na companhia dos teus mais "chegados", para este evento anual a realizar-se já no próximo dia 4 de Novembro do presente, no frequesia da Torre.

Como diz o povo, "A união faz a força". Por isso, contamos com a tua presença por mais um ano.

Para mais detalhes, consultem por favor, o programa de festas que se segue.



xxcucoxx

15 de outubro de 2012

O Taxi do Sr Manuel Luis







O Sr Manuel Luis, era um homem elegante, alto, espadaúdo e de muito respeito em Louriçal do Campo.

Estavamos nos finais dos anos 70 e decorrentes anos 80 quando, um magistroso Peugeot 404 era de taxi em Louriçal do Campo e conduzido pelo Sr. Manuel Luis. Este veículo tinha sido matriculado nos finais dos anos 60. Para sua identificação sendo viatura de serviço, era revestida de duas cores. Preto e verde como qualquer um da sua idade. Aliás, ainda se vêem muitos por aí.

Tratava-se de um veiculo de bancos corridos, tanto à frente como atrás. As mudanças eram colocadas ao volante. Volante esse que tinha uma semi argola que era  ali eraa buzina. O tanque de combustivel era atestado por trás da viatura. Alavancáva-se a matricula traseira e ali se encontrava a entrada do depósito.

Apanhei ainda alguma boleias nesse magnifico Peugeot a caminho da Oles quando visitava o meu avô. A simpatia deste Senhor dáva-se ao lixo de dar boleias a qualquer um mesmo sendo de serviço de taxi.
Eu era miúdo. Embora me lembre desse fabuloso e magistrado veículo, não tenho histórias para aqui deixar.


Deixaria essa oportunidade aos mais velhos pois acredito que aquele taxi, muitas histórias terá deixado por contar. Aos mais astutos, fotografias também serão bem-vindas para publicação.

Conto convosco....

Fotos: Pela inexistênia das mesmas e relativas à viatura em questão, estas foram retiradas da Internet.

xxcucoxx

4 de outubro de 2012

Matrícula dos Moradores, Ano 1779


Para bem governar o seu Reino, na segunda metade do século XVIII, através da Lei de 25 de Junho de 1760, mandada observar por Decreto de 22 de Maio de 1779, D. Maria I ordena a contagem da população.


Foram apontados o nome de cada chefe de família, o seu estado civil, o número de filhos ou outras pessoas que com ele viviam e a actividade económica ou profissional que garantia o sustento da casa.


Louriçal do Campo contava, no ano de 1779, 134 agregados familiares, num total de 503 habitantes (404 em Louriçal do Campo e 99 na Torre e Azenhas).

A média, por família, era de 3,8 pessoas, o que constitui um valor acima da média no Reino, que rondava as 3,5 pessoas por agregado familiar. A média do n.º de filhos, por agregado familiar, era de 2,1 filhos (2,3 em Louriçal do Campo e 1,5 na Torre e Azenhas).





Na altura, a taxa de mortalidade era elevada e com uma esperança de vida que pouco passava dos 40 anos. De anos em anos, morriam quase todas as crianças e por vezes também grande número de jovens e adultos devido à má alimentação, falta de higiene e poucos conhecimentos da ciência médica.

Nesse ano, o número de viúvos (as) contados era de 38, ou seja, 31 em Louriçal do Campo e 7 na Torre e Azenhas, sendo o número total de filhos de 75, isto é, 61 e 14, respectivamente.





Eis a composição da contagem efectuada.


LOURIÇAL DO CAMPO 


N.º / Nome do cabeça do agregado familiar / Estado civil / Filhos Profissão_Rendimento

