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6 de agosto de 2012

Da espiga ao grão de trigo


Lembro-me como se fosse hoje. A sementeira do trigo era feita no mês de Março com o auxílio dos pesados arados entretanto atrelados ao novo e emblemático tractor amarelo Messey Ferfunson, que o meu avô comprou no início da primavera, ao representante da marca, na cidade do Fundão. Estaríamos, por volta dos anos de 80 (mais coisa, menos coisa).


No monte da Olis, propriedade dos Veríssimos e que o meu avô (o Ti Zé Maria Varanda) explorou largos anos, ali entre muitos e muitos sobreiros foram semeados muitos e muitos grãos a grãos de trigo.

O clima primaveril ocupava-se da sua criação. Espiga grande e de bago grosso, era o que se pretendia. “É o render do trabalho” – Como dizia o meu avô!

A época de trabalho mais intenso era declarada entre os meados de Julho e Agosto com a ceifa do trigo.




Trabalhava-se de sol a sol. Os vigorosos braços de trabalho de muitos homens e mulheres ceifavam, com a ajuda da foice, o trigo que por sua vez, era colocado sob o solo em forma de pequenos magotes. A foice servia ainda para separar outras ervas que no meio dele nasceram. Este trabalho, normalmente era feito pelos elementos da familia e amigos que eram falados antecipadamente para o feito.

Mais tarde, e para simplificar este trabalho árduo, surgiram as ceifadoras motoras que muito facilitaram este trabalho tão custoso.
Por de trás, vinha então o tractorista, o meu tio Joaquim Simão de tractor novo. Em velocidade de 1ª baixa, por vezes, era eu que o conduzia em marcha lenta sob o restolho que o trigo dera lugar. Um homem de cada lado e outro em cima do reboque, a azafama tal que, através de longas forquilhas, os dois homens lançavam os magotes de trigo para o reboque. Enquanto o outro homem ajeitava a “carrada” para mais poder caber.
As descargas eram feitas, sob forma organizada, num enorme leirão a descoberto e ao sol para que ali, as espigas acabassem de secar.

Contudo, numa das idas à feira do gado, (que se realizava todas as segundas-feiras no antigo lugar da Devesa, em Castelo Branco), onde todos os agricultores da região se juntavam para o negócio, era combinado o dia da malha. O Sr. Ganito da Póvoa da Ataláia (não sei se ainda é vivo), mas era ele, na altura, o proprietário da mais moderna malhadeira da região e que, por isso, teria que ser ele o contratado para malhar o trigo do meu avô.

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Uma emblemática máquina amarela que, coberta de correias em movimento, fazia cuspir a palha para um lado e o grão para o outro. Lembro-me que os meus olhos seguiam atentamente, correia após correia, todas elas em movimento a fim de tentar perceber o funcionamento do seu interior.

A minha avó, entretanto, era a dona da cozinha. A sopa de feijão ou grão era feita na panela de ferro ao lume porque aquelas bocas tinham de ser alimentadas para dar continuidade aos trabalhos. Chegada a hora de almoço, a mesa estava posta. Eram homens e mulheres (muitos) que ocupavam os dois bancos de correr da mesa principal da cozinha. A posta de bacalhau e batatas cozidas, era o prato a seguir à sopa. A salada de tomate também não podería faltar.

Os trabalhos eram retomados, entretanto. O pó fino da palha, alojava-se ao céu-da-boca, por isso, era importante a presença, (e sempre abundante) da água fresta logo ali ao lado.

Após a faina, seguia-se um momento de descontração para a “bucha” enquanto que o Sr Ganito, proprietário da malhadeira, tratava da sua manutenção para outro dia trabalho que, normalmente, era logo ali mais a baixo no Ti Valentim.

Entretanto, o grão de trigo eram levado para a cuba e o palha era deixada a secar para mais tarde ser apanhada para proveito dos animais pela altura do inverno. 

Obs: Pela ausência de fotos da propriedade do autor, recorreu-se a fotos que circulam na net.

xxcucoxx

3 comentários:

Anónimo disse...

La no louriçal onde se localiza esta quinta (mais ou menos) ?

xx cuco xx disse...

Olá caro visitante. Esta quinta situa-se no lugar da Olis, entre Louriçal do Campo e S. Vicente da Beira.

Os agradecimentos pela participação.

xxcucoxx

Anónimo disse...

Noticia da Reconquista, "Câmara de Castelo Branco compra Colónia do Louriçal"
http://www.reconquista.pt/pagina/edicao/216/23/noticia/23277