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20 de setembro de 2012

Contas de S.Fiel e Sto António. Ano 2011/2012

Eis que aqui é apresentado em primeira-mão, o resultado das contas finais relativas aos festejos em honra de S. Fiel e S.to António decorridos no período de 2011/12.

Tais documentos foram, de uma forma muito gentil, disponibilizados por um membro dessa Comissão de Festas (representado pelos restantes membros) e que por isso, tem um vinculo definitivo e pronto para apresentação, pelas vias habituais, num futuro próximo ao povo de Louriçal do Campo. 

Um agradecimento muito especial à Comissão de Festas 2011/2012 que, pelo seu esforço, empenho e muito mérito, conseguiu superar as dificuldades naturais da realização deste evento mas, sobretudo, transmitir a capacidade da continuidade futura desdes grandes festejos que, hoje em dia, não há igualável nas redondezas de Louriçal do Campo

Votos das maiores felicidades à Comissão de Festas nomeada para o ano 2012/13.





Ps: Clique em cima dos documentos para que estes se tornem de melhor leitura possível.

xxcucoxx

Isenções e descontos nas SCUT terminam no final de Set' 2012



Vale tudo menos tirar olhos (por enquanto)!


Eis que foi ontem anunciado o fim das isenções e descontos no pagamento das antigas Scuts para moradores e empresas, para o final desde mês de Setembro do corrente


Eis mais uma derradeira prova que não deixa dúvidas que o governo, agarrando-se a uma directiva comunitária para tentar justificar o injustificável, “carrega” no aceleramento dos sacrifícios pedidos aos portugueses. Com ou sem alternativa, não interessa, a decisão parece não voltar atrás. Depois de tudo ao que já tirou ao interior do país, eis a última machadada que faltava dar.



"O fim da discriminação positiva foi ontem confirmado pelo Governo, justificando que se trata de "uma obrigação do Estado português", avança hoje o Correio da Manhã.

"O Estado está obrigado a retirar as isenções aos cidadãos em função da sua residência, mas isto é válido tanto para cidadãos como para empresas", alertou o secretário de Estado das Obras Públicas, Sérgio Silva Monteiro, em entrevista à RTP e citado pelo mesmo jornal.

"A directiva comunitária que fixa as regras para que os preços de circulação nas estradas seja estabelecido a nível comunitário não permite que haja discriminação positiva, pelo facto de eu viver mais perto ou mais longe de uma estrada", explicou ainda o governante.

Sérgio Silva Monteiro tem, porém, uma palavra a dizer aos beneficiários desta isenção que, a partir de Outubro, passam a estar obrigados a pagar a travessia das antigas estradas sem custos para o utilizador: "Existem sempre vias alternativas", referiu o secretário de Estado, sublinhando que a decisão "não depende de uma vontade política do Governo"."


xxcucoxx

8 de setembro de 2012

Setembro chegou - A "caça" ao taralhão promete



O taralhão

Estamos em Setembro e os taralhões chegaram.

O taralhão é uma pequena ave migratória oriunda do norte de África que nos visita todos os anos por esta altura. É de porte idêntico ao vulgar pardal mas menos agitada que este.

A sua chegada é confundida com a partida das andorinhas que, após da sua pro criação, regressam aos ares de Africanos.
“No final do verão quando os taralhões que vinham do norte de África para a Europa, e se cruzavam nos céus com as andorinhas em sentido contrário, os taralhões diziam:

- Eh, andorinhas putas, foram poucas e vieram muitas.

E as andorinhas responderam:

- E vocês, taralhões loucos que vão muitos e virão poucos.”

Devendo-se ao facto dos taralhões serem caçados e as andorinhas não. As andorinhas são umas aves quase domésticas, fazem criação, são pequenas, por isso não têm que comer, enquanto o taralhão é maiorzito e normalmente gordo, logo, depois de depenado e frito, dá um óptimo petisco.

Com o advento dos primeiros chuviscos de Setembro, os formigueiros agitam-se e as formigas de asa (agúdias) saem para fora. Em paralelo, com o amadurecer do milho, os canudos deste cereal ficam suculentos onde se desenvolvem alguns “carneiros” (vermes) brancos.

A agúdia

Eis que criadas as condições ideais de base à alimentação dos taralhões.

Mediante tal conjuntura, começa então a caçada a este pássaro sazonal.

A caçada começa a ser preparada na tarde do dia anterior com a recolha da bicharada (já referida) que servirá de isco aos ditos mas também à limpeza dos costis. Nestes, são testadas as molas que, por vezes, têm de ser oleadas com um fio de azeite. As articulações em arame também são revistas a fim de facilitar o “tchiquelho” do costil.

O costil

Eis que a manhã do dia derradeiro chega. A alvorada tem de ser dada bem cedo para que os costis sejam armados antes que os pássaros acordarem e se movimentem à procura do seu alimento matinal.

Antes de armar os ditos, é necessário escolher os melhores “pichos” (lugares onde será provável o pouso habitual dos pássaros). Escolhidos os mesmos, chega a hora da armação.