1. Manoel Pestana - Casado - 1 - Trabalhador

2. Joam Martins - Casado - 2 - Trabalhador

3. Joze Pires Clemente - Casado - 4 - Sapateiro

4. Thomas da Cruz - Casado - 2 - Alfaiate

5. Manoel Ruque Engarnal - Casado - 2 - Seareiro

6. Maria Relva - Viúva - 1 - Trabalho

7. Catherina Leitoa - Viúva - 3 - Trabalho

8. Bras Pires - Casado - 1 - Seareiro

9. Eustaquio Antunes - Casado - 4 - Trabalhador

10. Joam da Costa - Casado - 2 - Carpinteiro

11. Maria Serra - Viúva - 2 - Trabalho

12. Maria Antunes - Viúva - 1 - Forneira

13. Theodora Marques - Viúva - 4 - Trabalho

14. Joze Gonçalves Lemos - Casado - 3 - Trabalhador

15. Manoel Pires da Nita - Casado - - - Seareiro

16. Theodozio Duarte - Casado - - - Jornaleiro

17. Antonio Poças - Solteiro - - - Jornaleiro

18. Luís Martins - Casado - 4 - Trabalhador

19. Manoel Martins Gaspar - Casado - 7 - Lavoura e fazenda

20. Manoel de Figueiredo - Casado - 7 - Tecelão

21. Clara Ribeira - Viúva - 2 - Trabalho

22. Guiteria de Oliveira - Viúva - 5 - Trabalho

23. Joam dos Reis - Casado - 1 - Jornaleiro

24. Manoel Alvres - Casado - 2 - Sapateiro

25. Bento Marques - Casado - 2 - Trabalhador

26. Manoel Ramos Pretto (Capitão) - Casado - 2 - Lavrador, fazendas e gado

27. Antonia do Sacramento - Viúva - 1 - Trabalho

28. Joam Martins do Andre o mosso - Casado - - - Pastor

29. Manoel Luis - Casado - 6 - Trabalho

30. Joam Antunes Monteiro - Casado - 4 - Seareiro

31. Joze Antunes Ajudante - Casado - 3 - Trabalhador

32. Manoel Martins do Andre - Casado - 3 - Seara

33. Manoel Gonçalves da Barbara - Casado - 5 - Seareiro

34. Manuel Pires Paes - Casado - 3 - Trabalhador

35. Manoel Antunes - Casado - 7 - Sapateiro

36. Joze Domingues - Casado - 3 - Carpinteiro

37. Juanna Fernandes - Viúva - 2 - Trabalhador

38. Juam Roiz Amador - Solteiro - - - Fazendas

39. Domingos Martins Ferreiro - Casado - 2 - Ferreiro

40. Catherina Nunes - Viúva - 1 - Trabalho

41. Maria Dias Boina - Viúva - 2 - Trabalho

42. Manoel Roque - Casado - 2 - Ferreiro

43. Pedro Leitaõ - Casado - 1 - Seareiro

44. Antonio Antunes do Andre - Casado - 4 - Trabalho

45. Manoel Marques (Reverendo) - - - - - Cura do lugar

46. Maria Duarte - Viúva - 2 - Trabalho

47. Maria Fernandes - Viúva - 1 - Trabalho

48. Juam Roiz Barbeiro - Casado - 1 - Barbeiro e fazenda

49. Maria Francisca - Viúva - 4 - Fazendas

50. Maria Leitoa - Viúva - 1 - Tecedeira

51. Domingos Nunes - Casado - 4 - Seareiro

52. Joanna Martins - Viúva - 1 - Trabalho

53. Maria Leitoa - Viúva - 1 - Tecedeira

54. Manoel Martins do Andre - Casado - 4 - Pastor

55. Ignacio Fernandes - Casado - 3 - Trabalhador

56. Antonio Antunes Ajudante - Casado - 1 - Trabalhador

57. Culaudio do Andre - Casado - 5 - Seareiro

58. Guiteria Rios - Viúva - - - Trabalho

59. Juam Esteves - Casado - 4 - Alfaiate

60. Theodozio Mendes - Casado - 2 - Seara e fazenda

61. Manoel Antunes Ramalho - Casado - 2 - Seareiro

62. Izabel Francisca - Viúva - 1 - Trabalho

63. Catherina Gonçalves Gil - Viúva - 2 - Fazenda

64. Manuel Pires Duarte - Casado - 1 - Seareiro

65. Estevam Fernandes - Casado - 1 - Trabalhador

66. Domingos Pires Nepto - Casado - 2 - Trabalhador

67. Dionizio Pires Clemente - Casado - 5 - Sapateiro

68. Francisco Pires Rolam - Casado - 4 - Seareiro

69. Joam Mathias - Casado - - - Barbeiro e fazenda

70. Domingos Fernandes Seco - - - 4 - Seareiro

71. Izabel Carvalho - Viúva - 1 - Trabalho

72. Domingos Antunes Carvalho - Casado - 2 - Trabalhador

73. Felicia Barrosa - Solteira - 3 - Trabalho

74. Manoel Antunes da fonte - Casado - 4 - Seareiro

75. Maria Nunes - Viúva - - - Trabalho

76. Florencia Martins - Viúva - 2 - Trabalho

77. Joam Pedro - Casado - - - Fazenda

78. Joam Antunes da praça - Casado - 2 - Seareiro

79. Joanna Pires - Viúva - 2 - Seareira

80. Gregorio Pires - Casado - 2 - Seareiro

82. Catherina Vaz - Viúva - 1 - Fazenda

83. Izabel Ribeira - Viúva - 5 - Fazenda e trabalho

84. Antonia Maria - Viúva - 1 - Tecedeira

85. Izabel Duarte - Viúva - 2 - Tecedeira

86. Domingas Antunes - Viúva - 4 - Trabalho

87. Sibastiam Luis - Casado - 4 - Trabalhador

88. Juam Duarte Neto - Casado - 5 - Seareiro

89. Manoel Pires das Neves - - - 1 - Trabalhador

90. Madalegna Pires - Viúva - 1 - Trabalho

91. Manoel Gonçalves Bicho - Casado - 3 - Seareiro

92. Joaõ Bernardo - Casado - 2 - Pastor

93. Manoel Gonçalves das Lages - Casado - 3 - Criador de gado

94. Manoel Antunes Guterres - Casado - 1 - Seareiro

95. Francisco Fernandes Serra - Casado - 2 - Lavrador e criador de gado

96. Antonio Fernandes Amador - Casado - 4 - Fazenda e terceiro

97. Joam Antunes do Andre (cego) - - - 2 - Fazendas

98. Manuel Marques - Casado - 2 - Fazenda

99. Francisco Martins da Perpetua - Casado - 2 - Trabalho

100. Manoel Lourenço - Casado - - - Trabalhador

101. Francisco Martins de Oliveira - Casado - 1 - Pastor

102. Joaquim Duarte - Casado - - - Trabalhador

103. Anna de Oliveira - Viúva - 5 - Trabalho



TORRE E AZENHAS


N.º / Nome do cabeça do agregado familiar / Estado civil / Filhos Profissão_Rendimento

