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30 de julho de 2012

O "tocar à burra".



Embora fosse conhecida por outros nomes (cegonha, balança, picota, saragonha, varola, zabumba, zangarela), em Louriçal do Campo, era conhecida por burra.

Tratava-se de uma alavanca inter-fixa que permitia diminuir o peso do balde cheio de água trazida do fundo do poço. Servia, basicamente para o regadio das hortas.

Era constituída por um poste vertical enterrado no chão que era encimado por uma forquilha, onde se colocava a vara, fixada no eixo. Esta vara numa extremidade tinha o contrapeso, (também este aí fixado), constituído por pedras. No outro extremo, tinha outra vara pendurada na vertical, (fina e comprida), possível de ser segura entre as mãos. Esta por sua vez, teria na ponta inferior uma argola onde se pendurava o balde. Situava-se junto ás paredes do poço em questão.

O contrapeso teria de ser tal, que não fosse muito custoso levantá-lo, quando se descesse o balde vazio, até o fundo do poço mas que, na situação inversa, fosse suficiente para ajudar a retirar o balde cheio de água até à superfície.


A sua utilização prendia-se, sobretudo para o regadio das hortas ali cultivadas em redor do poço.

Actualmente, já não se vêem. Foram entretanto substituídas pelos mais conhecidos motores de rega que, com a sua força motora, puxam as águas mais profundas desses poços.

O dizer “tocar à burra”, não era nada mais que, através deste engenho, conseguir trazer a água das profundezas dos poços.

Pergunto: Quem nunca “tocou à burra”?

xxcucoxx

24 de julho de 2012

Uma vida, um testemunho



Sou uma pessoa modesta. Nasci na Aldeia de Louriçal do Campo onde cresci a aprendi a ser feliz. Sou a pessoa que sou e ali, aprendi os valores da vida. Sobretudo pela companhia de pessoas mais velhas que me acolheram e com muito carinho. Hoje, olho para trás e, algumas já partiram. Outras, embora ainda presentes, quase que já não nos conhecem devido ao avançar da idade. Que terei eu para lhes dar como recompensa? Afinal, foram eles que me ajudaram a criar! Neste momento, resta-me cumprimenta-las e recordar-lhes que eu sou, mas com todo o tempo do mundo pois elas merecem.

Agora, sou pai do Santiago com quase quatro anos. Tudo muda. O sentimento de responsabilidade duplica-se aquando de uma visita à Aldeia que me viu dar os primeiros passos. Tento, e com muito orgulho, dar a conhecer todos os recantos que conheço. Não quero deixar nada para mim. Terei de passar o testemunho aos mais jovens porque, este fenómeno já me foi transmitido por outros. Por isso, tento ser a“passagem de testemunho” aos mais novos.

Através desta foto, sinto o que vos acabo de relatar. Neste caso em concreto, avô e neto em passos de alegria sob as estreitas ruelas que compõem as zonas mais rurais de Louriçal do Campo. Sem dúvida, um marco que me enche de orgulho como filho da Aldeia de Louriçal do Campo que sou.

A presença e a comunicação aos nossos filhos sobre Louriçal do Campo, tornar-se-ão, no futuro, peças importantes nas decisões que poderão vir ser tomar nas suas vidas.

Reflitam, por favor…

xxcucoxx

19 de julho de 2012

Louriçal do Campo - Paragens Romanas

Não há dúvida que Louriçal do Campo foi ocupado pela presença romana. Prova disso, são os vestígios (achados arqueológicos) romanos que ainda hoje, qualquer um de nós pode presenciar, nomeadamente, no lugar do Cabeço da Moura. Lugar este, que segundo a história, terá sido a origem deste povo que, mais tarde, se terá deslocado para o actual lugar onde o conhecemos como localidade. Contudo, passa de despercebido a muitos de nós, outras paragens romanas que, e que neste âmbito, se encontram bem mais próximas da actual Aldeia. Refiro-me, nomeadamente, ao lugar do Galvão.



A caminho deste lugar, lá mais á frente (embora não identificado mas merecedor de tal facto), deparamo-nos com um entroncamento que, ao seu lado esquerdo, se encontra uma “estrada” cujo empedrado é constituído por um leviano cascalho (entenda-se, pequenas pedras). Eis mais uma prova da presença romana.

Esta “estrada”, (se assim se poderá chamar porque, até certo ponto, deixa de ser possível a circulação de viaturas), tem como términus, a casa do nosso amigo Coelho. Lugar este, muito perto e já quase nas traseiras das escolas.


Para este mês de férias que se aproxima, quero aqui lançar um convite (aos mais interessados), para a um pequeno e breve passeio matinal para que todos possam obter um pouco mais daquilo que Louriçal do Campo tem para nos dar, sobretudo, conhecer um pouco mais da beleza que envolve esta localidade.

