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24 de dezembro de 2012

Boas Festas (2)



 
Nesta noite, a tradição levaria-nos à Missa do Galo. Este ano, não há essa Missa. Será realizada amanhã, dia 25 de Dezembro, pelas 15 horas a Missa de Natal. Uma oportunidade única para beijar e cantar ao nascer do menino Jesus,
 
Votos de Boas Festas a todos os amigos deste espaço.
 
xxcucoxx

21 de dezembro de 2012

Boas Festas


Simplesmente:

A todos os seguidores, visitantes e amigos deste blog, os meus mais sinceros votos de Boas Festas, um Santo e Feliz Natal !

xxcucoxx

12 de dezembro de 2012

O Madeiro. Uma tradição ....


Madeiro do Ano de 2012


Não há terra nas Beiras que se prese, que na noite da consoada não se acenda o Madeiro. Louriçal do Campo não é excepção e o adro da Igreja Matriz é palco, em todos os anos, desta tão afincada tradição natalícia.

O Madeiro é uma enorme fogueira que os rapazes da terra “constroem” no adro da Igreja. Tão grande que, apesar do frio da noite, mantém-se aceso pelos dias que se seguem. Diz a tradição que esta fogueira é para aquecer o Menino Jesus e os que vão à Missa do Galo e, por esta razão, se acende na noite de Natal.
 
Madeiro do Ano de 2012
 
 
É ateado por volta das 20 horas, antes da ceia de Natal. Assim, por entre brindes e abraços, trocam-se os tradicionais votos de Boas Festas.
Há mesmo quem diga “Natal sem Madeiro, não é Natal”. E, por isso, antes da ceia e pela noite dentro, poucos são os que resistem a uma passagem pelo Madeiro de Natal.
“Dizem” os livros que, em Louriçal do Campo, o Madeiro deveria ser roubado. Para que não se soubesse quem o roubou, as vacas que puxavam o carro deveriam ser cobertas por mantas e os homens encapuçados. Ao atravessar a povoação, os homens já munidos de pedras, atiravam-nas aos mais curiosos que espreitassem às janelas.
Em tom de conversa, um ilustre e respeitado conterrâneo de 63 anos de idade, relatou como foi no seu ano de mocidade, a recolha do Madeiro.
                “Foi duro!! Não éramos mais que 8 rapazotes com idades compreendidas entre os 18 e 19 anos. Falámos de véspera com o Sr. António Gil da Marrada, para que nos emprestasse o seu carro de vacas e, nesse mesmo dia, fomos também pedir autorização ao proprietário dos carvalhos, eucaliptos e pinheiros a cortar na noite a combinar. Estes eram identificados e marcados no local pelo seu proprietário.
                Já com as referidas autorizações e à meia-noite do dia combinado, pegámos no carro de vacas e fomos em direcção à Tapada Nova. Um lugar que, na altura, era da pertença das “Senhoras do Dr. Ramos Preto” (entenda-se, propriedade da família Dr. Ramos Preto). E, lá fomos nós!
Chegados ao local, preparámos as duas serras que tínhamos. Eram lâminas de dois metros de comprimento e vinte centímetros de altura.
As horas batiam na torre da Igreja, mas nunca a nosso favor! Não havia tempo a perder...
Munidos de vinho, toucinho e azeitonas, quando nos dava a fome, era o que comíamos.
Estava uma noite fria, mas nós tínhamos que fazer, pelo menos, o mesmo que os do ano passado para não ficarmos em mal. Por isso, carregámos mais uns troncos e fizemo-nos à estrada. O carro de vacas não podia trazer mais. A noite escura levava-nos em direcção ao cruzamento do Colégio de S. Fiel e, depois, era sempre a descer. Dois de nós tomavam a rédea do carro ocupando, assim, o lugar das vacas, e os restantes empurravam. Chegados a esse cruzamento, a descida para a aldeia tornou-se complicada, mas valeram-nos os travões do carro de vacas.
Já no adro da Igreja, começávamos a “amontoar” os troncos que, então, tínhamos conseguido. O cansaço era notável, mas vá lá que não houve nenhum azar!
Hoje, os tempos são outros. A malta não tem jeito para estas coisas. Por isso, o Madeiro é cortado durante o dia, carregado por tractores e, até mesmo, composto no local por máquinas de grande porte. Vejam só!!!”.
Os tempos passam e as tradições vão sendo ajustadas aos tempos modernos.
Contudo, continua a ser, sem dúvida, um dos mais belos momentos da noite de Natal nas nossas aldeias.
Por este ano, e tal como manda a tradição, o Madeiro já se encontra no local habitual. Foi colocado pelos mais novos no dia 8 de Dezembro.
Desta forma, cabe-nos contribuir com a presença, confraternizando, entre amigos e familiares que, só nestes locais mágicos, se conseguem viver.
xxcucoxx

30 de novembro de 2012

"A salto" nos anos 60. Por um conterrâneo.