1. Martinho Gaspar o mosso - Casado - 2 - Fazenda

2. Maria Baratta - Viúva - 2 - Fazenda

3. Maria Antunes - Viúva - 1 - Trabalho

4. Martinho Gaspar o velho - Viúvo - - - Fazenda

5. Manoel Fernandes Serra - Casado - 1 - Fazenda

6. Manoel Gaspar Fatella - Viúvo - 2 - Jornaleiro

7. Joze Tavares - Casado - 1 - Cardador

8. Domingos Duarte - Casado - - - Trabalho

9. Francisco Roiz Diabinho - Casado - 2 - Alfaiate e fazenda

10. Manoel Leitaõ - Casado - 2 - Jornaleiro

11. Joaõ Seco - Casado - 1 - Trabalho

12. Manoel Gonçalves Ratto - Casado - 2 - Trabalho

13. Domingos Fernandes - Casado - 1 - Moleiro

14. Francisco Fernandes Castelhano - Casado - 1 - Moleiro

15. Joam Nogueira - Casado - 2 - Moleiro

16. Joam Francisco - Casado - 2 - Moleiro

17. Manoel Fernandes Castelhano o velho - Casado - - - Moleiro

18. Manoel da Trindade - Casado - - - Moleiro

19. Antonio Duarte - Casado - 1 - Moleiro

20. Anna Sanches - Viúva - 5 - Moleiro

21. Manoel Antunes Piqueno - - - 4 - Moleiro

22. Manoel Vaz Lopes - Casado - - - Moleiro

23. Joze Gonçalves Barroqueiro - Casado - - - Moleiro

24. Manoel Fernandes Castelhano o mosso - Casado - 3 - Moleiro

25. Manoel Domingues - Casado - - - Moleiro

26. Florencia Martins - Viúva - 1 - Moleira

27. Maria (viúva de Joam Alvres) - Viúva - 3 - Moleira

28. Manuel Luis - Casado - 2 - Moleiro

29. Simaõ Dias - Casado - - - Moleiro

30. Simaõ Nunes - Casado - 1 - Moleiro

31. Francisco Pires - Casado - 3 - Moleiro


Um agradecimento muito especial ao amigo José Teodoro Prata pela disponibilidade de tão rica informação relativa a Louriçal do Campo.

xxcucoxx

2 de outubro de 2012

Scuts - Versão "parece" que final



 

Parece ter acabado a novela...

Depois de extintas as isenções e descontos aplicáveis a residentes e também depois de o governo ter admitido que a queda média de tráfego de cerca de 40% nas Ex-Scuts estar dentro do planeado aquando da implementação das portagens virtuais, foi agora tomada a decisão de descer em 15% o valor médio das portagens em vigor nas ex-scuts da Costa da Prata, Grande Porto, Norte Litoral, Algarve, Beiras Litoral e Alta, Beira Interior e Interior Norte.
 
Além desta descida, em vigor desde 1 de Outubro, que o governo espera ter impacto nulo nas receitas (por via do aumento de tráfego que a descida de preço das portagens poderá induzir) acrescem ainda os descontos aplicáveis a empresas de transporte de mercadorias que se mantêm em vigor. Em concreto, um desconto adicional de 10% durante o dia, e de 25% durante a noite. Ou seja, estas empresas terão um desconto global de 25% durante o dia e de 40% durante a noite.
 
Em termos práticos, mais uma cavadela ao Interior. Maior penalização aos residentes que deixaram de beneficiar de 10 viagens sem pagar.
 
xxcucoxx

20 de setembro de 2012

Contas de S.Fiel e Sto António. Ano 2011/2012

Eis que aqui é apresentado em primeira-mão, o resultado das contas finais relativas aos festejos em honra de S. Fiel e S.to António decorridos no período de 2011/12.

Tais documentos foram, de uma forma muito gentil, disponibilizados por um membro dessa Comissão de Festas (representado pelos restantes membros) e que por isso, tem um vinculo definitivo e pronto para apresentação, pelas vias habituais, num futuro próximo ao povo de Louriçal do Campo. 

Um agradecimento muito especial à Comissão de Festas 2011/2012 que, pelo seu esforço, empenho e muito mérito, conseguiu superar as dificuldades naturais da realização deste evento mas, sobretudo, transmitir a capacidade da continuidade futura desdes grandes festejos que, hoje em dia, não há igualável nas redondezas de Louriçal do Campo

Votos das maiores felicidades à Comissão de Festas nomeada para o ano 2012/13.





Ps: Clique em cima dos documentos para que estes se tornem de melhor leitura possível.

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Isenções e descontos nas SCUT terminam no final de Set' 2012



Vale tudo menos tirar olhos (por enquanto)!


Eis que foi ontem anunciado o fim das isenções e descontos no pagamento das antigas Scuts para moradores e empresas, para o final desde mês de Setembro do corrente


Eis mais uma derradeira prova que não deixa dúvidas que o governo, agarrando-se a uma directiva comunitária para tentar justificar o injustificável, “carrega” no aceleramento dos sacrifícios pedidos aos portugueses. Com ou sem alternativa, não interessa, a decisão parece não voltar atrás. Depois de tudo ao que já tirou ao interior do país, eis a última machadada que faltava dar.



