Seja bem-vindo

13 de janeiro de 2012

As Janeiras


O "Cantar as Janeiras" é uma tradição antiquíssima e bem portuguesa. A tradição é que vizinhos, amigos, familiares, (normalmente jovens) se agrupam e, na noite de Reis (6 de Janeiro), por vezes alastrando-se a outros dias do início do ano, andem pelas ruas da aldeia, cantando de “porta em porta” a desejar um próspero ano novo.

Normalmente, alguns elementos tocam instrumentos tradicionais. As músicas utilizadas também o são, embora a letra possa variar de aldeia para aldeia. Terminada a canção numa casa, espera-se que os donos ofereçam as chamadas janeiras: castanhas, nozes, alguns frutos, enchidos, vinho, doces da época natalícia, etc.

Por comodidade, actualmente é costume dar-se dinheiro, embora isto seja considerado uma destradicionalização. No final do percurso, o grupo reúne-se e faz um convívio onde se divide por todos e cada um segue o seu caminho.

No caso de Louriçal do Campo, este uso está a deixar-se levar pelo tempo. Já raramente há quem o faça. A mocidade já é pouca o que dificulta a união para que este costume seja mantido de ano para ano. Vamos ver se este ano conseguimos fazer algo que nos leve a recordar momentos bem felizes e que foram nossos em juventude pois, ainda estamos a tempo. Ainda é Janeiro. Estamos na altura das Janeiras.

Para adoçar a boca, deixo aqui umas quantas quadras que ainda é da memória de todos. Vamos recordar…

 
Ainda agora aqui cheguei

Já pus o pé na escada

Logo o meu coração disse

Que aqui mora gente honrada.


 
Nós não vimos pelas Janeiras

Nós Janeiras cá trazemos

Vimos pelas obrigações

Que a esta casa devemos.


De quem é aquele chapéu

Que além está dependurado

É do dono desta casa

Que é bonito como um cravo.


Viva lá senhor....

Usa o seu chapéu direito

Quando vai pela rua fora

Todos lhe guardam respeito.


De quem é aquela espingarda

Que além está no corredor

É do senhor....

Que é um belo caçador.


Viva lá minha senhora

Raminho de salsa crua

Quando chega à janela

Põe-se o sol e nasce a lua.


Viva lá senhora...........

Raminho de palma branca

Ainda anda neste mundo

Já no céu é uma santa.


Viva lá senhora ...........

Muito lhe diz o seu véu

Quando vai igreja acima

Parece um anjo do céu.


Viva lá minha senhora

Linda boquinha de riso

Linda maçã camoesa

Criada no paraíso


De quem é aquele anel d'oiro

Com pedrinhas ao redol

É do menino.......

Que é bonito como o sol.


Viva lá menina...........

Suas faces são romãs

Seus olhos são mais galantes

Do que a estrela da manhã.


De quem é aquele anel d'oiro

Com letrinhas de amor está quedo

É do menino desta casa

Que lhe caíu do seu dedo.


Levante-se lá minha senhora

Desse banco de prata

Venha-nos dar as janeiras

Que está um frio que mata.


Ó que estrela tão brilhante

Que nos vem alumiar

É a senhora desta casa

Que nos vem a convidar.


(ouvirem passos, cantavam sem mais demora:)

Alegrai-vos companheiros

Que eu já sinto gente a andar

É a senhora desta casa

Que nos vem a convidar.


(Como a dona da casa correspondesse, agradeciam, desde logo, a cantar:)

Ó que estrela tão brilhante

Que vem dos lados do norte

À família desta casa

Ó Deus lhe dê uma boa sorte.


(Caso tal não acontecesse, seguiam-se os apupos:)

Trinca martelo

Torna a trincar

Barbas de chibo

Não tem que nos dar.

xxcucoxx

1 comentário:

Anónimo disse...

Bem Haja pelos versos... e não é que lembrei da maioria deles??
Coloque no facebook.
ana bernardo (uma cuca)