São preparados então os “armadouros” (local terreno onde são colocados os costis). Num montinho de terra, com uma inclinação tal que fosse bem visível do alto dos ramos das árvores escolhidas como “pichos” mas cobertos com uma leve camada de terra movida de novo, com a formiga de asas ou carneiro, bem vigorosos, a mexer na ponta do araminho que prende a mola; e é vê-los em voo picado precipitarem-se, directamente do ramo para o costil, de onde só saíam, obviamente, para as mãos do “caçador”.

O armadouro

Normalmente a caçada leva a manhã toda. A volta aos costis armados é sempre muito importante. Pois se lá caiu um taralhão, deveremos preparar de imediato nova caçada nesse local e através do mesmo engenho, retirando essa “baixa” e colocar novo isco.

Acabada a manhã, o que tinha de “cair”, já caiu. Pela hora de mais calor, os pássaros eixam de ser mais activos e por isso, a probabilidade de os caçar, é menor.

Está na altura de levantar os costis. Entretanto, são horas de almoço.

Chegados a casa, contam-se os pássaros caçados. Nesta altura, a maioria são taralhões. Se bem que alguns piscos também são apanhados.

Após depenados, e preparados devidamente com um dente de alho e azeite, são fritos e assim, a acompanhar, se bebe um copito daquele que faz rir.

xxcucoxx

4 de setembro de 2012

A "Taberna" agora, Café Frade - Uma história



Eu era pequeno, não teria sequer os meus cinco anos de idade. O meu pai saia pelas 7 horas da manhã da segunda-feira e regressava pelas tardias 18 horas da sexta-feira dessa mesma semana. Trabalhava na Covilhã onde sempre trabalhou. A minha mãe foi sempre a dona lá de casa. O meu irmão ainda não era nascido. Face a ausência semanal por parte do meu pai, as tarefas hortícolas eram garantidas pela presença e cuidados da minha mãe.

Entretanto, perante o falecimento da minha avó paterna (o meu avô paterno já tinha falecido há alguns anos), entre os três irmãos, o meu pai herdou uns terrenos lá para os lados das mais conhecidas “Azenhas Fundeiras”. Um lugar que o viu nascer e que se situa entre a Torre e Casal da Serra.

Nós vivíamos na casa onde nasci, em Louriçal do Campo, claro! Uma casa muito modesta e humilde. Na altura, era da pertença do meu saudoso (também já falecido) e tio António Domingues (irmão do meu pai). A sua localização ainda hoje é favorável. Logo ali ao lado da Fonte de S. Sebastião, mais precisamente à entrada dos conhecidos “cabeços”, (para quem conhece).


Por via das circunstâncias, eu acompanhava a minha mãe para tudo o que fosse lado. Mas, nos períodos mais invernosos, enquanto a minha mãe se deslocada a tais terrenos, eu era deixado ao cuidado dos vizinhos e amigos da família, José Afonso (já falecido) e Ti Maria Luzia.

Nesses tempos o vizinho José Afonso era funcionário dos Caminhos de Ferro. Andava por lá pelas bandas do Entroncamento dias seguidos e quando regressava a casa, quase que tinha outros tantos de descanso.

Já na Aldeira, após o jantar, era comum ele ir até à “Taberna do Frade” beber o seu copinho de vinho (mas sempre do tinto).

Eu quando estava à sua guarda, também o acompanhava nessas visitas à Taberna. Lembro-me como se fosse hoje!! Levava-me ao colo, devidamente aconchegado para que o frio não se apoderasse de mim. A sua barba picava mas sabia bem o seu calor.

Chegados à Taberna do Frade, ele sentava-me no balcão enquanto ficava de pé. Eu de pernas entre abertas e ele entre as mesmas para que eu não caísse, pois o balcão era alto. Enquanto ele mandava vir o seu copinho de vinho, para mim era um embrulho de bolacha Maria (dos mais pequenos).

A Ti Conceição (também já falecida e que terra lhe seja leve), sempre sofreu de asma. Os ambientes de fumo de tabaco não lhe faziam nada bem. Por isso, e a determinada data do final da tarde, aparecia por ali o Ti Manel Frade (seu marido) para a substituir nos afazeres da Taberna.

Lá atrás na parte mais reservada, ainda lá está um poço onde, nos meses de maior calor, se refrescavam as grades da cerveja. Eram lá colocadas através de um guindaste e pelo mesmo, também eram retiradas para consumo.

Neste verão, entrei nesse café. Confesso que já não o fazia há mais de 10 anos. O Ti Manuel Frade, (com a sua idade que ninguém a perdoa), lá estava ele com o seu ar de maroto dado as boas-vindas a quem chega.

Entretanto, no meio de duas conversas curtas, dizia-me que apesar de menor número, os seus clientes estão fidelizados ao espaço e que "ainda vai dando!".

O Café Frade é uma casa de história em Louriçal do Campo e por essa razão, merece o seu especial destaque neste blog.
Saudações cucas.

xxcucoxx