"O fim da discriminação positiva foi ontem confirmado pelo Governo, justificando que se trata de "uma obrigação do Estado português", avança hoje o Correio da Manhã.

"O Estado está obrigado a retirar as isenções aos cidadãos em função da sua residência, mas isto é válido tanto para cidadãos como para empresas", alertou o secretário de Estado das Obras Públicas, Sérgio Silva Monteiro, em entrevista à RTP e citado pelo mesmo jornal.

"A directiva comunitária que fixa as regras para que os preços de circulação nas estradas seja estabelecido a nível comunitário não permite que haja discriminação positiva, pelo facto de eu viver mais perto ou mais longe de uma estrada", explicou ainda o governante.

Sérgio Silva Monteiro tem, porém, uma palavra a dizer aos beneficiários desta isenção que, a partir de Outubro, passam a estar obrigados a pagar a travessia das antigas estradas sem custos para o utilizador: "Existem sempre vias alternativas", referiu o secretário de Estado, sublinhando que a decisão "não depende de uma vontade política do Governo"."


xxcucoxx

8 de setembro de 2012

Setembro chegou - A "caça" ao taralhão promete



O taralhão

Estamos em Setembro e os taralhões chegaram.

O taralhão é uma pequena ave migratória oriunda do norte de África que nos visita todos os anos por esta altura. É de porte idêntico ao vulgar pardal mas menos agitada que este.

A sua chegada é confundida com a partida das andorinhas que, após da sua pro criação, regressam aos ares de Africanos.
“No final do verão quando os taralhões que vinham do norte de África para a Europa, e se cruzavam nos céus com as andorinhas em sentido contrário, os taralhões diziam:

- Eh, andorinhas putas, foram poucas e vieram muitas.

E as andorinhas responderam:

- E vocês, taralhões loucos que vão muitos e virão poucos.”

Devendo-se ao facto dos taralhões serem caçados e as andorinhas não. As andorinhas são umas aves quase domésticas, fazem criação, são pequenas, por isso não têm que comer, enquanto o taralhão é maiorzito e normalmente gordo, logo, depois de depenado e frito, dá um óptimo petisco.

Com o advento dos primeiros chuviscos de Setembro, os formigueiros agitam-se e as formigas de asa (agúdias) saem para fora. Em paralelo, com o amadurecer do milho, os canudos deste cereal ficam suculentos onde se desenvolvem alguns “carneiros” (vermes) brancos.

A agúdia

Eis que criadas as condições ideais de base à alimentação dos taralhões.

Mediante tal conjuntura, começa então a caçada a este pássaro sazonal.

A caçada começa a ser preparada na tarde do dia anterior com a recolha da bicharada (já referida) que servirá de isco aos ditos mas também à limpeza dos costis. Nestes, são testadas as molas que, por vezes, têm de ser oleadas com um fio de azeite. As articulações em arame também são revistas a fim de facilitar o “tchiquelho” do costil.

O costil

Eis que a manhã do dia derradeiro chega. A alvorada tem de ser dada bem cedo para que os costis sejam armados antes que os pássaros acordarem e se movimentem à procura do seu alimento matinal.

Antes de armar os ditos, é necessário escolher os melhores “pichos” (lugares onde será provável o pouso habitual dos pássaros). Escolhidos os mesmos, chega a hora da armação.

São preparados então os “armadouros” (local terreno onde são colocados os costis). Num montinho de terra, com uma inclinação tal que fosse bem visível do alto dos ramos das árvores escolhidas como “pichos” mas cobertos com uma leve camada de terra movida de novo, com a formiga de asas ou carneiro, bem vigorosos, a mexer na ponta do araminho que prende a mola; e é vê-los em voo picado precipitarem-se, directamente do ramo para o costil, de onde só saíam, obviamente, para as mãos do “caçador”.

O armadouro

Normalmente a caçada leva a manhã toda. A volta aos costis armados é sempre muito importante. Pois se lá caiu um taralhão, deveremos preparar de imediato nova caçada nesse local e através do mesmo engenho, retirando essa “baixa” e colocar novo isco.

Acabada a manhã, o que tinha de “cair”, já caiu. Pela hora de mais calor, os pássaros eixam de ser mais activos e por isso, a probabilidade de os caçar, é menor.

Está na altura de levantar os costis. Entretanto, são horas de almoço.

Chegados a casa, contam-se os pássaros caçados. Nesta altura, a maioria são taralhões. Se bem que alguns piscos também são apanhados.

Após depenados, e preparados devidamente com um dente de alho e azeite, são fritos e assim, a acompanhar, se bebe um copito daquele que faz rir.

xxcucoxx

4 de setembro de 2012

A "Taberna" agora, Café Frade - Uma história



Eu era pequeno, não teria sequer os meus cinco anos de idade. O meu pai saia pelas 7 horas da manhã da segunda-feira e regressava pelas tardias 18 horas da sexta-feira dessa mesma semana. Trabalhava na Covilhã onde sempre trabalhou. A minha mãe foi sempre a dona lá de casa. O meu irmão ainda não era nascido. Face a ausência semanal por parte do meu pai, as tarefas hortícolas eram garantidas pela presença e cuidados da minha mãe.

