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13 de fevereiro de 2013

Domingo gordo


Mesmo ter já passado o Carnaval, interessa ainda aqui dar umas palavras de conhecimento geral sobre o mesmo.

O termo Carnaval resulta da conjugação de duas expressões. Uma considera que a palavra provém da expressão latina carne, com o significado de "adeus, carne!"; a outra, chegou ao português por via francesa, do italiano carnevale, procedente de carnelevare, que significava "rejeitar a carne", formada do latim carne(m) levare (suprimir ou tirar a carne).

Efectivamente, a palavra Carnaval, designa apenas a última terça-feira do período que começa no Dia de Reis e vai até à Quaresma. Segundo o preceito católico, essa terça-feira é o dia de dizer adeus à carne (comida, festas, luxúria...), porque se vai entrar num tempo de abstinência logo no dia seguinte, quarta-feira de cinzas.

Dá-se o nome de "gordo" aos dias que precedem a entrada na Quaresma, nomeadamente o "Domingo gordo" ou a "Terça-feira gorda". Dias gordos são os dias de carne, em oposição a dias magros ou dias de peixe, em que a Igreja prescreve a abstinência de carne.

Como a Quaresma suplica à abstinência de carne, neste ano, em Louriçal do Campo, o “Domingo gordo” foi comemorado em grande entre alguns amigos. Queijo, chouriço, pão, coelho bravo bem regados por um bom vinho da Aldeia, foram os “ingredientes” demarcados para este dia.
 
 
Acabados de entrar nos dias magros (Quaresma), resta-nos agora os pratos de peixe e outros que não carne.

xxcucoxx

2 de fevereiro de 2013

AS AZENHAS DA TORRE

 

FREGUESIA DE LOURIÇAL DO CAMPO - AS AZENHAS DA TORRE


Foram as azenhas, num passado recente a base da economia local transformando os cereais que germinavam nos campos do Louriçal e povos confinantes, estes alimentaram durante gerações as 21 azenhas e 6 moinhos que hoje são pardieiros na área da Torre, incluídas num total de 37 conhecidas na freguesia de Louriçal do Campo. O pleno desaparecimento das azenhas provocou ao lugar uma menos valia didáctica, histórica, cultural e tecnológica. Para além de ser acompanhado do desaproveitamento de materiais e mão de obra local, e não procedido do aproveitamento em termos históricos e de economia cultural.

A nostalgia das azenhas intensifica-se nos conterrâneos descendentes deste Lugar, nomeadamente nos que desencalcaram e tactearam a farinha ao cair no tremonhado, dormiram ao ranger da entrosa, canto da pedra e serenidade da água nos covelos da roda, acordando com o aviso do chocalho que caia na mó junto ao cambal, avisando o moleiro da aproximação da pedra a entrar em vão.

Nas azenhas da Torre, a força da água nos covelos da roda não se avaliava em Watts e/ou cavalos-vapor, esta calculava em tornadouros, sendo um tornadouro a quantidade de água necessária para regar a pé, exigindo a azenha para trabalhar em condições consideradas óptimas 3 a 4 tornadouros.

Foi nestes engenhos que se moeu a farinha para o pão, normalmente cozido nos fornos de utilidade comunitária que alimentou muitas povoações incluindo os animais que as famílias possuíam e que atingiam as várias centenas, senão milhares. Os moleiros angariavam os cereais, dos quais a região era auto-suficiente e distribuíam a farinha com os seus machos e burros pelos fregueses, das freguesias e lugares de Louriçal do Campo, Soalheira, Casal da Serra, S. Vicente da Beira e outras mais distantes tais como a Lardosa, Vale da Torre, Lousa, Escalos, Tinalhas, Ninho do Açor, Sobral do Campo, Paradanta, Partida, Vale de Urso, Mourelo, Estreito, Pereiros e Almaceda .

Neste território de azenhas, em tempos remotos, existiram duas que trabalhavam em exclusivo 2 dias por semana para o exército português sediado em castelo branco, existindo normas que impunham a montante o integral encaminhamento das águas para as mesmas nos dias instituídos, impedindo as regas e/ou qualquer outra utilização. Assim como em tempos já pouco recordados por este povo, existiu uma azenha que trabalhava a tempo inteiro exclusivamente para o Reformatório Central de S. Fiel.

É pensando nestas 26 azenhas e 11 moinhos, hoje pardieiros, que esperamos que seja disponibilizado um fundo que responda à ambiciosa e singular recuperação, conforme oportunamente prometido, nomeadamente no folheto da eleições de 2005 e ainda com particular destaque por quem de direito, garantindo assim a história viva, atenuando a nostalgia e enriquecendo a freguesia. O povo da Torre, ciente da valorização desta pretensão e confiante no vigor de quem nos representa, está certo que o seu alcance é possível e conforme prometido será cumprido.

Das azenhas resta, entre muito poucos habitantes, o “vocabulário local” das suas peças, acessórios e equipamentos. Mas, como os Homens são de memória curta e quando não há história para avivar a memória tudo se perde, pois só a história escrita aviva a memória, para garantir a transmissão da história às gerações vindouras, este “vocabulário” deve ser preservado.



 







Por Carlos Vaz de Deus