Seja bem-vindo

30 de janeiro de 2012

Nova Imagem *Rotunda de "São Fiel".

Quando estou presente, sou pessoa de gostar de dar as minhas voltinhas isoladas pela aldeia que me viu nascer. Gosto de apreciar e recordar momentos da minha infância. E quando necessário, páro e tiro as minhas “notes book” que acho que sejam oportunas. E assim o fiz agora no fim-de-semana da festa de S. Sebastião (dias 21 e 22 de Janeiro do corrente).

Deparei-me com algumas melhorias que aqui quero destacar. A rotunda de “São Fiel” (por assim, entre nós é conhecida) tem novo visual.

Por isso, quero aqui, e em nome e de todos os Louriçalenses (“”), congratular os serviços da Junta de Freguesia de Louriçal do Campo, por tal feito. De facto um trabalho moderno e de apreciar por todos.



Toda ela revestida de pedras de tantas cores que, em cintunância com tantas plantas, cria um outro ar de graça quando regressamos a Louriçal do Campo.

Deparamo-nos também com uma outra e jovem árvore ali entretanto colocada (e agora no exacto cento da rotunda), pelo que depreendemos que seja a futura árvore dessa rotunda. 

O caminho do Galvão (aquele que nos levada enquanto rapazotes, naquelas tardes quentes de verão, a caminho da piscina) encontra-se limpo. As silvas que tentavam passar os limites das propriedades privadas para o caminho que é público foram cortadas permitindo assim uma melhor circulação, não só pedestre mas também automóvel.

Quaisquer que sejam as poucas as circunstâncias de melhoramento, são e serão sempre muito bem-vindas. Nem que seja para manter o que os nossos ante passados nos deixaram.

Quero crer que, para a próxima visita, possa ser testemunho de outros melhoramentos e que aqui os possa relatar. Por hoje, ficarei por aqui.

Obrigado aos que, tal como eu, ainda zelam pelas nossas raízes “louriçalences”.

xxcucoxx

21 de janeiro de 2012

Status Louriçal do Campo no ano de 2021 e 2031

Já não é novidade para ninguém. Todo o interior do nosso país está a viver tempos difíceis a todos os níveis. Quer económico, demográfico e até mesmo financeiro. Isto para não falar quanto aos seus acessos que agora, sujeito também o pagamento por cada quilómetro percorrido.
No passado dia 21 de Março de 2011, foram então divulgados pelo INE, embora preliminares, os resultados Censo 2011. Para os mais atentos, terá sido fácil constatar as tendências demográficas.

No final desse mesmo ano, mais precisamente a 07 de Dezembro de 2011, o INE disponibilizou outros resultados que vêm confirmar a narrativa dos anteriores mas agora com maior detalhe e rigor.

No concelho de Castelo Branco, em foco, é notória a desertificação das aldeias circundantes num período de 10 anos (2011 / 2001). Castelo Branco e Alcains foram os destinos mais "procurados" pela população mais nova que, certamente pelas melhores condições de vida, nomeadamente económicas. Entretanto todas as 23 aldeias do concelho perderam população, nomeadamente, residente.

Louriçal do Campo não foge á regra. Em 2011 ocupa a 15ª posição com 636 habitantes residentes enquanto que no ano de 2001, eram 805 habitantes residentes ocupando assim a 13ª posição. Portanto, um decréscimo em 21% correspondendo a uma perda de 169 habitantes residentes.

Para esclarecer de forma mais clara esta tendência em 10 anos, teríamos de recorrer a outros elementos, tais como o número de falecimentos ocorridos. Sabemos que as aldeias são compostas por uma população residente maioritariamente idosa, por isso, pensamos que seja este o fenómeno que mais terá o seu contribuído para esta perda. Para já não de referir a taxa de natalidade que, por si só, é quase irrelevante.

Preocupado com o futuro destas aldeias do concelho de Castelo Branco, recorri à estatística e, considerei a aldeia de Louriçal do Campo, como amostra de trabalho. Pressupus todas as tendências e dados INE (De 1991 a 2011) e projectei o futuro em 10 anos (Ano 2021) e a 20 anos (Ano 2031). Conclusão: ASSUSTADORA !!!!!!!!!!!!!!

Conclusão: Em 2021, Louriçal do Campo terá, no máximo 200 habitantes residentes. Este decrescimo a registar entre os anos de 2011 e 2021, será devido ao flagelo do elevado índice de mortalidade que irá acontecer nesta década (a não esquecer o facto da população idosa que já nos dias de hoje se apresenta). Em 2031, Louriçal do Campo resumir-se-á a 84 habitantes residentes composto por 42 Homens e 43 mulheres.