Entretanto, perante o falecimento da minha avó paterna (o meu avô paterno já tinha falecido há alguns anos), entre os três irmãos, o meu pai herdou uns terrenos lá para os lados das mais conhecidas “Azenhas Fundeiras”. Um lugar que o viu nascer e que se situa entre a Torre e Casal da Serra.

Nós vivíamos na casa onde nasci, em Louriçal do Campo, claro! Uma casa muito modesta e humilde. Na altura, era da pertença do meu saudoso (também já falecido) e tio António Domingues (irmão do meu pai). A sua localização ainda hoje é favorável. Logo ali ao lado da Fonte de S. Sebastião, mais precisamente à entrada dos conhecidos “cabeços”, (para quem conhece).


Por via das circunstâncias, eu acompanhava a minha mãe para tudo o que fosse lado. Mas, nos períodos mais invernosos, enquanto a minha mãe se deslocada a tais terrenos, eu era deixado ao cuidado dos vizinhos e amigos da família, José Afonso (já falecido) e Ti Maria Luzia.

Nesses tempos o vizinho José Afonso era funcionário dos Caminhos de Ferro. Andava por lá pelas bandas do Entroncamento dias seguidos e quando regressava a casa, quase que tinha outros tantos de descanso.

Já na Aldeira, após o jantar, era comum ele ir até à “Taberna do Frade” beber o seu copinho de vinho (mas sempre do tinto).

Eu quando estava à sua guarda, também o acompanhava nessas visitas à Taberna. Lembro-me como se fosse hoje!! Levava-me ao colo, devidamente aconchegado para que o frio não se apoderasse de mim. A sua barba picava mas sabia bem o seu calor.

Chegados à Taberna do Frade, ele sentava-me no balcão enquanto ficava de pé. Eu de pernas entre abertas e ele entre as mesmas para que eu não caísse, pois o balcão era alto. Enquanto ele mandava vir o seu copinho de vinho, para mim era um embrulho de bolacha Maria (dos mais pequenos).

A Ti Conceição (também já falecida e que terra lhe seja leve), sempre sofreu de asma. Os ambientes de fumo de tabaco não lhe faziam nada bem. Por isso, e a determinada data do final da tarde, aparecia por ali o Ti Manel Frade (seu marido) para a substituir nos afazeres da Taberna.

Lá atrás na parte mais reservada, ainda lá está um poço onde, nos meses de maior calor, se refrescavam as grades da cerveja. Eram lá colocadas através de um guindaste e pelo mesmo, também eram retiradas para consumo.

Neste verão, entrei nesse café. Confesso que já não o fazia há mais de 10 anos. O Ti Manuel Frade, (com a sua idade que ninguém a perdoa), lá estava ele com o seu ar de maroto dado as boas-vindas a quem chega.

Entretanto, no meio de duas conversas curtas, dizia-me que apesar de menor número, os seus clientes estão fidelizados ao espaço e que "ainda vai dando!".

O Café Frade é uma casa de história em Louriçal do Campo e por essa razão, merece o seu especial destaque neste blog.
Saudações cucas.

xxcucoxx

29 de agosto de 2012

Notícia de última hora - Saldo positivo nos festejos de S.Fiel e Sto.António, 2011/2012




Agora mesmo, por volta das 22:30 horas, foram lançados e rebentados no céu que pertence ás estrelas, os últimos foguetes anunciando saldo positivo relativo à realização dos grandes festejos em honra de S. Fiel e Sto António, ano 2011/12.

A exactidão das contas finais será apresentada à população nos meados do próximo mês de Setembro.

Um grande bem-haja aos presentes e a todos os contribuintes que, uma vez mais, permitiram a a continuação da realização de tais e grandiosos festejos.

Um especial agradecimento à Organização, pelo seu empenho, esforço e sacrifício.

Felicidades para a Organização, ano 2012/2013.

xxcucoxx

24 de agosto de 2012

A Marouva


Chegaram as tão merecidas férias grandes de verão. Estamos em Louriçal do Campo tal como muitos outros filhos desta terra. Oportunidade única para o convívio descontraído entre familiares, amigos e conhecidos. O relógio parece só registar duas horas nas tantas 24 horas que compõem o dia. A hora de almoço e de jantar. As outras, quase que passam sem que impeçam a descontracção e tranquilidade do meio envolvente.

Nos momentos de maior descontracção e entre amigos, sempre vem um que começa. As narrações são próprias e vividas na primeira pessoa nos seus momentos de infância. Atrás do primeiro, vem o segundo e terceiro que assim, também dão continuidade às suas peripécias de miúdos.

Por cumplicidade ou não, todos narram algo e sempre relacionado com a MAROUVA.

A Marouva é um termo regional de Castelo Branco que significa exactamente roubar frutas nos quintais e quintas dos arredores das povoações.

Óra, em redor deste termo, muitos foram os meloais, cerejeiras e romãzeiras que foram “assaltados” pelo luar da noite. Alguns, até mesmo, se dedicavam à marouva nos galinheiros.

