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6 de março de 2013

Sons de memória


O sino maior da torre da Igreja de Louriçal do Campo


Há sons que entram na nossa memória e que a mesma, os conserva para toda a nossa vida. Os sinos das nossa Igreja é uma referência neste contexto.

O sino devida da palavra signo (sinal). Tem um papel muito importante nas vidas das Aldeias anunciando horas, meias-horas e quartos-de-hora, mas também, momentos de alegria e outros de tristeza. 

É ele que mobiliza as pessoas para os diversos actos, não só relacionados com o culto, como também aqueles que apelam ao socorro, nomeadamente aos incêndios.
Regra geral, encontram-se em destaque no ponto mais alto da Igreja das Aldeias. Normalmente, no ponto mais alto da sua torre.

Igreja de Louriçal do Campo


Em tempos passados, era o sacristão quem dava voz aos sinos. Agora, parece que já não bem assim.

Novas regras tomaram conta do quotidiano assumindo-se assim outros costumes. Contudo, (e isto é o que mais importa), os sinos continuam a ser badalados anunciando os momentos mais e menos alegres que envolvem as Aldeias.
Para quem sabe fazê-lo bem, pelo seu toque do sino, consegue-se distinguir muito bem os momentos que envolvem as Aldeias.

O mecanismo interno do relógio da Igreja
No caso da Missa de Domingo, era um toque alegre, de festa, com uma badalada no sino maior, seguida de toque "repenicado" no sino mais pequeno. Pelo final, duas ou três badaladas no sino mais pequeno, conforme se trate do primeiro toque, do segundo ou do terceiro, uma vez que a Missa de Domingo, os sinos dão sinal por três vezes em espaços de quartos de hora.
Enquanto que no caso dos baptizados, três badaladas no sino grande, no dobrar, (anunciando a morte), sendo homem, três badaladas no sino grande seguidas de várias badaladas dobradas e cadenciadas. Se for mulher, a duas badaladas no sino grande e várias dobradas. Se a morte ocorrer fora da Aldeia, após o toque, uma badalada solitária surge no ar..
No Domingo de Páscoa, os sinos tocam "desalmadamente" celebrando a Ressurreição de Jesus Cristo depois da sua morte por crucificação.
No caso de incêndio, o sino grande toca, a rebate.
  
xxcucoxx  


13 de fevereiro de 2013

Domingo gordo


Mesmo ter já passado o Carnaval, interessa ainda aqui dar umas palavras de conhecimento geral sobre o mesmo.

O termo Carnaval resulta da conjugação de duas expressões. Uma considera que a palavra provém da expressão latina carne, com o significado de "adeus, carne!"; a outra, chegou ao português por via francesa, do italiano carnevale, procedente de carnelevare, que significava "rejeitar a carne", formada do latim carne(m) levare (suprimir ou tirar a carne).

Efectivamente, a palavra Carnaval, designa apenas a última terça-feira do período que começa no Dia de Reis e vai até à Quaresma. Segundo o preceito católico, essa terça-feira é o dia de dizer adeus à carne (comida, festas, luxúria...), porque se vai entrar num tempo de abstinência logo no dia seguinte, quarta-feira de cinzas.

Dá-se o nome de "gordo" aos dias que precedem a entrada na Quaresma, nomeadamente o "Domingo gordo" ou a "Terça-feira gorda". Dias gordos são os dias de carne, em oposição a dias magros ou dias de peixe, em que a Igreja prescreve a abstinência de carne.

Como a Quaresma suplica à abstinência de carne, neste ano, em Louriçal do Campo, o “Domingo gordo” foi comemorado em grande entre alguns amigos. Queijo, chouriço, pão, coelho bravo bem regados por um bom vinho da Aldeia, foram os “ingredientes” demarcados para este dia.
 
 
Acabados de entrar nos dias magros (Quaresma), resta-nos agora os pratos de peixe e outros que não carne.

xxcucoxx

2 de fevereiro de 2013

AS AZENHAS DA TORRE

 

FREGUESIA DE LOURIÇAL DO CAMPO - AS AZENHAS DA TORRE


Foram as azenhas, num passado recente a base da economia local transformando os cereais que germinavam nos campos do Louriçal e povos confinantes, estes alimentaram durante gerações as 21 azenhas e 6 moinhos que hoje são pardieiros na área da Torre, incluídas num total de 37 conhecidas na freguesia de Louriçal do Campo. O pleno desaparecimento das azenhas provocou ao lugar uma menos valia didáctica, histórica, cultural e tecnológica. Para além de ser acompanhado do desaproveitamento de materiais e mão de obra local, e não procedido do aproveitamento em termos históricos e de economia cultural.

