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18 de setembro de 2019

"O que mais custa é, começar o primeiro"




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Em Louriçal do Campo, é costume dizer-se que: “o que mais custa é, começar o primeiro”. Expressão que, aparentemente possa ser vaga, mas muito ela tem por dizer.

Refiro-me, naturalmente, ao meio rural onde as tarefas agrícolas são práticas recorrentes de subsistência e que pelo braço do homem.

Pois reparem: O ano agrícola começa normalmente em Março com o amanhar das terras para a sementeira da batata. A população agita-se e começa de imediato a tratar as suas terras para o efeito. As conversas do cumprimento matinal, passam por tentar saber qual a qualidade da batata a semear bem como a que preço a qual está a ser praticado por quem a vende. 

Depois da sementeira da batata, vêm os outros legumes que, pouco a pouco, vão compondo a horta. Cebolo, alfaces, pimentos e outros. Aqui, as conversas diversificam-se entre a comunidade para tentar saber quem é que tem “manchinha” de cebolo e outros para plantar (entre nós, “pôr”).  

Entretanto é dado trato ao que se semeou. A horta está composta e é regada para que não chegue a seca pelo calor do sol de verão.

Lá para Julho, começam novamente as conversas de que o “fulano x” ou “fulano y”, já as anda a arrancar (entenda-se, batateiras). Olá lá está, uma vez mais, atrás de uns, vão os outros. Em quinze dias, deixa de haver batateiras por arrancar entre as hortas da aldeia. 

Lá para os finais de Agosto, As vinhas quase que se encontram "maduras". Prova-se um bago aqui e outro além para que se perceba o teor de açucar da uva.

Setembro, chegada a altura de vindimar. Colhem-se as uvas, brancas para um lado, pretas para o outro, dependendo do tipo de vinho que se pretenda fazer. O lagar (para nós, os da beira, o pio) já se encontra lavado e pronto para receber as uvas que irão esmagadas e fermentadas, avinham-se os pipos feitos de madeira de carvalho e, estende-se o convite a familiares e amigos para uma ajudinha no dia entretanto definido para o efeito. 

As primeiras chuvas avizinham-se que, após as vindimas, são sempre bem-vindas pois a azeitona encontra-se “mirrada” e precisa de encher. Em Novembro, o que mais custa é, haver o primeiro “fulano” que exponha as suas escadas e panais necessários à apanha da azeitona logo, os vizinhos também o começam a fazer, um atrás do outro. Inicia-se portanto, a labuta da apanha da azeitona. Trabalho moroso que, variando de caso para caso, em duas semanas o azeite estará em casa para as filhoses de Natal. 

E o que mais custa é, que comece o primeiro (…) 

xxcucoxx



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