Não se tratava de um facto mais apropriado e digno dos jovens que se estariam a formar em adultos mas, por vezes a companhia e até mesmo algumas dificuldades, levava-nos a isto.

Hoje, quase que já não quem vá à marouva. A juventude de hoje passou a ter outros hábitos e formas de convivência.

Será bom ? Será mau? Enfim, os tempos futuros o dirão.

xxcucoxx

6 de agosto de 2012

Da espiga ao grão de trigo


Lembro-me como se fosse hoje. A sementeira do trigo era feita no mês de Março com o auxílio dos pesados arados entretanto atrelados ao novo e emblemático tractor amarelo Messey Ferfunson, que o meu avô comprou no início da primavera, ao representante da marca, na cidade do Fundão. Estaríamos, por volta dos anos de 80 (mais coisa, menos coisa).


No monte da Olis, propriedade dos Veríssimos e que o meu avô (o Ti Zé Maria Varanda) explorou largos anos, ali entre muitos e muitos sobreiros foram semeados muitos e muitos grãos a grãos de trigo.

O clima primaveril ocupava-se da sua criação. Espiga grande e de bago grosso, era o que se pretendia. “É o render do trabalho” – Como dizia o meu avô!

A época de trabalho mais intenso era declarada entre os meados de Julho e Agosto com a ceifa do trigo.




Trabalhava-se de sol a sol. Os vigorosos braços de trabalho de muitos homens e mulheres ceifavam, com a ajuda da foice, o trigo que por sua vez, era colocado sob o solo em forma de pequenos magotes. A foice servia ainda para separar outras ervas que no meio dele nasceram. Este trabalho, normalmente era feito pelos elementos da familia e amigos que eram falados antecipadamente para o feito.

Mais tarde, e para simplificar este trabalho árduo, surgiram as ceifadoras motoras que muito facilitaram este trabalho tão custoso.
Por de trás, vinha então o tractorista, o meu tio Joaquim Simão de tractor novo. Em velocidade de 1ª baixa, por vezes, era eu que o conduzia em marcha lenta sob o restolho que o trigo dera lugar. Um homem de cada lado e outro em cima do reboque, a azafama tal que, através de longas forquilhas, os dois homens lançavam os magotes de trigo para o reboque. Enquanto o outro homem ajeitava a “carrada” para mais poder caber.
As descargas eram feitas, sob forma organizada, num enorme leirão a descoberto e ao sol para que ali, as espigas acabassem de secar.

Contudo, numa das idas à feira do gado, (que se realizava todas as segundas-feiras no antigo lugar da Devesa, em Castelo Branco), onde todos os agricultores da região se juntavam para o negócio, era combinado o dia da malha. O Sr. Ganito da Póvoa da Ataláia (não sei se ainda é vivo), mas era ele, na altura, o proprietário da mais moderna malhadeira da região e que, por isso, teria que ser ele o contratado para malhar o trigo do meu avô.

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Uma emblemática máquina amarela que, coberta de correias em movimento, fazia cuspir a palha para um lado e o grão para o outro. Lembro-me que os meus olhos seguiam atentamente, correia após correia, todas elas em movimento a fim de tentar perceber o funcionamento do seu interior.

A minha avó, entretanto, era a dona da cozinha. A sopa de feijão ou grão era feita na panela de ferro ao lume porque aquelas bocas tinham de ser alimentadas para dar continuidade aos trabalhos. Chegada a hora de almoço, a mesa estava posta. Eram homens e mulheres (muitos) que ocupavam os dois bancos de correr da mesa principal da cozinha. A posta de bacalhau e batatas cozidas, era o prato a seguir à sopa. A salada de tomate também não podería faltar.

Os trabalhos eram retomados, entretanto. O pó fino da palha, alojava-se ao céu-da-boca, por isso, era importante a presença, (e sempre abundante) da água fresta logo ali ao lado.

Após a faina, seguia-se um momento de descontração para a “bucha” enquanto que o Sr Ganito, proprietário da malhadeira, tratava da sua manutenção para outro dia trabalho que, normalmente, era logo ali mais a baixo no Ti Valentim.

Entretanto, o grão de trigo eram levado para a cuba e o palha era deixada a secar para mais tarde ser apanhada para proveito dos animais pela altura do inverno. 

Obs: Pela ausência de fotos da propriedade do autor, recorreu-se a fotos que circulam na net.

xxcucoxx

3 de agosto de 2012

Programa de festas S. Fiel e Sto António' 2012





Olá a todos.

Foi-me hoje enviado por um membro da Comissão de festas para divulgação a todos vós, (que ao qual, agradeço), o programa de festas em honra a S. Fiel e Sto António a realizar-se já no próximo 4º fim-de-semana de Agosto do corrente ano.

Á primeira vista, parece-me um programa muito interessante e adequado tendo em atenção a conjuntura económica e financeira das famílias portuguesas.

Apesar de tudo, haverá certamente um contributo de todos nós para que a concretização de tais festejos se realizem pelo melhor tendo em conta a sua continuidade.

Estou certo de que, todos nós, seremos capazes de dar o nosso contributo, tanto á realização dos presentes mas também de futuros festejos que, certamente, serão realizados.