Fica o convite.

xxcucoxx

16 de julho de 2012

Época balnear 2012 - Piscina de S. Fiel

É indiscutível a abundância de água que Louriçal do Campo aproveita, quase que de forma natural, proveniente das profundezas das rochas graníticas compostas da Serra da Gardunha.

Não querendo entrar em outros detalhes (que serão aproveitados para outras ocasiões), quero aqui fazer referência à piscina de S.Fiel. Um verdadeiro mimo que do qual, Louriçal do Campo se orgulha de ter sob sua custódia. A sua localização dá-lhe o seu interesse próprio por se situar entre rochedos e pinhal que compõem a Serra da Gardunha mas, também pela qualidade inquestionável da sua água e sempre em circuito de enchimento.


A época balnear abriu no passado dia 3 de Julho e o seu balanço é, desde já positivo.





A manutenção, apesar de diária, é cuidada. O bar sempre ao dispor de um belo café entre outras infra-estruturas acessórias mas que necessárias.

Os preços de ingresso são convidativos A diária, poderá oscilar dos 2 eur com uma semanada por 10 eur.

O seu horário de funcionamento é diário entre as 9:30h e as 19:30h.

Vale a pena e apareçam para uns belos mergulhos. Aproveitem o sol rodeado de natureza.

xxcucoxx

5 de julho de 2012

80 Anos da “Fonte Nova” – Símbolo do Tempo

A Fonte Nova - Obra da Ditadura

Quantas vezes, na minha infância e na companhia dos da minha idade, apanhamos bichos logo ali ao lado no jardim da conhecida como “Casa do Padre” e os demos como alimento aos peixes do tanque deste lindo chafariz! Havia dias que os tentávamos enganar com pequenas pedrinhas do mesmo tamanho mas, não o conseguíamos fazer. Eram de imediato expulsas por eles.

Quantas foram as muitas e indetermináveis histórias que ali se viveram, também logo ali ao lado por quanto da existência do antigo café da Ti Espírito Santo! Tudo leva o tempo e nada nos deixa.

Quero desta feita, aqui referir-me àquele emblemático chafariz que ali se posiciona há 80 anos. Para ser franco, tenho sido um de tantos de nós que passam e que nunca fizemos contas à idade, embora, lá se encontre em bom relevo inscrita da data da sua construção (ano de 1932). Foi o Dr. Campos, médico da aldeia, que mandatou a construção desta obra-prima neste local (contra à vontade do Dr. José Ramos Preto).



Construída por grandes e aprumados blocos de granito (do bem duro), ergue-se com duas bicas (uma de cada lado), assenta no centro de um tanque (também feito por grandes e largas lajes de granito). Fonte Nova, é ela como é conhecida.

Pelo nome que lhe terá sido atribuído, podemos presumir que, na altura da sua construção, fosse de facto a fonte mais nova no momento e na aldeia, face a outras já existentes.

Muitos de nós, também a conhecem como a Fonte da Ditadura. E provavelmente, serão estes que os de melhor razão, pois reparem:

Recorrendo à história de Portugal, nomeadamente política, deparamo-nos que nesse preciso ano de 1932 (altura da construção deste chafariz), António Oliveira Salazar assume o governo iniciando assim um longo mandato como primeiro-ministro que durou cerca de 36 anos sob uma forte ditadura sob o povo português. O chamado “Estado Novo Português”.


Portanto, torna-se fácil a interpretação do nome deste chafariz tendo em conta as condições temporais e históricas do país.

Por outro lado, Dr. José Ramos Preto, talvez o mais prestigiado político republicano desta região, (foi deputado, ministro e chegou a ser indigitado para primeiro ministro) e amigo pessoal de Afonso Costa (ambos estudaram em São Fiel), tinha a sua casa muito perto do local onde fora construído o fontanário.

Em 1932, já teria regressado à região onde foi reitor do Liceu de Castelo Branco, governador civil e director do reformatório de São Fiel. Numa das idas de fiscais do Governo do Estado Novo a São Fiel, ordenaram ao director (Dr. José Ramos Preto) a retirar da parede do seu gabinete o retrato de Afonso Costa. Foi-lhes dito que o tirava, mas que o levava para sua casa. Mais tarde, entregou-o aos herdeiros de Afonso Costa, entretanto falecido no exílio, em Paris.

Ao saber de tal atitude, Salazar terá afirmado: "Eu gostaria de ter um amigo como o Dr. José Ramos Preto".

Presume-se assim que, a inscrição “Obra da Ditadura” no granito do fontanário (enquanto da sua construção) terá sido uma atitude de desafio ou provocação ao novo regime Estado Novo iniciado nesse mesmo ano.

xxcucoxx