O regresso a Hendaia 50 anos depois é regressar ao salto para fugir à ditadura, à repressão e à miséria. É retrilhar, com os mesmos pés, o caminho da emigração para França, e voltar à fronteira onde todas as coisas começavam.

As palavras são todas deles, dos dois homens que caminham, lado a lado, pela areia, a recordar a fuga, o salto e o medo. A caminhar em frente, 50 anos para trás, e a dizer, com todos os quilómetros ainda na memória, que, ao fundo, a cordilheira separava a ditadura da liberdade.

Abílio Laceiras, de 69 anos, e Manuel Dias Vaz, de 66, saíram - um do Fundão, outro de Louriçal do Campo, no distrito de Castelo Branco - clandestinos, a salto, do mesmo Portugal, o que Manuel descreve: o Portugal da ditadura, da repressão, da miséria e da guerra colonial.

“Eu cheguei a França em outubro de 1963. Cheguei a Hendaia [depois de ter andado] 23 dias a pé, porque o percurso da emigração clandestina era terrível. Era dramático, era uma epopeia”, recorda Manuel Dias Vaz, que é hoje presidente do comité nacional francês de homenagem a Aristides Sousa Mendes e da Rede da Aquitânia para a História e Memória da Imigração.

Abílio Laceiras, correspondente do Jornal do Fundão em Paris, e que conta décadas de militância associativa e sindical em França, chegou a Hendaia no final de 1968, “em plena revolução de maio”. Atravessou Espanha com onze homens e com a sua mulher, grávida.

Esperaram horas na fronteira, retidos, porque não traziam passadores. “Horas depois, de noite, com frio, eu dirigi-me aos carabineiros e disse: ’das duas uma: ou o senhor nos prende, ou nos deixa seguir. A minha mulher não pode continuar assim’”, recorda.

E seguiram, com “pão e três latas de sardinha”. Aqui, diz Abílio Laceiras, onde começava a liberdade, haviam de começar todas as coisas, as boas e as más. Depois desta linha havia de pagar “muito dinheiro” para que outro português lhe encontrasse trabalho. Havia até de pagar o aluguer dos pratos e dos talheres que usou.

Manuel Dias Vaz recorda o medo: “A memória que eu tenho da estação [de comboios] é o medo. O medo, porque nós não tínhamos a capacidade de compreender que tínhamos chegado a um país democrático e livre. Porque a liberdade e a democracia não faziam parte do nosso registo quotidiano, faziam parte do nosso combate”.

Os dois homens regressam a Hendaia – por onde se estima que tenham passado, entre 1957 e 1974, mais de um milhão de portugueses em direção à Europa, sobretudo a França – com emoção. Regressam solenes, quase peregrinos.

Esta é, explica Manuel Dias Vaz, uma cidade simbólica, por várias imagens: “a estação de caminho-de-ferro, pela qual transitaram os portugueses que vieram para a Europa; a fronteira dos Pirenéus; a ponte de Hendaia, que é o começo da Nacional 10, a que muitos chamaram o cemitério dos portugueses; e o mar, porque, nos anos de 1920, e mesmo nos anos de 1960, alguns portugueses vieram para França de barco”.

“Para mim, voltar a Hendaia hoje é uma peregrinação. É olhar para o passado para compreender o presente: milhares de portugueses são [de novo] condenados a emigrar e a história repete-se”, acrescenta.

Para Abílio Laceiras, regressar aqui é revisitar as perguntas de depois do salto, as que se faziam deste lado da fronteira, pela primeira vez: “Para onde é que a gente vai? Qual vai ser o nosso rumo? Qual vai ser o nosso futuro?”. É lembrar-se de que “o futuro de [muitos portugueses] e de muitos lusodescendentes se decidiu nesta terra”.