Bem sei que, os tempos que vivemos são são os melhores mas, com a força da vontade de cada um de nós, seremos capazes de manter e dar continuidade a esta tradição festiva que remonta aos passados anos de 1930 (aproximadamente).

Tratando-se de uma tradição e por isso, contaremos com a vossa e sempre presença e muita boa vontade em ajudar porque afinal, a festa é de todos e para todos nós.

PS: Clique nas imagens para uma melhor visão sob o programa festivo.

Obrigado.

xxcucoxx

1 de agosto de 2012

14º Convívio ARFAL' 2012



Como tem sido habitual, todos os sábados dos festejos anuais em honra de S.Fiel e Sto António, realizar-se-á no próximo dia 25 de Agosto de 2012, o 14º Convívio dos amigos e ex-executantes da Sociedade Filarmónica de Louriçal do Campo - ARFAL.

A diversão está prometida, portanto, as inscrições estão abertas. Aproveita mais este momento de alegria e confraternização entre amigos.

O momento mais alto, terá inicio ás 13 horas no recinto de festas para o almoço entre os participantes. 

xxcucoxx 

30 de julho de 2012

O "tocar à burra".



Embora fosse conhecida por outros nomes (cegonha, balança, picota, saragonha, varola, zabumba, zangarela), em Louriçal do Campo, era conhecida por burra.

Tratava-se de uma alavanca inter-fixa que permitia diminuir o peso do balde cheio de água trazida do fundo do poço. Servia, basicamente para o regadio das hortas.

Era constituída por um poste vertical enterrado no chão que era encimado por uma forquilha, onde se colocava a vara, fixada no eixo. Esta vara numa extremidade tinha o contrapeso, (também este aí fixado), constituído por pedras. No outro extremo, tinha outra vara pendurada na vertical, (fina e comprida), possível de ser segura entre as mãos. Esta por sua vez, teria na ponta inferior uma argola onde se pendurava o balde. Situava-se junto ás paredes do poço em questão.

O contrapeso teria de ser tal, que não fosse muito custoso levantá-lo, quando se descesse o balde vazio, até o fundo do poço mas que, na situação inversa, fosse suficiente para ajudar a retirar o balde cheio de água até à superfície.


A sua utilização prendia-se, sobretudo para o regadio das hortas ali cultivadas em redor do poço.

Actualmente, já não se vêem. Foram entretanto substituídas pelos mais conhecidos motores de rega que, com a sua força motora, puxam as águas mais profundas desses poços.

O dizer “tocar à burra”, não era nada mais que, através deste engenho, conseguir trazer a água das profundezas dos poços.

Pergunto: Quem nunca “tocou à burra”?

xxcucoxx

24 de julho de 2012

Uma vida, um testemunho



Sou uma pessoa modesta. Nasci na Aldeia de Louriçal do Campo onde cresci a aprendi a ser feliz. Sou a pessoa que sou e ali, aprendi os valores da vida. Sobretudo pela companhia de pessoas mais velhas que me acolheram e com muito carinho. Hoje, olho para trás e, algumas já partiram. Outras, embora ainda presentes, quase que já não nos conhecem devido ao avançar da idade. Que terei eu para lhes dar como recompensa? Afinal, foram eles que me ajudaram a criar! Neste momento, resta-me cumprimenta-las e recordar-lhes que eu sou, mas com todo o tempo do mundo pois elas merecem.

Agora, sou pai do Santiago com quase quatro anos. Tudo muda. O sentimento de responsabilidade duplica-se aquando de uma visita à Aldeia que me viu dar os primeiros passos. Tento, e com muito orgulho, dar a conhecer todos os recantos que conheço. Não quero deixar nada para mim. Terei de passar o testemunho aos mais jovens porque, este fenómeno já me foi transmitido por outros. Por isso, tento ser a“passagem de testemunho” aos mais novos.

Através desta foto, sinto o que vos acabo de relatar. Neste caso em concreto, avô e neto em passos de alegria sob as estreitas ruelas que compõem as zonas mais rurais de Louriçal do Campo. Sem dúvida, um marco que me enche de orgulho como filho da Aldeia de Louriçal do Campo que sou.

A presença e a comunicação aos nossos filhos sobre Louriçal do Campo, tornar-se-ão, no futuro, peças importantes nas decisões que poderão vir ser tomar nas suas vidas.

Reflitam, por favor…

xxcucoxx

19 de julho de 2012

Louriçal do Campo - Paragens Romanas

Não há dúvida que Louriçal do Campo foi ocupado pela presença romana. Prova disso, são os vestígios (achados arqueológicos) romanos que ainda hoje, qualquer um de nós pode presenciar, nomeadamente, no lugar do Cabeço da Moura. Lugar este, que segundo a história, terá sido a origem deste povo que, mais tarde, se terá deslocado para o actual lugar onde o conhecemos como localidade. Contudo, passa de despercebido a muitos de nós, outras paragens romanas que, e que neste âmbito, se encontram bem mais próximas da actual Aldeia. Refiro-me, nomeadamente, ao lugar do Galvão.



A caminho deste lugar, lá mais á frente (embora não identificado mas merecedor de tal facto), deparamo-nos com um entroncamento que, ao seu lado esquerdo, se encontra uma “estrada” cujo empedrado é constituído por um leviano cascalho (entenda-se, pequenas pedras). Eis mais uma prova da presença romana.