A nostalgia das azenhas intensifica-se nos conterrâneos descendentes deste Lugar, nomeadamente nos que desencalcaram e tactearam a farinha ao cair no tremonhado, dormiram ao ranger da entrosa, canto da pedra e serenidade da água nos covelos da roda, acordando com o aviso do chocalho que caia na mó junto ao cambal, avisando o moleiro da aproximação da pedra a entrar em vão.

Nas azenhas da Torre, a força da água nos covelos da roda não se avaliava em Watts e/ou cavalos-vapor, esta calculava em tornadouros, sendo um tornadouro a quantidade de água necessária para regar a pé, exigindo a azenha para trabalhar em condições consideradas óptimas 3 a 4 tornadouros.

Foi nestes engenhos que se moeu a farinha para o pão, normalmente cozido nos fornos de utilidade comunitária que alimentou muitas povoações incluindo os animais que as famílias possuíam e que atingiam as várias centenas, senão milhares. Os moleiros angariavam os cereais, dos quais a região era auto-suficiente e distribuíam a farinha com os seus machos e burros pelos fregueses, das freguesias e lugares de Louriçal do Campo, Soalheira, Casal da Serra, S. Vicente da Beira e outras mais distantes tais como a Lardosa, Vale da Torre, Lousa, Escalos, Tinalhas, Ninho do Açor, Sobral do Campo, Paradanta, Partida, Vale de Urso, Mourelo, Estreito, Pereiros e Almaceda .

Neste território de azenhas, em tempos remotos, existiram duas que trabalhavam em exclusivo 2 dias por semana para o exército português sediado em castelo branco, existindo normas que impunham a montante o integral encaminhamento das águas para as mesmas nos dias instituídos, impedindo as regas e/ou qualquer outra utilização. Assim como em tempos já pouco recordados por este povo, existiu uma azenha que trabalhava a tempo inteiro exclusivamente para o Reformatório Central de S. Fiel.

É pensando nestas 26 azenhas e 11 moinhos, hoje pardieiros, que esperamos que seja disponibilizado um fundo que responda à ambiciosa e singular recuperação, conforme oportunamente prometido, nomeadamente no folheto da eleições de 2005 e ainda com particular destaque por quem de direito, garantindo assim a história viva, atenuando a nostalgia e enriquecendo a freguesia. O povo da Torre, ciente da valorização desta pretensão e confiante no vigor de quem nos representa, está certo que o seu alcance é possível e conforme prometido será cumprido.

Das azenhas resta, entre muito poucos habitantes, o “vocabulário local” das suas peças, acessórios e equipamentos. Mas, como os Homens são de memória curta e quando não há história para avivar a memória tudo se perde, pois só a história escrita aviva a memória, para garantir a transmissão da história às gerações vindouras, este “vocabulário” deve ser preservado.



 







Por Carlos Vaz de Deus


18 de janeiro de 2013

Festa de S. Sebastião - Preparativos

 
 
No ano passado, foi anunciado num jornal da região, a realização da Festa de S. Sebastião assim como a nomeação da Comissão de Festas para o próximo ano. Eis que num abrir e fechar de olhos, cá estamos nós em 2013.
 
A três dias dos grandiosos festejos em honra de S. Sebastião, a realizar-se já no próximo dia 20 de Janeiro em Louriçal do Campo, os preparativos estão no bom caminho.
 
Reina a boa disposição entre os mais participantes. Neste caso, as mulheres. São elas que mais contribuem para a festividade. Entre as que compõem a Comissão de Festas e outras que contratada e convidadas para ajudar nos preparativos, eis que o r
esultado final está a dar frutos. São elas que, desde o conjugar os ingredientes necessários, amassar e fritar a massa, fabricam as mais maravilhosas folhoses da região. Por isso, a elas, os nossos maiores agradecimentos.



 
 
São cabazes e mais cabazes de filhoses que serão "despejados" a favor dos presentes que, no prócximo domingo, após a celebração da Missa, precedida de procissão com o andor do Santo para a sua capela. Ali, se reúnem para receber a filhó, vinho e tremoço benzidos pelo pároco.

Na opinião de muitos, uma festa que não há igual em Louriçal do Campo. Não só pela sua forma mas também por se tratar de um hábito muito antigo na freguesia.

Para terminar, um agradecimento muito especial aos elementos da Comissão de Festas que, não esquecendo todos os outros contribuintes, permitem a continuidade de tais festejos.


A todos eles, um grande Bem-haja.

xxcucoxx