Tento ser delicado e sobretudo, muito cuidadoso com esta conclusão, pois, os pressupostos, dados e tendências consideradas, foram com base nos elementos do INE. Naturalmente que, a alteração, ao longo do tempo futuro, de qualquer um destes pressupostos, nos levará a conclusões distintas.

Não há memória, pelo menos entres os do nosso tempo, de tão desgraça que nos avizinha. Estamos a chegar aos indicadores de há 200 anos atrás.

Pergunto: O que será que está a ser feito (ou não), para contrariar estas tendências tão tristes nas nossas aldeias e que, ao mesmo tempo, tão junto de nós? E as nossas raízes? Será que as entidades competentes, nomeadamente, políticos locais e regionais (municipais) já fizeram estas contas? (para reflecção, presumo!).

Para melhor entender, deixo aqui bem presente a realidade futura de Louriçal do Campo.

 
 
 
xxcucoxx

13 de janeiro de 2012

As Janeiras


O "Cantar as Janeiras" é uma tradição antiquíssima e bem portuguesa. A tradição é que vizinhos, amigos, familiares, (normalmente jovens) se agrupam e, na noite de Reis (6 de Janeiro), por vezes alastrando-se a outros dias do início do ano, andem pelas ruas da aldeia, cantando de “porta em porta” a desejar um próspero ano novo.

Normalmente, alguns elementos tocam instrumentos tradicionais. As músicas utilizadas também o são, embora a letra possa variar de aldeia para aldeia. Terminada a canção numa casa, espera-se que os donos ofereçam as chamadas janeiras: castanhas, nozes, alguns frutos, enchidos, vinho, doces da época natalícia, etc.

Por comodidade, actualmente é costume dar-se dinheiro, embora isto seja considerado uma destradicionalização. No final do percurso, o grupo reúne-se e faz um convívio onde se divide por todos e cada um segue o seu caminho.

No caso de Louriçal do Campo, este uso está a deixar-se levar pelo tempo. Já raramente há quem o faça. A mocidade já é pouca o que dificulta a união para que este costume seja mantido de ano para ano. Vamos ver se este ano conseguimos fazer algo que nos leve a recordar momentos bem felizes e que foram nossos em juventude pois, ainda estamos a tempo. Ainda é Janeiro. Estamos na altura das Janeiras.

Para adoçar a boca, deixo aqui umas quantas quadras que ainda é da memória de todos. Vamos recordar…

 
Ainda agora aqui cheguei

Já pus o pé na escada

Logo o meu coração disse

Que aqui mora gente honrada.


 
Nós não vimos pelas Janeiras

Nós Janeiras cá trazemos

Vimos pelas obrigações

Que a esta casa devemos.


De quem é aquele chapéu

Que além está dependurado

É do dono desta casa

Que é bonito como um cravo.


Viva lá senhor....

Usa o seu chapéu direito

Quando vai pela rua fora

Todos lhe guardam respeito.


De quem é aquela espingarda

Que além está no corredor

É do senhor....

Que é um belo caçador.


Viva lá minha senhora

Raminho de salsa crua

Quando chega à janela

Põe-se o sol e nasce a lua.


Viva lá senhora...........

Raminho de palma branca

Ainda anda neste mundo

Já no céu é uma santa.


Viva lá senhora ...........

Muito lhe diz o seu véu

Quando vai igreja acima

Parece um anjo do céu.


Viva lá minha senhora

Linda boquinha de riso

Linda maçã camoesa

Criada no paraíso


De quem é aquele anel d'oiro

Com pedrinhas ao redol

É do menino.......

Que é bonito como o sol.


Viva lá menina...........

Suas faces são romãs

Seus olhos são mais galantes

Do que a estrela da manhã.


De quem é aquele anel d'oiro

Com letrinhas de amor está quedo

É do menino desta casa

Que lhe caíu do seu dedo.


Levante-se lá minha senhora

Desse banco de prata

Venha-nos dar as janeiras

Que está um frio que mata.


Ó que estrela tão brilhante

Que nos vem alumiar

É a senhora desta casa

Que nos vem a convidar.


(ouvirem passos, cantavam sem mais demora:)

Alegrai-vos companheiros

Que eu já sinto gente a andar

É a senhora desta casa

Que nos vem a convidar.


(Como a dona da casa correspondesse, agradeciam, desde logo, a cantar:)

Ó que estrela tão brilhante

Que vem dos lados do norte

À família desta casa

Ó Deus lhe dê uma boa sorte.


(Caso tal não acontecesse, seguiam-se os apupos:)

Trinca martelo

Torna a trincar

Barbas de chibo

Não tem que nos dar.

xxcucoxx