Esta “estrada”, (se assim se poderá chamar porque, até certo ponto, deixa de ser possível a circulação de viaturas), tem como términus, a casa do nosso amigo Coelho. Lugar este, muito perto e já quase nas traseiras das escolas.


Para este mês de férias que se aproxima, quero aqui lançar um convite (aos mais interessados), para a um pequeno e breve passeio matinal para que todos possam obter um pouco mais daquilo que Louriçal do Campo tem para nos dar, sobretudo, conhecer um pouco mais da beleza que envolve esta localidade.

Fica o convite.

xxcucoxx

16 de julho de 2012

Época balnear 2012 - Piscina de S. Fiel

É indiscutível a abundância de água que Louriçal do Campo aproveita, quase que de forma natural, proveniente das profundezas das rochas graníticas compostas da Serra da Gardunha.

Não querendo entrar em outros detalhes (que serão aproveitados para outras ocasiões), quero aqui fazer referência à piscina de S.Fiel. Um verdadeiro mimo que do qual, Louriçal do Campo se orgulha de ter sob sua custódia. A sua localização dá-lhe o seu interesse próprio por se situar entre rochedos e pinhal que compõem a Serra da Gardunha mas, também pela qualidade inquestionável da sua água e sempre em circuito de enchimento.


A época balnear abriu no passado dia 3 de Julho e o seu balanço é, desde já positivo.





A manutenção, apesar de diária, é cuidada. O bar sempre ao dispor de um belo café entre outras infra-estruturas acessórias mas que necessárias.

Os preços de ingresso são convidativos A diária, poderá oscilar dos 2 eur com uma semanada por 10 eur.

O seu horário de funcionamento é diário entre as 9:30h e as 19:30h.

Vale a pena e apareçam para uns belos mergulhos. Aproveitem o sol rodeado de natureza.

xxcucoxx

5 de julho de 2012

80 Anos da “Fonte Nova” – Símbolo do Tempo

A Fonte Nova - Obra da Ditadura

Quantas vezes, na minha infância e na companhia dos da minha idade, apanhamos bichos logo ali ao lado no jardim da conhecida como “Casa do Padre” e os demos como alimento aos peixes do tanque deste lindo chafariz! Havia dias que os tentávamos enganar com pequenas pedrinhas do mesmo tamanho mas, não o conseguíamos fazer. Eram de imediato expulsas por eles.

Quantas foram as muitas e indetermináveis histórias que ali se viveram, também logo ali ao lado por quanto da existência do antigo café da Ti Espírito Santo! Tudo leva o tempo e nada nos deixa.

Quero desta feita, aqui referir-me àquele emblemático chafariz que ali se posiciona há 80 anos. Para ser franco, tenho sido um de tantos de nós que passam e que nunca fizemos contas à idade, embora, lá se encontre em bom relevo inscrita da data da sua construção (ano de 1932). Foi o Dr. Campos, médico da aldeia, que mandatou a construção desta obra-prima neste local (contra à vontade do Dr. José Ramos Preto).



Construída por grandes e aprumados blocos de granito (do bem duro), ergue-se com duas bicas (uma de cada lado), assenta no centro de um tanque (também feito por grandes e largas lajes de granito). Fonte Nova, é ela como é conhecida.

Pelo nome que lhe terá sido atribuído, podemos presumir que, na altura da sua construção, fosse de facto a fonte mais nova no momento e na aldeia, face a outras já existentes.

Muitos de nós, também a conhecem como a Fonte da Ditadura. E provavelmente, serão estes que os de melhor razão, pois reparem:

Recorrendo à história de Portugal, nomeadamente política, deparamo-nos que nesse preciso ano de 1932 (altura da construção deste chafariz), António Oliveira Salazar assume o governo iniciando assim um longo mandato como primeiro-ministro que durou cerca de 36 anos sob uma forte ditadura sob o povo português. O chamado “Estado Novo Português”.


Portanto, torna-se fácil a interpretação do nome deste chafariz tendo em conta as condições temporais e históricas do país.

Por outro lado, Dr. José Ramos Preto, talvez o mais prestigiado político republicano desta região, (foi deputado, ministro e chegou a ser indigitado para primeiro ministro) e amigo pessoal de Afonso Costa (ambos estudaram em São Fiel), tinha a sua casa muito perto do local onde fora construído o fontanário.

Em 1932, já teria regressado à região onde foi reitor do Liceu de Castelo Branco, governador civil e director do reformatório de São Fiel. Numa das idas de fiscais do Governo do Estado Novo a São Fiel, ordenaram ao director (Dr. José Ramos Preto) a retirar da parede do seu gabinete o retrato de Afonso Costa. Foi-lhes dito que o tirava, mas que o levava para sua casa. Mais tarde, entregou-o aos herdeiros de Afonso Costa, entretanto falecido no exílio, em Paris.

Ao saber de tal atitude, Salazar terá afirmado: "Eu gostaria de ter um amigo como o Dr. José Ramos Preto".

Presume-se assim que, a inscrição “Obra da Ditadura” no granito do fontanário (enquanto da sua construção) terá sido uma atitude de desafio ou provocação ao novo regime Estado Novo iniciado nesse mesmo ano.

xxcucoxx