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30 de julho de 2012

O "tocar à burra".



Embora fosse conhecida por outros nomes (cegonha, balança, picota, saragonha, varola, zabumba, zangarela), em Louriçal do Campo, era conhecida por burra.

Tratava-se de uma alavanca inter-fixa que permitia diminuir o peso do balde cheio de água trazida do fundo do poço. Servia, basicamente para o regadio das hortas.

Era constituída por um poste vertical enterrado no chão que era encimado por uma forquilha, onde se colocava a vara, fixada no eixo. Esta vara numa extremidade tinha o contrapeso, (também este aí fixado), constituído por pedras. No outro extremo, tinha outra vara pendurada na vertical, (fina e comprida), possível de ser segura entre as mãos. Esta por sua vez, teria na ponta inferior uma argola onde se pendurava o balde. Situava-se junto ás paredes do poço em questão.

O contrapeso teria de ser tal, que não fosse muito custoso levantá-lo, quando se descesse o balde vazio, até o fundo do poço mas que, na situação inversa, fosse suficiente para ajudar a retirar o balde cheio de água até à superfície.


A sua utilização prendia-se, sobretudo para o regadio das hortas ali cultivadas em redor do poço.

Actualmente, já não se vêem. Foram entretanto substituídas pelos mais conhecidos motores de rega que, com a sua força motora, puxam as águas mais profundas desses poços.

O dizer “tocar à burra”, não era nada mais que, através deste engenho, conseguir trazer a água das profundezas dos poços.

Pergunto: Quem nunca “tocou à burra”?

xxcucoxx

2 comentários:

Anónimo disse...

É um orgulho para mim, para ti, para quem nasceu e cresceu nesta aldeia de gente humilde, trabalhadora, lutadora... Aos que ainda cá estão e que tanto trabalharam para sustentar a familia que Deus lhe dê saúde nos anos que ainda lhe restam... Aos que já partiram que descanssem em paz!

Telmo disse...

Ainda era bem gaiato quando me aventurei para tentar tirar água com uma picota. Hoje somente lá está o poço, da pico só a lembrança ... seria interessante incentivar a reconstrução deste magnifico engenho junto aos poços ... sempre melhor que estar mesmo à beira do poço com corda e balde na mão ...

Grande abraço