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19 de dezembro de 2016

Natal de Ontem, Natal de Hoje

Simplesmente, porque gostei e eis a prova de que uma tradição tão gira, não poderá cair por terra nos costumes das nossas aldeias.


https://www.facebook.com/amelia.mendonca.52/posts/1804276129846877


"Advento – Tempo de preparação para a vinda do Menino Jesus. Nos quatro domingos do Advento, a assembleia cristã reúne-se para professar que Deus é Amor. Procura na fé tomar consciência de que o anúncio da salvação se cumpriu com a vinda do Salvador. Assume uma atitude de vigilância, na expectativa da vinda gloriosa de Jesus, para estabelecer uma Terra Nova sem se deixar resvalar para o materialismo.”

Natal – Celebra a vinda de Jesus, o Filho de Deus, e a Sua manifestação aos homens.
Nesta linha se aproximava o Natal tempo de verdadeira alegria, salutar convivência, união familiar.

Durante o advento, os rapazes solteiros ao som da urra, reuniam-se para procederem ao pedido do madeiro a um dos senhores ricos da terra.


No dia 23 à noite (porque de dia tinham que trabalhar) seguiam para o campo carregados com picaretas, enxadas, serras e podoas, afim de arrancarem e cortarem a lenha que iria servir para aquecer o “Menino” e o coração dos homens. Era uma noite longa pois tudo dependia da força braçal. Não havia comes e bebes e só após o trabalho terminado comiam uma “bucha“ (quase sempre um bocado de pão e toucinho ou marcela), que tinham levado de casa e bebiam uns copitos do vinho oferecido por um benfeitor. 

Na madrugada do dia 24, carregados os carros das vacas, tantos quanto os necessários, os jovens vinham rumo ao adro da igreja, em cima da lenha cantando o “alegrem-se os Céus e a Terra”, e tocando as urras. 


Toda a população ficava alerta ao aproximar do madeiro não fossem perder esse momento tão tradicional. À chegada, com os habitantes juntos, davam, vivas “ao madeiro que ainda está inteiro”, ao senhor Marquês que deu o madeiro, ao Dr. Marcelo que deus as vacas e os carros, à casa Pinheiro que deu o vinho… e claro… à rapaziada pelo trabalho efectuado.
Às cinco horas da tarde era acesa a Fogueira e todos lá estavam a assistir. 


Enquanto isto se desenrolava. a dona de casa amassava e tendia a massa para as filhós que ficavam a fintar, enquanto eram cozidas as couves com bacalhau e batatas para a ceia onde estaria a família reunida. 


Após a refeição, caldeiro de ferro com o azeite em cima das trempes ao lume, a mãe sentada num banco, um pano no joelho e aí esticava a massa que fritava, cabendo ao pai a tarefa de virar as filhós com uma fusena, por vezes feita duma vara comprida. À criançada era atribuído o papel de levar um prato de filhós às pessoas que viviam sós ou às famílias enlutadas. 


Durante a noite vinham grupos de amigos cantar o Menino Jesus e andavam de casa em casa retribuindo a visita aos mais chegados. À meia-noite tudo estava pronto para a Missa do Galo pois era o ponto alto de toda esta quadra natalícia. Madeiro aceso, Missa, cantar e beijar do Menino Jesus, visita ao presépio feito com antecedência, e no final da celebração religiosa a festa continuava junto ao madeiro com a rapaziada munida de cachaporras para avivar o braseiro.


Às crianças era dito para porem o sapatinho na chaminé (quando a havia) ou no mourão, pois o Menino Jesus viria de noite e… sempre podiam ter a sorte d´Ele lá deixar alguma coisinha. Todos fazíamos isso, mas no meu caso raramente lá encontrava algo…apenas um rebuçado e nem sempre!


Hoje todos sabemos como é vivido este tempo festivo….Festas e mais festas, com madeiros, o Pai Natal, prendas, comes e bebes, apelo ao consumismo, feiras, disputa entre o maior madeiro, o maior presépio, a maior filhó, a maior rabanada…

Tudo à grande…Menos amor pelo próximo e quase esquecem que o Menino Jesus é a GRANDE ESTRELA DESTA FESTA.


Amélia Mendonça Fonseca."

Fonte: https://www.facebook.com/amelia.mendonca.52/posts/1804276129846877 

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